Conheça a trajetória da educadora e ativista pernambucana
Quem foi Martinha?
Marta Carmelita Bezerra de Almeida, carinhosamente conhecida como Martinha, foi uma destacada educadora e ativista pernambucana. Sua trajetória esteve profundamente entrelaçada com a luta antirracista, com a defesa dos direitos das mulheres negras e com a garantia de cidadania para a população LGBTQIA+ no Brasil.
Formação e atuação profissional
Graduada em Pedagogia, Marta possuía especializações em Psicopedagogia e Educação Especial. O início de seu envolvimento comunitário ocorreu ainda na infância: aos 13 anos, a convite do professor Josebias, atuou como voluntária na biblioteca comunitária de Maranguape II, no município de Paulista (PE).
Profissionalmente, integrou a equipe técnica da Política de Igualdade Racial de Pernambuco e o Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial (Coepir/PE). Além disso, participava do Comitê Institucional Metropolitano de Mulheres Negras da Secretaria da Mulher de Pernambuco.
Militância e liderança nacional
Como coordenadora estadual do Movimento Negro Unificado (MNU) em Pernambuco, Martinha consolidou-se como uma das principais lideranças negras do estado. Sua militância englobava a promoção da igualdade de gênero, o combate ao racismo e a defesa dos direitos LGBTQIA+.
No âmbito nacional, representou a Articulação Nacional de Movimentos e Práticas de Educação Popular e Saúde (Aneps) junto ao Conselho Nacional de Saúde (CNS), atuando em comissões intersetoriais de alimentação, nutrição e práticas integrativas.
Falecimento e honrarias post-mortem
Martinha faleceu em 13 de setembro de 2023, aos 44 anos, em decorrência de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) sofrido enquanto viajava a Brasília para participar de uma reunião do CNS. A tragédia causou grande comoção entre instituições públicas e movimentos sociais.
O impacto de sua atuação rendeu diversas homenagens e eternizou seu nome em políticas públicas e espaços de memória:
- Poder Legislativo de Pernambuco: A Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) instituiu a Medalha Antirracista Marta Almeida, destinada a homenagear pessoas e organizações de destaque no combate ao racismo. Martinha também recebeu tributos em conferências estaduais de Igualdade Racial e de Mulheres.
- Poder Judiciário: O Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) prestou homenagens à líder antirracista por sua contribuição nas audiências públicas do Grupo de Trabalho de Equidade Racial.
- Iniciativas Municipais e Educacionais: O nome do ativista batiza o Centro de Promoção dos Direitos da Mulher Marta Almeida (Prefeitura do Recife), o Núcleo para a Educação das Relações Étnico-Raciais Marta Almeida (EREM Pompéia Campos) e a Semana de Enfrentamento ao Racismo Marta Almeida (Câmara Municipal do Recife).
- Movimentos Sociais e Sociedade Civil: Foi homenageada no II Encontro do MNU Nordeste, no V Encontro Nacional LGBTQIAPN+ do MNU (Salvador) e teve seu nome atribuído à Ocupação Marta Almeida por Moradia Digna e ao Prêmio Mulher Negra Marta Almeida, promovido pelo Grupo Mulheres do Brasil.

Legado
Martinha é lembrada por sua dedicação incansável às causas sociais e por sua capacidade de articulação comunitária. Seu legado permanece vivo na consolidação de políticas públicas e na mobilização pela equidade racial e de gênero em Pernambuco e no Brasil.


DEPOIMENTO
“Uma contribuição sem dimensões para o Brasil”
“A homenagem dá-se por entender a dimensão da contribuição de Martinha — mulher negra, de Candomblé, pedagoga e nordestina — para o Brasil. Recordo que fui uma das primeiras pessoas a ter contato com ela quando chegou ao MNU. Era muito jovem, calada e cheia de expectativas. Ela superou todas as projeções, inovou na abordagem, na articulação e na congregação de novos filiados.
Sua partida tão precoce foi um choque. O velório foi realizado na Assembleia Legislativa devido à magnitude de sua atuação política. Foi uma despedida cheia de saudosismo e emoção, mas, sobretudo, de orgulho.
Esta homenagem não se limita a uma iniciativa isolada. Ela já é reconhecida na Alepe, na Prefeitura do Recife, no TJPE, na Câmara Municipal e em movimentos de moradia. Estamos mobilizando militantes, parlamentares e instituições para que possamos enfileirar essa legião de admiradores e aprovar, no Congresso Nacional, o dia 13 de setembro como o Dia Nacional Marta Almeida.”
— Edson Axé, ogã Pejigã do Ilê Axé Obá Olufã, ativista de direitos humanos, bacharel em Direito e membro do Coletivo Verde Esperança (CVE) e da Rede ACTP.
Para saber mais sobre a homenagem, clique aqui!

NOTA: Esta matéria só foi possivel pela ajuda e generosidade de Sonia Santos (MNU), Edosn do Axé e a mãe de Martinha. Axé!










