Nos dias 7, 8 e 9 de novembro, aconteceu o primeiro Encontro Nacional de Juventude da União de Negras e Negros pela Igualdade (UNEGRO) — movimento de atuação autônoma com vínculo não necessariamente partidário Partido Comunista do Brasil (PCdoB).

O encontro nasceu da necessidade de uma construção consciente e coletiva. Afinal, como pensar o futuro sem envolver quem viverá suas consequências?
Para a UNEGRO, isso não é uma opção. Dar voz à juventude negra é reconhecer e viabilizar um futuro em que ela possa viver, sonhar e acontecer.
Centenas de jovens negros e negras de todos os estados participaram do evento, movidos pelo desejo de construir coletivamente um Brasil antirracista, democrático, popular e socialista; que funcione para todos.
O movimento é o laço que une esses jovens à luta antirracista. No 1º Encontro Nacional da Juventude da UNEGRO, diferentes histórias se encontraram e se fortaleceram, como a de Mailson, do Maranhão, que descobriu sua vocação militante em uma conversa entre amigos em uma mesa de bar, e desde então nunca mais deixou de lutar.
Ou como a de Carolina, do Litoral Norte de São Paulo, que herda uma linhagem de militância ancestral e, aos 18 anos, assume a coordenação do Núcleo Jovem do Quilombo Caçandoca, ligado ao Fórum de Comunidades Tradicionais.
De origens diversas, esses jovens compartilham experiências semelhantes: as consequências de viver em uma sociedade racista. Mas é justamente desse reconhecimento coletivo que nasce uma nova geração de resistência.
A escolha do local também carrega simbolismo. O encontro aconteceu no Rio de Janeiro, território que há uma semana foi palco da maior chacina da história do estado.
Ciente do peso desse contexto, a UNEGRO abriu a programação com o debate “Por um modelo de segurança pública cidadã”, conduzido por Fabiana, da Ouvidoria do Estado de São Paulo, e Thiago Santana, do Ministério da Igualdade Racial.
Com o objetivo de produzir um documento norteador para as ações da juventude negra nos próximos anos, a comissão organizadora propôs grupos de trabalho temáticos, abordando pautas estratégicas de transformação social como comunicação e cultura, educação, mundo do trabalho, gênero, sexualidade e saúde.
Entre os temas de destaque, esteve também a PEC 27, considerada um marco histórico na luta contra as desigualdades raciais.
Para a Secretaria de Juventude da UNEGRO Estadual, integrante da comissão organizadora, o encontro representa “não a realização de um sonho, mas de vários sonhos coletivos”.

A vice-presidenta da UNEGRO de São Paulo, Sílvia Souza, destacou a importância do protagonismo da juventude:
“Entre os participantes deste encontro estão as próximas lideranças do movimento. Essa aposta vem do papel que a juventude já exerce hoje em seus territórios.”
Durante os três dias de atividades, cerca de 150 jovens militantes contribuíram com discussões, propostas e intervenções artísticas que marcaram o momento histórico para o movimento.
O Encontro Nacional da Juventude da UNEGRO encerrou-se deixando uma mensagem clara: a juventude negra não apenas reivindica espaço, mas ocupa, organiza e propõe caminhos concretos para o Brasil.
Sobre a PEC 27
A PEC 27/2024 é uma proposta de emenda à Constituição que busca instituir reparação racial no Brasil, enfrentando as desigualdades estruturais herdadas da escravidão e do racismo.
Em tramitação na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, a proposta prevê a criação de um Fundo Nacional de Reparação Econômica e de Promoção da Igualdade Racial, com o objetivo de financiar políticas públicas voltadas à população negra.










