» Post

Jornal Empoderado na 2ª Marcha Nacional das Mulheres Negras

O legado de luta e resistência das mulheres pretas ressoou na capital brasileira

Brasília foi o palco da 2ª Marcha Nacional das Mulheres Negras, realizada em (25/11). O evento acolheu mulheres de todas as idades, credos e de diferentes cantos do Brasil.

Mais de 300 mil vozes pretas se uniram para gritar por “Reparação e Bem Viver”.

Dez anos após o primeiro encontro, a Marcha consolidou suas metas e gravou, mais uma vez, seu nome na história deste país, que possui uma dívida histórica com quem constrói essa nação: as mulheres negras.

Segundo militantes históricas do movimento, o ato transbordou “potência” e foi classificado como um “dia histórico”. As pautas levantadas ressoaram fortemente, ecoando para além dos limites do Distrito Federal.

Marcharam juntas mulheres negras anônimas, quilombolas, parlamentares, ribeirinhas, do campo, urbanas, periféricas, acadêmicas, artistas, trabalhadoras, meninas, mães, jovens e senhoras. Uniram-se em busca de respeito, melhores condições de trabalho e pelo Bem Viver. É uma luta ancestral que visa honrar o passado, transformar o presente e garantir o futuro.

De todo o país e também de mais de 40 nações, mulheres negras chegaram à capital federal desde a última semana para uma das mais importantes mobilizações políticas da década. A nova edição da Marcha Nacional das Mulheres Negras não trouxe apenas o peso simbólico da memória, mas também a afirmação de que o tempo histórico pede mais protagonismo, mais enfrentamento ao racismo institucional, mais políticas públicas e mais espaço de poder para aquelas que sustentam o país e seguem sendo as mais afetadas pelas desigualdades. (texto do Brasil de Fato)

Denúncia sobre as hospedagens em Brasília

NOTA: Para além da linda manifestação e seu inegável contexto de importância, o Jornal Empoderado recebeu diversas denúncias graves: o local reservado para um grupo de mulheres negras participantes não era adequado.

Esperamos que, na próxima vez, os (as) organizadores (as) e organizações demonstrem mais cuidado e respeito ao lidar com pessoas que já são sistematicamente marginalizadas. É fundamental combater o racismo e o machismo estrutural presentes na nossa sociedade, garantindo a dignidade de todas as pretas.

PS: Por respeito, a Nota enviada pelo Comitê Nacional da Marcha, contendo sua versão dos fatos na íntegra, segue abaixo da foto:

Nota de solidariedade, transparência e responsabilidade coletiva: Às Mulheres Negras que marcham

Na última terça-feira, dia 25 de novembro de 2025, nós, mulheres negras brasileiras, fizemos história: construímos a maior mobilização política de mulheres negras que o mundo já viu. Estivemos marchando nas ruas de Brasília, carregando nossas bandeiras, nossos sonhos e lutas, ao lado de companheiras negras de 37 países do mundo que ouviram nosso chamado. Fomos 300 mil mulheres negras em Marcha por Reparação e Bem Viver!

Brasília virou por um dia o cenário de encontro dos nossos sonhos de justiça, oportunidades e direitos. Celebramos e agradecemos a cada uma das 300 mil mulheres negras que fazem parte dessa história.

Sabemos, entretanto, que o longo caminho até esse dia tão bonito não foi fácil. Vivemos quase três anos de intensa articulação e trabalho para realizarmos este ato tão grandioso. Nos organizamos coletivamente com transparência, diálogo e cuidado contínuo, através de Comitês Impulsores locais, estaduais, regionais, nacional, global e temáticos. E a reta final desta construção, sobretudo, foi árdua para a maioria de nós. 

Saudamos, respeitamos e acolhemos às tantas mobilizações realizadas por cada uma das companheiras Brasil afora. Sabemos dos cansaços, das noites perdidas, das longas horas de estradas, para chegarmos até Brasília com nossa força e coragem.

Com profundo respeito, admiração e solidariedade a cada uma das 300 mil agentes da nossa história, nos solidarizamos diante de experiências difíceis vividas por algumas de nossas irmãs negras, fruto da estrutura do alojamento fornecido pela Granja do Torto, das chuvas intensas que resultaram em falta de energia e de água, e do acolhimento falho.

E prezando pela transparência, cuidado e responsabilidade coletiva que nos orienta, entendemos como necessário negritar os processos de articulação de alojamentos, amplamente discutidos coletivamente, por meses, em todas as esferas de Comitês da Marcha, e entre movimentos sociais parceiros.

Ressaltamos aqui também, que assim que os primeiros relatos sobre as dificuldades enfrentadas por algumas mulheres na Granja do Torto chegaram, ainda no dia 24, o Comitê Nacional apurou os fatos e interviu na intenção de acolher a todas.

Estruturas para eventos desta natureza sempre são desafiadoras, mas de forma alguma somos coniventes com desrespeito e falta de acolhimento.

A Marcha Global de Mulheres Negras revela-se como a mais ampla articulação do Movimento Global de Mulheres Negras, e o que aconteceu com algumas de nossas irmãs no Alojamento contraria completamente nossa essência enquanto movimento, e por isso, lamentamos profundamente.

Alertamos também para o fato deste acontecimento lamentável estar sendo usado por grupos diversos em prol de suas próprias agendas políticas. Alguns tentam deslegitimar o movimento de mulheres negras, outros, lançam seu alvo ao governo e suas instituições. Para nós, neste momento, a prioridade é ouvir e acolher essas mulheres, ofertando nossa solidariedade e apoio, na certeza de que a força da Marcha não será reduzida a esse episódio  lamentável.

Que a força da nossa ancestralidade siga nos guiando.

Com compromisso e afeto,

Comitê Nacional da Marcha das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver

Composto por:

Articulação Nacional de Psicólogas/os Negros/as e Pesquisadoras/es em Relações Étnico-Raciais (ANPSINEP)

Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB)

Candaces – Rede Nacional de Lésbicas e Mulheres Bissexuais Feministas Negras

⁠Coordenação de Entidades Negras (CONEN)

Coordenação Nacional de Articulação de Quilombos (CONAQ)

Fórum Nacional de Mulheres Negras

Fórum Nacional de Travestis e Transexuais Negras e Negros (FONATRANS)

Fórum Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional dos Povos de Matriz Africana (FONSAPOTMA)

Movimento Negro Unificado (MNU)

Mulheres de Terreiro – Delegadas no III Egbé

Rede de Mulheres Negras do Nordeste

Rede Fulanas – Negras da Amazônia Brasileira

Rede Nacional de Mulheres Negras no Combate à Violência

Adição: Frei David retornou ao Jornal Empoderado e informou que, devido à lotação dos hotéis, algumas mulheres foram acomodadas em alojamentos. Ele ainda aguarda um retorno da coordenação da Educafro, mas considera o ocorrido um fato gravíssimo.

Nota do Editor Chefe: Agradeço as trocas obtidas para realização dessa matéria com pessoas tão queridas e importantes para o Jornal Empoderado (JE) como: Prof. e jornalista Dennis de Oliveira (Rede Quilombação e Ação Negra), Sueli Carneiro (Geledés), Professor e Babalorixá Ivanir dos Santos, Cida Bento (CEERT), Cris Blues (Ilú Oba de Min), Rosa Anacleto (Unegro), Regina Santos do MNU, Karla Recife da Frente Favela e do Ministério dos Direitos Humanos entre outras pessoas importantes para nós. E em especial a Ina Henrique que esteve em Brasília representando nosso querido JE. Meu muito obrigado!

Fotos: Ina Henrique

NOTA

Não deixe de curtir nossas mídias sociais. Fortaleça a mídia negra e periférica

Esta gostando do conteúdo? Compartilhe!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

» Posts Recentes

Categorias

Você também pode gostar

Utilizamos seus dados para analisar e personalizar nossos conteúdos e anúncios durante a sua navegação em nossos sites, em serviços de terceiros e parceiros. Ao navegar pelo site, você autoriza o Jornal Empoderado a coletar tais informações e utiliza-las para estas finalidades. Em caso de dúvidas, acesse nossa Política de Privacidade