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Do Candomblé para as passarelas: A joalheria ancestral e política de Ojire Ventura

Uma artista visual e designer de joias com Identidade e Ancestralidade

SÃO PAULO – No cenário da joalheria contemporânea, a loja virtual da Ojire ART surge como um manifesto de resgate cultural. Fundada pela designer Ojire Ventura, de 37 anos, a marca transcende a estética convencional para criar adornos que servem como pontes entre o presente e a força da ancestralidade negra. Mais do que acessórios, suas peças são objetos artísticos que carregam o peso das narrativas afro-diaspóricas.

Da Zona Leste para o Mundo: Quem é Ojire Ventura

A trajetória de Ojire é marcada pela territorialidade e pela fé. Nascida dentro de um terreiro de candomblé em São Luiz do Paraitinga (Vale do Paraíba), ela cresceu em Itaquera, na Zona Leste da capital paulistana. Mulher negra, candomblecista e mãe, Ojire transformou a falta de representatividade na moda em combustível para criar.

Em 2015, iniciou sua jornada com vestuário, mas foi no final de 2016 que se apaixonou pela fundição e modelagem de metais. Hoje, além de joalheira artesanal que trabalha o latão manualmente, ela expande sua atuação para a direção de arte, cenografia e figurino, reafirmando-se como uma artista multifacetada. Conheça a loja virtual da artista clicando aqui!

O Empreendedorismo como Ato Político e de Resistência

Para Ojire, o metal é moldado pela necessidade e pelo sonho. O início da marca foi marcado por recursos escassos e escolhas difíceis, típicas da realidade de mulheres pretas que empreendem no Brasil.

“Minha trajetória nasce da necessidade, mas principalmente do desejo profundo de criar e existir. Em muitos momentos, precisei deixar de pagar contas para investir em material. Empreender, para mim, é um ato político de afirmação e autonomia”, revela a designer.

Diferente da lógica predatória do mercado, a Ojire ART aposta no slow fashion e na produção consciente. São peças únicas ou de tiragem limitada que refletem um olhar sensível e conceitual. “Acredito na joia como forma de pertencimento e fortalecimento da identidade”, explica.

Adornando Vozes Potentes

O talento de Ojire Ventura já ocupa corpos que são referências na cultura negra, musical e contemporânea. Suas joias e figurinos já acompanharam artistas como Luedji Luna, Xênia França, Rincon Sapiência, Tássia Reis, Erica Malunguinho, Larissa Luz, Maria Rita e o duo ÀVUÀ (Jota.pê e Luma Schiavon).

O Sonho da Consolidação e o Legado

O objetivo de Ojire é que suas joias circulem por espaços globais, levando histórias que a historiografia oficial muitas vezes tenta apagar. Mas o crescimento que ela busca é coletivo:

“Desejo crescer de forma sustentável para, no futuro, criar oportunidades para outras mulheres dentro da joalheria artesanal e da economia criativa. Meu trabalho é um caminho de transformação pessoal e coletiva; é onde convido as pessoas a se reconhecerem nas histórias que conto através dos metais.”

Ao unir a técnica manual ao design afrocêntrico, Ojire Ventura consolida sua marca não apenas como um negócio, mas como um símbolo de resistência e orgulho cultural que transforma o adorno em presença e narrativa.

NOTA

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