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Deka Carvalho Estrela na Expo Favela 2025

Grandes nomes; grandes histórias e projetos incríveis passaram por lá.

Uma potência do povo brasileiro.
Primeiramente, a Expo Favela escolhe seus empreendedores por recorte de Territórios; a curadoria observa projetos com potencial de investimento vindos das favelas, periferias, quilombos, aldeias indígenas e imigrantes. Pessoas de todas as raças credo e gênero. Porém, o Racismo Institucional determina predominância de negros nesses Territórios e a Expo favela torna-se também um evento de muitas empreendedoras e empreendedores negros, refletindo suas potências e inovações no cenário dos negócios tão restritos aos 70% da população brasileira não branca, não classe média.

Eduardo Suplicy, prestigia evento.


Escolhemos uma das histórias para dar destaque nesta edição. A palestrante Deka Carvalho trouxe ao evento sua tecnologia de transformar a fotografia em cura; em empoderamento feminino e em celebração da mulher e de sua autoimagem.

Em uma deliciosa entrevista com Deka, nos encontramos com muitas mulheres pelo Brasil afora.
Deka já fez parte da CUFA, do projeto CineSolar da Brazucah, da Exposição Reciclos Muros Invisíveis da Cia Um Brasil de Teatro e Artes com minha curadoria, de Redes de produção cultural da Zona Leste, de Projetos de Terreiros e com essa vivência incrível criou a Ayaba Oficina de Fotografia, (Ayaba- Rainha em Iorubá) – Oficinas de Empoderamento Feminino com fotografia.

Lua Roque, Deka Varvalho e Marina Ribeiro



Deka nos contou como começou a ser autodidata na arte de fotografar quando sua única opção de trabalho era fotografar uma das primeiras edições do Campeonato de Futebol da CUFA.

Seguem trechos de nossa entrevista:
Max Mu: – Me conta como foi o convite para Expo Favela?
Deka: – Me convidaram pela minha atuação no projeto Ayaba Oficina de Fotografia. A fotografia é uma ferramenta para libertar as mulheres e torná-las mais empoderadas.
Max Mu: – E como elas chegam nas oficinas? Para ser modelo? Fotógrafa?
Deka: – Elas chegam para fotografar passarinho, passagem ou outras pessoas. Depois, elas se percebem e começam a descobrir sua autoimagem, seu potencial fotogênico e começam a se perceber como parte do trabalho a ser desenvolvido.
Max Mu: – O racismo institucional insere na mulher negra e periférica uma autoimagem pejorativa delas mesmas, e você trabalha com a auto vergonha e auto-ódio advindo do sistema racista?
Deka: – As mulheres periféricas e negras fazem muita comparação e principalmente com mulheres brancas, é o padrão estabelecido, que ninguém sabe quem estabeleceu, mas está estabelecido. E elas ficam depressivas em relação a isso, se mutilam, se machucam porque sentem que nunca vão ser iguais; ‘eu não posso ser essa mulher, e eu gostaria de ser, e eu me saboto porque eu não sou ela’.
Max Mu: – A oficina aborda a sensualidade?
Deka: – Cada grupo segue de uma forma, eu vou entendendo cada turma, algumas fazem sensual; muitas não. Algumas turmas inclusive visam seus empreendimentos e posicionamento de marca. Faço cada oficina sobre o que elas querem.
Max Mu: – Além de ser uma ferramenta de identidade e autoimagem, a fotografia também cura?
Deka: – Sim. Autocura. A fotografia cura quando você consegue se encarar. As pessoas não conseguem se encarar por muito tempo, ou elas estão se maquiando, se arrumando para ir ao trabalho, ou ela só é um reflexo no carro, elas são um fragmento de segundo apenas… O momento em que passa no vidro de um carro, ela se vê, faz um flash de si mesma ali, mas para ela eternizar esse momento é difícil.

Max Mu: – O cabelo afro hoje em dia é muito aceito, já avançamos muito nessa questão na sociedade, né?
Deka: – A gente acha que avançou, mas não avançou tanto. A última turma que tive agora de adolescentes, elas não conseguiam soltar o cabelo, aliás, se pudessem raspar a cabeça para esconder, os cabelos raspavam. Então, o que eu faço quando percebo isso é valorizar o nosso cabelo, inclusive o rosto, ao acariciar o próprio rosto. Quando elas se acariciam e percebem que seus traços e seus rostos são gostosos, dignos de carinho, elas choram, se libertam, é incrível.
Max Mu: – Quem quer fazer suas oficinas, faz como?
Deka: – Agora são ministradas em projetos específicos da prefeitura de São Paulo.
Eu trabalho com Máquina Profissional para elas sentirem que é possível.
Max Mu: – Como você virou fotógrafa?
Deka: – Eu era produtora de pequenos artistas na Zona Leste, eu levava água, café, arrumava, fazia de tudo. Um dia teve uma reunião da CUFA, mas me disseram que já tinha muitos produtores e só faltava fotógrafo (nuca citam mulher, é sempre no masculino). Aí eu disse que era fotógrafa, eu precisava de grana, eu queria trabalhar e estar no meio dos processos. Eu disse que tinha, mas não tinha. No dia seguinte, fui atrás, mas eu não tinha ideia dos preços da máquina e o evento não ia dar equipamentos. Quando eu descobri os preços, fiquei desorientada e não sabia como ia fazer. E na última hora, um amigo me ligou para desabafar e, entre nossas lamentações, ele tinha saído de um bom trabalho e falou: pega meu cartão, parcela no máximo e depois você vai me pagando. Chorei muito nesse dia e fui para Santa Efigênia comprar meus equipamentos, fiz um cursinho no YouTube e mesmo assim, com muito medo, fui fazer o evento da CUFA, Taça das Favelas.
Max Mu: – E como foi sua palestra na Expo Favela de 2025?
Deka: – Eu fiquei muito nervosa, pensei em até não aceitar? Mas eu não cheguei sozinha, a Ayabá foi um pedido das minhas alunas, minhas unhas, roupa, cabelo são minhas alunas e amigas e trouxe tudo comigo, inclusive a maquiagem feita pela minha filha. Eu trabalhei com um projeto de “Mulheres em Foco”, que me levaram para Bahia, onde foi maravilhoso. E quando eu cheguei aqui na Feira, eu me preparei muito para estar aqui. Eu vi que ia falar com Everton e Liliam Carvalho e nem pesquisei sobre eles para não me autossabotar fazendo comparação, e a troca foi ótima, ele com milhares de seguidores, ela com Marketing e toda a produção querendo tirar foto comigo, foi uma grande emoção. Se apresentar aqui foi uma transformação, porque eu, quando vim aqui falar, fui estudar como era a dinâmica de uma mesa. Mesmo eu sendo fotógrafa de vários eventos corporativos e de debates, eu nunca tinha me imaginado na mesa, eu debatendo, eu falando para as pessoas. Por isso, é sempre importante observar para estarmos preparadas para todas as oportunidades.
Max Mu: – Mais alguma coisa?
Deka: – Agradecer a vocês do Jornal Empoderado, ao Celso, a todas as pessoas que geram essa feira esses espaços e essa oportunidade.


A Expo Favela terá novas edições acompanhe nossas mídias sociais, e conheça mais sobre o projeto AYABA, pelo instagram: @ayabaoficina; e @Dekacarvalho

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