O Jornal Empoderado esteve no 9° Encontro Nacional de Comunicadores e Ativistas Digitais organizado pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé e com apoio de diversos sindicatos e que reuniu mais de 100 pessoas de 12 estados brasileiros discutindo caminhos da comunicação no Brasil e ao final do segundo dia de evento foi aprovada “Carta” com projeto de comunicação democrática, plural e progressita.
Iniciamos com a visão do Cido Aparecido (Cidoli), Jornalista e militante do Partido dos Trabalhadores (PT) e diretor do Barão de Itararé sobre os desafios da comunicação em època de eleição:

Cido falou sobre co combate a Fake News, e destacou que a desinformação se intensificou e propõe o uso da tecnologia como defesa. E sugeriu:
- Mecanismos Tecnológicos: Sugere o recrutamento de jovens e “hackers” para utilizar plataformas que detectam notícias falsas em tempo real.
- Respostas Imediatas: Enfatiza que o governo e a militância precisam ser ágeis para desmentir informações.
Depois, pontuou sobre os desafios da Comunicação Partidária afirmando que há uma crítica à forma como as estruturas partidárias lidam com a comunicação:
- Falta de Investimento: Ele afirma que os partidos, mesmo os que possuem estrutura, precisam investir muito mais em comunicação do que fazem atualmente.
- Continuidade de Plataformas: Critica o abandono de projetos após o período eleitoral, citando o exemplo da plataforma “Muda Mais” (da campanha de Dilma Rousseff). Ele defende que a nova plataforma “Pode Espalhar” deve ser mantida permanentemente para sustentar o combate ideológico.
Cido, citou o papel do BlogProg e do Barão de Tararé, que são ferramentas essenciais para a coesão da esquerda:
- Unidade da Esquerda: O BlogProg busca aproximar diferentes campos da esquerda para evitar divisões internas.
- Novos Instrumentos: O foco é criar alternativas para sobreviver e enfrentar o domínio das Big Techs e a regulamentação necessária nesse setor.
E por fim, pensando perspectiva para 2026
- Cenário de Conflito: O orador prevê que a extrema-direita tentará “golpes” ou táticas agressivas se não conseguirem vencer pelas vias normais.
- Esperança na Eleição de Lula: Apesar de considerar as eleições de 2026 desafiadoras, ele expressa confiança na vitória de Lula e na necessidade de manter a guarda alta mesmo após o pleito.
O Evento
O encontro reuniu ativistas digitais e comunicadores com presença de jornalistas como Renato Rovai, da Revista Fórum, Dhayane Santos, do Brasil 247, Kiko Nogueira, do DCM, sindicalistas, mídias progragressitas e uma juventude potente.
Primeiro Dia
Reencantar o povo e enfrentar a extrema direita: comunicação será decisiva em 2026. Foi tema de uma da mesa do primeiro dia. Leia matéria completa aqui!
Abrindo o debate, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, situou o momento brasileiro dentro de um cenário internacional marcado por tensões geopolíticas e avanço da extrema direita.
“Não precisamos dessa guerra, de uma guerra que objetiva controle de riquezas e controle de territórios, com aspirações fascistas. É um período de ascensão do fascismo no mundo, cujo maior líder contemporâneo é Trump”, afirmou.
A partir desse contexto, Edinho destacou que é tarefa de todo o campo democrático comunicar com clareza o que está em jogo nas urnas em outubro: “Temos de deixar claro qual é o projeto que enfrentará temas estruturais como a redução da jornada de trabalho, a tarifa zero no transporte público, a defesa das riquezas nacionais e das terras raras, a transição energética com justiça climática”.

Segunda Mesa
As pautas discutidas compõem um conjunto de estratégias voltadas ao enfrentamento do monopólio das Big Techs, ao fortalecimento das mídias progressistas e à democratização da comunicação. Durante o 9º BlogProg, foram debatidos o papel fundamental desses produtores de conteúdo e os complexos desafios da comunicação digital no cenário brasileiro atual. Leia aqui matéria completa!
Kiko Nogueira (DCM) relembrou o surgimento do movimento dos blogueiros progressistas, marcado pelo episódio da “bolinha de papel” envolvendo José Serra, e ressaltou o papel histórico da mídia alternativa em momentos decisivos da política brasileira. “A gente faz a contra-narrativa. Lula não teria saído da prisão se não fosse a nossa luta”, afirmou. Para ele, é preciso que o governo reconheça a relevância desses veículos e avance em uma política de comunicação mais democrática.
Em sua fala, Talita Galli (TVT) destacou a crise de credibilidade enfrentada pela mídia hegemônica e o crescimento da procura por fontes alternativas de informação, especialmente em temas internacionais e sociais.
Por sua vez, Renato Rovai (Revista Fórum) analisou as transformações da internet nos últimos anos e alertou para o poder concentrado das Big Techs. Segundo ele, as plataformas passaram a controlar a circulação das informações por meio dos algoritmos, impondo dependência estrutural aos veículos independentes. “Hoje temos uma internet cercada por muros. Precisamos entender os algoritmos, construir nossas próprias plataformas e regulamentar as existentes”, defendeu.
Já Dhayane Santos (Brasil 247) chamou atenção para a falta de investimento na mídia progressista e para a precarização do trabalho jornalístico. Segundo ela, muitos profissionais acumulam funções sem estrutura adequada, o que limita o alcance da comunicação popular. “A comunicação precisa de condições concretas para acontecer. O coletivo vale muito mais e é preciso pressionar por mudanças reais”, afirmou.

Segundo Dia
Regular Big Techs é enfrentar a extrema direita e o tecnofascismo, afirmam debatedores no 9º BlogProg. Leia aqui!
Logo no início, o sociólogo Sérgio Amadeu (segurando o microfone) colocou as cartas na mesa ao relacionar diretamente a regulação das plataformas ao enfrentamento da ultradireita global.
“Regular plataformas é lutar contra a extrema direita e o tecnofascismo”, sentenciou.





Representado por seu fundador e editor-chefe, Anderson Moraes, o Jornal Empoderado reafirmou a necessidade de ir além dos aportes financeiros. Para Moraes, é fundamental que as mídias pretas, periféricas e indígenas expandam sua atuação através de um diálogo governamental que resulte em parcerias estruturais, garantindo benefícios como seguro de vida, plano de saúde e assessoria jurídica aos mídia-ativistas.
“Cientes dos desafios, estamos prontos para construir estratégias que ampliem a voz daqueles que hoje são reféns das Big Techs e de veículos tradicionais pautados pelo mercado”, pontuou. O objetivo central é o fortalecimento de uma comunicação popular que defenda os interesses nacionais e apresente à sociedade as realidades invisibilizadas pelo modelo focado no rentismo.
O programa Domingo na Fórum (26/04) , do canal da TV Fórum, debateu o 9ºBlog Prog e a comunicação em ano de eleição. Participaram Altamiro Borges, Rita Casario, Laura Rodrigues e Hector Batista.
Os participantes destacaram:
Altamiro Borge e os convidados fizeram um balanço do 9º BlogProg:
- Fortalecimento da Mídia Progressista: Houve um crescimento real e uma maior presença desses canais (como TV Fórum, 247, DCM, TVT) na disputa de narrativas na sociedade [06:58].
- Vitórias de Narrativa: Exemplos como a defesa do fim da escala 6×1 e a denúncia do genocídio na Palestina foram citados como momentos em que a mídia progressista pautou o debate [09:27].
Foram feitas críticas ao Governo e à Mídia Tradicional:
- Falta de Estratégia Estatal: Houve uma crítica contundente ao fato de o governo progressista ainda não encarar a democratização da comunicação como uma questão estratégica de Estado [08:53].
- Regulação da Mídia: Altamiro Borges enfatizou que a luta não é pelo fim da mídia tradicional (como a Globo), mas pela sua regulação democrática conforme a Constituição, garantindo pluralidade e o contraditório [55:34].
3. A Juventude e a Tecnologia (EJUV)
Um dos pontos altos foi a participação dos jovens Laura e Héctor, que trouxeram frescor ao debate:
- Protagonismo Juvenil: Héctor e Laura destacaram que a juventude não é apenas o “futuro”, mas o presente da luta política e tecnológica [01:05:42].
- Código com Propósito: Laura, especialista em tecnologia, defendeu o uso de algoritmos e softwares para o bem social (o “código com propósito”), combatendo a lógica puramente capitalista das Big Techs [25:43].
- 2º EJUV: Foi anunciado e promovido o 2º Encontro Nacional de Comunicadores Ativistas Digitais e Juventudes (EJUV), que incluirá um Hackathon para desenvolver ferramentas tecnológicas de mobilização popular [01:13:04].
4. Agenda e Oficinas
Conexão Real: Héctor reforçou que, além do digital, a juventude precisa de conexões reais e presenciais para organizar a “rebeldia” contra o sistema reacionário [01:19:10].
Ciclo de Oficinas para o Movimento Sindical: Rita Casaro anunciou oficinas online (de 5 a 21 de maio) para capacitar dirigentes sindicais no uso de ferramentas digitais e na disputa de ideias para as eleições de 2026 [36:11].

CARTA DO 9º ENCONTRO NACIONAL DE COMUNICADORES E ATIVISTAS DIGITAIS
Esta carta será alterada com cinco emendas. Uma delas pede a imediata criação de um Fundo Nacional de Desenvolvimento Financeiro das Rádios e TVs Comunitárias, mídias alternativas e periféricas, de indígenas e de quilombolas.
Reunidos nos dias 24 e 25 de abril de 2026, na cidade de São Paulo, comunicadores, comunicadoras e ativistas digitais de todo o Brasil se encontram, mais uma vez, para refletir coletivamente sobre os desafios do nosso tempo e afirmar o papel estratégico da comunicação na disputa de rumos da sociedade brasileira diante de um mundo em estado máximo de tensão.
Em sua nona edição, o Encontro Nacional de Comunicadores e Ativistas Digitais se situa em uma conjuntura social, política e tecnológica bastante diferente de sua estreia, no longínquo ano de 2010.
Além da escalada da ultradireita que combina uma agenda ultraliberal na economia com violência, discurso de ódio e desinformação como método, o planeta se vê em alerta pela imposição da agenda neocolonial e belicista imposta pelo “Consórcio Epstein”, ou seja, pela aliança entre Donald Trump e Benjamin Netanyahu. Na América Latina, as peças se movem no mesmo sentido, com o retorno de forças oligárquicas ao poder em diversos países e com o risco extremo que corre o Brasil na batalha eleitoral de outubro.
O pleito será marcado pela contraposição entre um projeto comprometido com a soberania nacional, o desenvolvimento e o diálogo, e outro, orientado pelo desmonte do Estado, pelo entreguismo e pela retomada de um processo de regressão social e civilizatória, com alinhamento automático e vassalo à agenda da Casa Branca. Vivemos um período de intensas transformações tecnológicas, profundas desigualdades sociais e acirramento da disputa politica ideológica.
Nesse cenário, a comunicação ocupa lugar central — seja como ferramenta de disputa de sentidos e fortalecimento democrático, seja como instrumento de manipulação, desinformação e violência. Diante disso, reafirmamos nosso compromisso com a construção de um ecossistema comunicacional plural, democrático e comprometido com os direitos humanos, a soberania nacional e a justiça social.
Segue prioritária a reivindicação quanto ao fortalecimento das mídias independentes e populares. E fundamental avançar na construção de políticas públicas que garantam sustentabilidade, diversidade e alcance para essas iniciativas, reconhecendo seu papel essencial na democratização da informação e na ampliação das vozes que constroem o debate público no país.
Da mesma forma, torna-se cada vez mais incontornável o debate sobre a regulação das plataformas digitais. As chamadas Big Techs concentram poder econômico, político e informacional sem precedentes, operando, quase sempre, à revelia do interesse público. Defender sua regulação é defender a transparência, a responsabilização e a proteção da sociedade frente à desinformação e aos discursos de ódio.
Consideramos imprescindível, também, pautar, na ordem do dia do jornalismo brasileiro, o enfrentamento à escalada de violências que atravessam a sociedade brasileira, em especial o feminicídio, expressão extrema de uma cultura estrutural de opressão de gênero que precisa ser combatida com políticas públicas, responsabilização e transformação cultural. A comunicação é peça-chave nesse tabuleiro.
Além disso, é fundamental que o conjunto das mídias independentes e contra-hegemônicas amplifique, de forma articulada e permanente, a agenda de lutas dos movimentos populares no Brasil, contribuindo para dar visibilidade às suas pautas, fortalecer suas mobilizações e disputar narrativas no espaço público.
Nesse sentido, é igualmente central incorporar à disputa de ideias a defesa intransigente dos povos originários e da justiça climática, em um momento em que a crise ambiental se aprofunda e se torna também campo de batalha política e informacional. A proteção das riquezas naturais brasileiras, incluindo nossos bens estratégicos e as chamadas terras raras, deve estar articulada a um projeto de soberania nacional que enfrente a lógica predatória e neocolonial.
Por fim, nesse mesmo horizonte, é indispensável reconhecer a potência da juventude brasileira, escutar com atenção suas vozes, aprender com suas experiências e valorizar aquilo que já vêm produzindo no campo da comunicação contra-hegemônica. São essas práticas, linguagens e formas de organização que apontam caminhos para a renovação do debate público e para o aprofundamento da democracia.
Este encontro se realiza em um contexto de permanente vigilância democrática. A ameaça de reorganização de forças da ultradireita no Brasil exige atenção, articulação e capacidade de mobilização. Cabe a nós, comunicadores e ativistas, seguir atuando de forma incisiva para barrar retrocessos, enfrentar a desinformação e defender os avanços conquistados pelo povo brasileiro.
Esta carta é um documento em construção. Ao longo deste encontro, será enriquecida pelas contribuições, debates e acúmulos coletivos de todas e todos presentes, expressando a pluralidade de debates e a potência das lutas que nos unem.
Conclamamos todas e todos a dar continuidade a este processo de articulação, formação e luta para além deste encontro, fortalecendo as iniciativas em curso e se somando às ações impulsionadas pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, como espaço estratégico de organização, reflexão e intervenção na disputa comunicacional no Brasil.










