Caso ocorrido na segunda (30) na Escola Municipal Enéas Fernandes de Carvalho, no município de Uruaçu, interior de Goiás, gera revolta em familiares pela maneira que a coordenação da escola lidou com o ocorrido
Jaqueline Baptista Rodrigues, mãe da vítima, Júlia Victoria Baptista Caetano, relatou à redação que na segunda-feira, dia 30 de março, a filha brincava com colegas na escola quando um deles teria a chamado de macaca. Após a ofensa racista, ainda de acordo com a vítima, o ocorrido foi levado à professora, que simplesmente teria mandado os alunos sentarem em seus lugares.
A mãe conta que, ao levar o caso para a direção no dia seguinte, 31, não sentiu acolhimento nem compreensão sobre o ataque por parte da equipe pedagógica da escola, pontuando que a própria diretora da instituição desviava do assunto discutido — a ofensa racista — e tentava guiar a conversa para outros tópicos.
Jaqueline relata, ainda, que ao retornar para buscar Júlia no horário da saída e perguntar o que foi discutido sobre a reclamação, a filha compartilhou que a diretora havia reclamado, dizendo que “não era para ter comunicado sua mãe e que, por conta disso, não sabia dizer quem contava a verdade, Júlia ou a criança que proferiu a ofensa”.
Ao ouvir isso, Jaqueline decidiu conversar novamente com a equipe pedagógica. Na nova conversa, a mãe prensenciou a filha ter a honestidade questionada por parte das adultas responsáveis pela sala. Segundo Jaqueline, lhe foi dito que ela “estaria passando pano” para o comportamento da filha, que a criança que ofendeu Júlia estudava lá há mais tempo e nunca teve um episódio parecido com o relatado. Depois de ter sua imagem e de sua filha descredibilizadas, Jaqueline resolveu ir à delegacia tomar as devidas medidas legais.
Primeiro, a mãe conta que decidiu ir ao Conselho Tutelar de Uruaçu para receber orientação sobre o caso, porém, como era horário de almoço dos servidores, o órgão estava vazio. Sendo assim, seguiu com o plano original e, ao chegar na delegacia, encontrou a equipe pedagógica prestando queixa contra ela.
Os profissionais estavam prestando queixa contra a mãe da criança ofendida por desacato a funcionário público, e, valendo-se de conhecer o procurador da região, por calúnia, afirmando que o que Jaqueline e sua filha relataram não passava de uma mentira.
Quando questionada pela redação, a secretaria de educação do município respondeu de maneira padrão e não abordou o tratamento hostil da equipe pedagógica da escola com a família da criança ofendida.
Em resposta aos questionamentos da redação, obtivemos este e-mail:
“Ola boa tarde!
Em resposta ao questionamento recebido por este veículo de comunicação a respeito da suposta ofensa racista ocorrida na Escola Municipal Eneas Fernandes de Carvalho no último dia 30, a Secretaria Municipal de Educação vem a público prestar os seguintes esclarecimentos.
A Secretaria Municipal de Educação reitera seu compromisso inabalável com a promoção de um ambiente escolar inclusivo, respeitoso e livre de qualquer forma de discriminação, especialmente o racismo, que é um crime e uma chaga social que combatemos veementemente.
Informamos que, tão logo tomou conhecimento dos fatos, esta Secretaria iniciou um rigoroso processo de apuração interna. Estão sendo realizadas oitivas com todos os envolvidos – alunos, professores, servidores e demais testemunhas – a fim de esclarecer integralmente o ocorrido e identificar as responsabilidades cabíveis.
Todos os encaminhamentos administrativos necessários foram prontamente realizados, seguindo os protocolos estabelecidos para situações desta natureza, visando garantir a proteção da vítima e a correta condução do processo.
Adicionalmente, cumpre-nos informar que a Polícia Civil foi devidamente acionada e já está investigando os fatos. A Secretaria está colaborando integralmente com as autoridades policiais, fornecendo todas as informações e suporte necessários para que as diligências sejam realizadas com a máxima eficiência e celeridade.
Reafirmamos nosso total repúdio a qualquer ato de racismo e garantimos que todas as medidas legais e pedagógicas cabíveis serão tomadas para que situações como esta não se repitam e para que os responsáveis sejam devidamente responsabilizados. Acreditamos que a escola deve ser um espaço de acolhimento e aprendizado para todos, e não toleraremos atitudes que violem esse princípio.
Colocamo-nos à disposição para quaisquer esclarecimentos adicionais que se façam necessários.”
Quando questionados novamente sobre por que as funcionárias da escolha escolheram prestar queixa criminal contra a mãe da vítima e por que não houve o acolhimento necessário, se, de acordo com o primeiro e-mail, todos os protocolos foram seguidos, não obtivemos resposta.










