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População protesta contra instalação de incinerador de lixo em Perus

Movimento de moradores quer barrar a instalação de incinerador em Perus

Moradores do bairro de Perus, na região Noroeste da capital, criaram um movimento popular contra a instalação de um complexo de incineração de lixo no bairro, de acordo com os planos da Prefeitura, próximo à terra indígena do Jaraguá e do parque Anhanguera.

 No dia 31 de março, uma grande parte dos moradores de Perus não puderam participar da audiência pública que debatia a questão.

O projeto é da Loga, concessionária que cuida de resíduos sólidos urbanos, como a coleta domiciliar, e já está em fase de aprovação na CETESB (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo).  A proposta recebeu  o nome de Unidade de Recuperação Energética (URE) Bandeirantes e, segundo o movimento popular, está sendo vendido como uma “nova tecnologia” para tratar os resíduos sólidos, quando, na verdade, é uma tecnologia criticada em diversos países do mundo, como a Indonésia, Malásia, Líbano e Tailândia, onde projetos semelhantes foram barrados pela população.

Nas últimas semanas, a população de Perus tem feito panfletagens, reuniões e divulgado informações na internet, alertando sobre os riscos ambientais e os riscos à saúde por conta da instalação de um incinerador de lixo na região. Foi esse movimento da população que contou com o apoio dos povos originários, urbanistas, educadores e moradores resultou na convocação da audiência pública do dia 31 de março, porém, nem todo mundo pôde participar do evento que aconteceu no CEU Perus, o que gerou mais protestos.

“A GCM bloqueou a entrada do CEU em muitos momentos e utilizou da força e gás de pimenta contra os moradores. Txai surui , Jaci Guarani e Thiago Xondaro e toda comunidade indígena do jaraguá tiveram sua entrada bloqueada e só depois de muita manifestação eles conseguiram entrar. Vamos judicializar para impugnar essa audiência”, disse  Thaís Santos, cofundadora da Comunidade Cultural Quilombaque e conselheira da WWF-Brasil e integrante do movimento ‘Incinerador de Lixo em Perus, não’.

Os manifestantes denunciaram que mais da metade do auditório com capacidade para 400 pessoas foi ocupado por infiltrados de outros bairros que receberam R$ 170 mais lanche para apoiarem a instalação do incinerador em Perus. 

“Perus já é um território historicamente sobrecarregado por infraestruturas poluentes. Os impactos recaem, mais uma vez, sobre uma população majoritariamente negra e periférica, um caso evidente de racismo ambiental”, destaca um trecho de um dos diversos manifestos contra a instalação do incinerador em Perus. 

Hoje, Perus concentra um dos maiores remanescentes de Mata Atlântica de São Paulo, sendo o Anhanguera o segundo maior parque municipal da capital, com cerca de 9,5 milhões de m². No parque, está a maior unidade de conservação da cidade: o Refúgio de Vida Silvestre (RVS), que protege tanto a fauna quanto a flora local, espécies ameaçadas de extinção, como aponta a própria Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente.

Área de impacto ambiental por conta da instalação do incinerador de lixo em Perus (reprodução)
Área de impacto ambiental por conta da instalação do incinerador de lixo em Perus (reprodução)

“A liberação de poluentes tóxicos no ar, como dioxinas, furanos, metais pesados e partículas finas, têm alto potencial bioacumulativo, capazes de se acumular nos tecidos biológicos e causar efeitos crônicos. Óxidos de nitrogênio, dióxido de enxofre e compostos orgânicos  são associadas a doenças respiratórias, como asma, bronquite crônica, doença pulmonar obstrutiva crônica e infecções respiratórias recorrentes”, explica Thaís Santos.

O movimento popular também ressalta que o modelo de incineração de resíduos reduz a geração de renda no território e a ações de sustentabilidade. O material que poderia ser reciclado é queimado, fazendo com que a renda dos catadores seja impactada, ao mesmo tempo que os resíduos que poderiam ir para compostagem e ser usado na agricultura, também serão queimados.

As dioxinas e furanos, altamente cancerígenos, são subprodutos da queima de resíduos, principalmente plásticos e materiais clorados. Essas substâncias se acumulam no tecido adiposo humano e são de longa persistência no ambiente sendo associados ao câncer de pulmão, câncer de fígado, câncer de mama, leucemias e linfomas. Os metais pesados como mercúrio, chumbo e cádmio são associados a doenças neurológicas e cognitivas, como déficits de atenção, aprendizado e desenvolvimento neurológico e risco aumentado de doenças neurodegenerativas como parkinson e alzheimer. 

Moradores de Perus protestam contra a instalação de um incinerador de lixo no bairro
Moradores de Perus protestam contra a instalação de um incinerador de lixo no bairro

Por outro lado, a Loga, em nota, diz que a proposta de instalação de UREs não pode ser confundida com os modelos de incineradores dos anos 70 e 80. Segundo a empresa, o modelo reduz o envio de resíduos aos aterros sanitários, amplia a reciclagem, gera energia limpa e contribui para a redução das emissões de gases de efeito estufa, além de estimular a geração de empregos. Com a implantação dos Ecoparques, São Paulo se alinha às práticas de países de referência, como Japão, Suíça, Itália e Dinamarca, promovendo sustentabilidade, inovação tecnológica e desenvolvimento econômico.

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