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Dr. Kleber Lucas: tese, fé e luta contra a intolerância

Por Rozangela Silva

O pastor, cantor, compositor e agora Dr. Kleber Lucas Costa defendeu ontem, no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ (IFCS/UFRJ), Centro, a tese “O Mito de Cam: uma releitura crítica da subalternidade e expropriação nas narrativas abraâmicas”, sob orientação do Prof. Dr. André Chevitarese. O trabalho foi apresentado no âmbito do Programa de História Comparada da UFRJ, reconhecido por promover análises críticas e interdisciplinares sobre processos históricos, culturais e sociais

A defesa integra um projeto institucional do IFCS/UFRJ idealizado pelo Prof. Dr. Babalawô Ivanir dos Santos e coordenado pelos professores André Chevitarese e Flávio Gomes, voltado à ampliação da presença de intelectuais negros na pós-graduação e na produção acadêmica brasileira.

“O objetivo é, ao longo de dez anos, formar 20 mestres e 10 doutores negros que levassem para a universidade suas vivências, narrativas e pensamento crítico, uma intelectualidade que a academia, por muito tempo, ignorou. Hoje vemos essa meta se concretizando, em breve atingiremos a meta”, destaca Ivanir dos Santos.

O Salão Nobre do IFCS ficou lotado. Filhos, familiares, amigos, parceiros de caminhada e admiradores acompanharam uma defesa marcada pela emoção. De origem humilde, Kleber Lucas construiu uma trajetória que une fé, música e compromisso social. Desde os anos 1990, emociona o público com canções como Oração da Manhã e Deus do Impossível, tornando-se uma das vozes mais importantes da música gospel brasileira. Vencedor do Grammy Latino, pastor, compositor e agora doutor, segue utilizando a música e a teologia como instrumentos de diálogo, reflexão e justiça.

A tese e a fé que compõem

Em sua pesquisa, Kleber Lucas revisita um texto que, durante séculos, foi utilizado para justificar processos de opressão e desigualdade. Com olhar crítico, propõe uma nova leitura do chamado “Mito de Cam”, desconstruindo interpretações excludentes e ressignificando narrativas historicamente utilizadas para legitimar a subalternização de povos negros.

De certa forma, sua produção acadêmica dialoga com sua própria trajetória artística: transforma dor em reflexão, reflexão em consciência e consciência em libertação. O que antes foi utilizado para excluir, em sua leitura torna-se instrumento de dignidade, reparação e justiça.

Companheiro de luta

Ao lado do Prof. Dr. Babalawô Ivanir dos Santos, Kleber Lucas consolidou-se também como uma importante voz no enfrentamento à intolerância religiosa. A parceria entre os dois ajudou a fortalecer o diálogo entre diferentes tradições de fé e a defesa intransigente da liberdade religiosa. Juntos, demonstram que espiritualidade e direitos humanos caminham lado a lado. Que a fé pode ser instrumento de acolhimento, proteção e respeito à diversidade, jamais de exclusão.

A banca examinadora foi composta por Prof. Dr. Babalawô Ivanir dos Santos (convidado), Prof. Dr. André Chevitarese (orientador), Prof. Dr. Flávio Gomes, Prof. Dr. André Luiz dos Santos Barroso, Profa. Dra. Iamara Viana e Prof. Dr. Carlos Gustavo Direito.

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