A deputada federal Erika Hilton solicitou oficialmente à Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo a expulsão dos policiais militares envolvidos na invasão armada à EMEI Antônio Bento, no Caxingui, zona oeste de São Paulo. A ação ocorreu após um sargento da própria corporação se revoltar com uma atividade antirracista realizada na escola em celebração ao Dia da Consciência Negra, atividade alinhada ao currículo antirracista da rede municipal.
Segundo relatos recebidos pelo mandato, o sargento invadiu a unidade escolar, atacou verbalmente a professora responsável pelas atividades na frente das crianças, rasgou desenhos produzidos pelos alunos e deixou o local. No dia seguinte, quatro policiais militares retornaram à escola armados — um deles portando uma metralhadora — para intimidar a diretora, alegando de forma infundada que a professora teria promovido “ensino religioso”. O argumento se baseava unicamente no fato de que os desenhos representavam Orixás, apresentados às crianças em contexto mitológico, e não religioso — situação equivalente a trabalhar Hércules, Thor, Papai Noel ou o Coelhinho da Páscoa no ambiente escolar.
Para Erika Hilton, a conduta dos policiais configura abuso de autoridade, racismo religioso e ameaça, colocando em risco a integridade de crianças, educadores e funcionários. A deputada ressalta que o episódio revela um ataque direto às políticas antirracistas e à liberdade pedagógica, além de demonstrar um padrão de radicalização fundamentalista dentro de setores da segurança pública.
“Transformar uma escola infantil em palco de intimidação armada é uma ruptura inaceitável do dever público”, afirma a parlamentar em documento enviado à Corregedoria. “A atividade realizada pela escola é legítima, pedagógica e amparada pela legislação municipal; a ação dos PMs, ao contrário, é criminosa e incompatível com o exercício da função policial.”
No pedido, Erika Hilton requer:
- a expulsão imediata dos policiais envolvidos;
- a instauração de procedimento disciplinar rigoroso;
- a garantia de proteção aos profissionais da escola;
- e o acompanhamento do caso como episódio de racismo religioso e violação do ambiente escolar.
A deputada reforça que a preservação do currículo antirracista, a proteção das crianças e o combate ao fundamentalismo armado são responsabilidades incontornáveis do Estado.










