BRASIL HISTÓRIA MUNDO POLÍTICA

Trágedia Real da 4a Feira (TRF4)

Written by Max Mu

24/01/2018 aconteceu uma elipse histórica.

Em 1835, 24/01, sábado, pessoas escravizadas em Salvador iniciam uma revolta.

A Revolta dos Malês.

Indignados com a escravização, armados buscarão a liberdade. Lutam pela  ruptura social, para o Poder, poder tomar. Mudarão a forma de governar, assim a vida irá melhorar. O mundo já havia banido essa maldição em 1831; exceto o Brasil COM PAIXÃO PELA ESCRAVIDÃO.

Queriam justiça.

O Rei outorgava a uns obter propriedade privada sobre outros seres humanos, SEM COMPAIXÃO podiam vender, estuprar, matar ou não. Era Lei, era o Direito.

Ao Senhor era dado o direito de assassinato, torturar e explorar crianças e idosos era uma missão para desenvolver a economia.

A justiça diziam eles, a si mesmos ( os demônios que se autodenominavam Senhores);

“A justiça é para todos”.

Será?

Como percorrer acusação e defesa  do dia 24/01? Afim de compreender juntos o que ocorreu em 2018. Nesta 4ª feira, como se fosse vitória de Copa do Mundo, com multidões gozando horrores por mais uma absolvição. E de onde viria esse prazer imenso pela corrupção?

Como em poucas linhas poéticas jornalísticas poderíamos abordar tamanha contradição?

Os Malês Guerreiros, foram traídos, e o poder não conseguiram tomar. O Brasil se destacaria como o segundo Haiti;  e os brancos daqui seriam expulsos sem ressentimentos.  Eis que a covardia existia nos algozes que para o sul migraram. Diziam com desdém (era medo, porém) :

– Baiano não gosta de trabalhar.

Tu sabe bem, onde lê Baiano, lê-se também negros lutando pela abolição.

A economia que era forte nordestina passou aos poucos para o Sul e deixou o Norte e Nordeste sem investimento algum. A míngua de grana, mas cheia de gana, sofria a crueldade da vingança.

Em 24/01/2018; alegres saíram aos bares para beber cerveja, cachaça, porções de batatas fritas e azeitonas aos montes A alegria de parte da população por mais uma vez vencerem a justiça e o direito com uma só mão. Um dos políticos mais presentes e ativos na vida pública teve processo arquivado de ter recebido propina: José Serra.

Diz a Procuradoria da Republica, escolhida por Michel Temer que o extrato da conta apresentado pela JBS em nome de José Serra com R$ 54 milhões não é prova suficiente para esse homem do rico sudeste.

 

 

 

 

Comemoram na Paulicéia desvairada a justiça do Brasil. Os sabedores lúcidos da política Brasileira.

Mal sabiam eles, o plano B dos Malês; eclodiram revoltas por toda parte.

O direito a ser escravo já não mais convencia; os vagabundos que “não queriam trabalhar”; queriam ver a justiça funcionar e a lei do Estado  mudar.

Estado constituído na roubalheira de terras dos índios, escravizando e exterminando sem parar. Mas maltratar e roubar índio era pouco, tão pouco. Precisavam de mais! A maldade não pode parar.

Apenas nativos não saciou o sadismo, faltava o crime de sequestro com viagens tortuosas.

Findam a abstinência de fazer maldades, mais seres humanos comercializaram, tráfico de gente! Agora sim saciam toda a maldade imperial da corte escravista, ampliando o seu gosto e direito de matar com a pena branca da Lei do Estado branco imposto em terras anarquistas por natureza.

Estupram e exploram quando querem, o único crime é/era desejar igualdade e liberdade para quem não as tem. Comer gente pode à vontade também. Claro, depende de quem.

Essa narrativa em nada falta com a verdade, mas dá  ao leitor, um novo tom para a formação do Brasil, e o tom gera uma outra versão. E de versão em diversão fica a questão:

O principal fenômeno politico em 24/01, era num julgamento condenatório em Curitiba ou um julgamento de absolvição em Brasília? Sem alarde da mídia, sem aviso prévio, sem chance de mobilização popular.

Diz o desembargador na hora do seu voto: “Ninguém pode ser condenado por ter costas largas; e ninguém pode ser absolvido por ter costas quentes”.

Bate o martelo em Curitiba e José Serra é “absolvido” em Brasília! O arquivo gentil nem investiga tal delação.

Diria o Saci, que nessa história não entrou, que a data do TRF4, foi escolhida com amor, para proteger ao corrupto o seu direito ao delito, onde  roubar muito; poucos podem sempre.

Brasil é o lugar onde uma suposta reforma no Guarujá de propriedade duvidosa, não passa, mas passam via Suíça com recibo, extrato, planilha e confissão muitos e muitos milhões.

 

Confirma-se o papel do Brasil no mundo com sua hipocrisia avassaladora.

Definindo um país de castas, não democrático e muito desproporcional.

Que os desavisados comemorem a corrupção! A ladroagem está a salvo e a temporada de investigações esta prestes a acabar, já tem até data marcada. A democracia não sofre ameaças, nunca houve mesmo! E tão pouco há data para existir.  O clima futebolístico das comemorações evidencia que o suposto compadrio de uns importam menos do que de outros. E que a conta deveria ser 3×1 ou 4×0.

Comemora-se pela primeira vez o cristão de ele entrar na arena com o leão.

 

 

 

 

E o Brasil sempre terá no ocaso de 24/01, o espírito frustrado da revolução dos Malês; o dia que não aconteceu, a liberdade que não veio, e a luta que nunca acabou.

” O PLANO B, era e é LUTAR SEMPRE “

 

Sobre o Autor

Max Mu

Max Mu, Produtor Cultural, Pedagogo e Escritor.

23 Comments

  • O pior cego é aquele que não quer ver…
    e depois, para com este papo de racismo… chega… você tem conhecimento suficiente… não subestime você e as pessoas..,
    Mude seu discurso, por favor!!!

  • Prezado Max Mu
    Penso que não é boa ideia fazer a relação dos dois fatos, a Revolta dos Malês 24/01/1835 com o julgamento TR4, embora ambos tenham relação com a “injustiça histórica”, mas com contexto diferentes. Também não concordo com a imagem de três macacos, quando relaciona a absolvição de um outro acusado. Na minha observação, o uso de tais imagens estão completamente fora do contexto e, mais uma vez, nos remete a uma relação racista que ha muito vimos combatendo. Finalmente, o texto propriamente dito carece de melhor atenção em seu conteúdo. Tal como você somos totalmente contrario a toda essa farsa do julgamento e entendemos qual o real motivo, mas se sua intenção é denunciar e mobilizar para manifestações, o texto não contribui pra isso, pelo contrário, gera indignação pelo teor racista nas entre linhas.

    • Oi Nivaldo,
      Seu comentário me fez reler o texto, mas como não tenho esse olhar mais direcionado não encontrei as entrelinhas racistas….
      Copia e cola os trechos pra eu entender melhor, por favor?

    • Gratidão pela colaboração com o nosso jornal, suas observações estão sendo analisadas.

      Gostaria que destaca-se
      Onde há racismo nas entre linhas para que possamos fazer alterações necessárias urgente

  • O texto super mostra q não é d hoje q nossa justiça serve apenas para proteger certos interesses…

    E adorei o jeitão de escrita com rima. Parece a narrativa de uma historia para crianças, o que ficou combinando com o horror contado. Tipo, vc aliviou na forma pra descer mais redondo. A forma é em rima tipo como o filme “O Grinch” é narrado, fazendo a história ser lida de forma fofa, mas contando um horror

  • Belíssima narrativa!

    Me agradou muito o modo como ela foi percorrida e os caminhos “sugeridos”.
    Vale muito a pena pensar, repensar e “talvez” mudarmos a nossa postura diante do que estamos vivenciando.

    Parabéns pela sua colaboração!

  • Olá Max. Bacana a comparação entre a Revolta dos Malês (sendo o termo “revolta” cunhado pela historiografia branca e dominante e que por isso eu compreendo essa denominação do fato histórico como uma tentativa de retirar a complexidade do que foi um ato estritamente planejado, e não uma “revolta” espontânea, contrariando a ideia à época da relatividade da inteligência de escravizadas e escravizados). Creio que deveríamos refletir sobre as responsabilidades que Lula e Dilma tiveram tanto no golpe como na condenação do ex-presidente, alimentando a grande mídia, afastando-se da população, governando com alianças partidárias que participaram do impeachment, não valorizando e aproveitando momentos como as manifestações de 2013 para se reaproximarem das bases e editando leis de combate ao crime, ao terrorismo e combate às drogas (o que aumentou o encarceramento da população negra nos últimos dez anos) que apenas prejudicou mais ainda a parcela negra e pobre da nossa população.

    Achei legal o sentido da comparação entre o plano dos Malês e a condenação de Lula enquanto estratégia da luta permanente por um Estado democrático, ou um Estado que esteja voltado para as demandas das e dos mais necessitadas (os) em vários aspectos, mas eu discordo com essa equiparação, em vista do que se desdobrou historicamente para a população negra e pobre diferentemente do que se desdobrou para a população branca (e pobre também). Por mais que Lula vá preso, ele certamente não cumprirá toda a sentença em regime fechado; ele teve direito a ampla defesa com advogados extremamente preparados; ele terá comodidades e regalias diversas e sua voz ainda ecoará seja da onde ele estiver. Tudo isso não se dá com a população negra que em muitos casos não tem direito não à defesa, mas à vida. É presa e morta massivamente; ainda é submetida ao silêncio ou à indiferença quanto às suas denúncias de racismo, racismo/machista e de privilégios que a população branca possui (até mesmo a pobre).

    O significado da prisão do Lula é a expressão máxima de quem ocupa a casta togada: homens, brancos e de classe média, mas eu não concordo com nenhuma comparação entre a condenação do ex presidente com nenhum outro fato histórico que envolva a população negra, pois, como escrevi, Lula e Dilma tiveram responsabilidade nisso tudo e quem paga não são eles, mas somos nós, mulheres e homens pobres, sobretudo a população negra e indígena; as e os descendentes de escravizadas (os) ainda continuam a pagar e vão continuar por muito tempo com a marca histórica e os efeitos do racismo.

    • Agradeço a colaboração e análise. Veja bem que no texto existem 4 “personagens” A ação dos Malês; A justiça idêntica de 1835 a 2018, José Serra que por sua vez é beneficiado por essa estética da justiça e um Saci Pererê. Onde algumas personalidades que você citou, eram apenas circunstanciais para elucidar que estamos longe de comemorar de fato a Justiça.

  • Não gostei da analogia por conta da disparidade do fim, caso o resultado fosse o contrário, num dos cenários a história do nosso povo seria totalmente diferente e no outro…
    No governo Lula foram abertas portas para a aceleração do encarceramento em massa do nosso povo.
    ( Sem falar nos abusos cometido no Haiti pelas tropas brasileiras, Força de segurança nacional nas favelas etc.)
    Não travamos as mesmas lutas e ceder exemplos de resistência de nosso povo aos que fortalecem os senhores não é o melhor caminho.

    • Edson Pardinho, excelente colocação.
      Os Males contudo lutaram para uma realidade possível até hoje se houver coragem.
      Só há 04 “personagens” nesses texto, os Malês, A justiça “injustiça”, José Serra e o Saci Pererê. Os eventos descritos referentes as personagens que vc citou, só ilustram 200 anos de injustiças promovidas pela “justiça” imposta.
      E o plano B. É a bomba Z de Ednardo.

    • Agradecemos sua colaboração e observação. Vamos continuar trabalhando para ampliar nossa compreensão sócio-histórica para entender o presente.

  • Max, não conhecia a Revolta dos Malês, fui ler a respeito, obrigado por isso. Embora rapidamente sufocada, pelo que li, ela lançou uma semente por todo o país, então creio que atingiu um objetivo maior. Não consegui alcançar uma analogia entre a Revolta e o julgamento do dia 24/01. Esse julgamento era previsivelmente de cartas marcadas, porém, creio que o Lula tenha uma grande responsabilidade pelo que estamos vivenciando no país, embora exista uma movimentação mundial de viés conservator. Continue na luta, continue lnaçando as sementes. Abraço.

    • Olá Renato, agradeço a sua colaboração. A analogia é livre e cada leitor pode fazer a sua. Aqui nos comentários tem algumas bem interessantes. Todas são válidas.

      Sugiro pensar que o Direito e a Lei, nem sempre são para proteger o justo e a JUSTIÇA.
      Sugiro refletirmos que a luta e a organização popular deva ser prioridade já que o Direito muitas vezes oferece a quem quer precariedade e ou privilégios.

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