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Por Higor Andrade

Osasco assistiu, na última sexta-feira 24/04, a uma cena que sintetiza o projeto político que vem sendo aplicado à cidade: mais de 39 mil livros descartados como lixo. Não é um erro administrativo qualquer. É um símbolo. Um símbolo do lugar que a cultura e a educação ocupam ou melhor, deixam de ocupar nas prioridades do poder público municipal.

Quando livros são jogados fora, não se joga fora apenas papel. Se descarta memória, conhecimento, história e acesso. Em uma cidade onde a biblioteca pública está fechada há mais de cinco anos, esse episódio não é um acidente isolado, é continuidade.

É consequência de uma política que, há anos, negligencia a cultura como direito.A deputada estadual Mônica Seixas já oficiou a Secretaria de Cultura exigindo explicações. Não apenas explicações genéricas, mas laudo e estudo técnico que justifiquem o descarte de um acervo dessa dimensão. É o mínimo.

Porque a população precisa saber: houve avaliação? Houve tentativa de reaproveitamento? Houve transparência? Até agora, o que há é silêncio.

E o silêncio, nesse caso, fala muito.Desde a gestão do ex-prefeito Rogério Lins até a atual administração de Gerson Pessoa, o que se vê é um padrão: equipamentos culturais fechados, políticas públicas descontinuadas e ausência de diálogo com a sociedade civil.

Não se trata de um problema pontual, mas de uma linha política que relega a cultura a um papel secundário quando não descartável.Uma biblioteca fechada por anos já é, por si só, um escândalo.

Agora, somado ao descarte de dezenas de milhares de livros, o que temos é a materialização do desmonte.

É a negação do direito à leitura, à formação e ao acesso à informação, especialmente para a população mais pobre, que depende dos equipamentos públicos.

Osasco não pode naturalizar isso.Cidades que levam a sério seu desenvolvimento investem em cultura e educação como pilares.

Aqui, o que se vê é o oposto: abandono, falta de planejamento e ausência de compromisso público com a formação cidadã.

Não é sobre saudosismo de livros físicos. É sobre projeto de cidade. É sobre decidir se Osasco vai ser um território que promove conhecimento ou um que trata a cultura como entulho.

E, diante do que aconteceu, a resposta da Prefeitura até agora indica exatamente de que lado ela está.

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