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Brasil se classifica para a Copa sem ‘Geraldinos’

menino na torcida no maracanã
Ultimamente, todo jogo da seleção brasileira, tem-se discutido sobre para quem o futebol está sendo apresentado ao vivo. Ou seja, para que público. A verdade é que a torcida de um jogo de futebol – pelo menos aqui do Brasil – sempre teve uma certa alternância ao longo dos tempos. No início, tínhamos uma torcida mais elitizada, já que a própria prática do futebol era praticada pela elite da época. Quando Charles Miller trouxe consigo essa maravilha de esporte, apenas a classe mais endinheirada do inicio dos anos de 1900 tinha como usufruir do jogo de bola nos pés. Com o tempo, isso obviamente foi mudando. O futebol foi ficando cada vez mais popular, a periferia foi conseguindo se encaixar nas regras que eram impostas e enfim, o futebol entrou de vez nos becos, vielas, e subúrbios do Brasil. Já tinha virado febre antes mesmo do primeiro grande palco ser construído, o Maracanã. O futebol ficou tão popular, mas tão popular, que no grande jogo de inauguração do estádio, em 1950, no combinado entre as seleções do Rio de Janeiro e São Paulo, haviam cerca de 140 mil espectadores. Sentados em cima de cimento, andaime e arquibancadas incompletas…
Essa população que dava vida e cor para o Maracanã ganhou uma denominação. Viraram gentilmente apelidados por Nelson Rodrigues – o inventor das multidões – , os “geraldinos”. “Geraldinos” porque ocupavam toda parte da geral do estádio, o anel inferior. Onde o ingresso era mais barato, e ditavam a festa nas arquibancadas. Até o final dos anos 2000 ainda tivemos uma boa onda dessa gente que dava vida ao estádio mais famoso do mundo. Hoje, com os preços superfaturados e padronizações da fifa, fica difícil vermos “geraldinos” em jogos como o da seleção brasileira, por exemplo. É uma sensação como se tivéssemos voltados para elitização da torcida no início dos anos de 1900, infelizmente.
No jogo da última quinta feira, dia 4 de setembro, a seleção brasileira carimbou passaporte para mais uma copa do mundo, 3 a 0 no Chile, no Maracanã. Atuação de gala, mais que poderia ter sido mais vibrante se tivéssemos a presença do “geraldinos”. O brilho dessa gente foi sendo varrido, com isso, sobraram apenas ingressos caros – variando entre 100 e 320 reais – e sentimento de que boa parte do povo brasileiro está cada vez mais distante da seleção que ele ajudou a construir.

Texto: Juan Araújo
Fotos: Samir Maríanno

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