Na última segunda-feira (7), o Movimento Negro Unificado (MNU) completou 47 anos de existência e resistência. A celebração aconteceu no mesmo local que os recebeu em 1978, durante sua primeira manifestação pública e organizada: o Theatro Municipal. Este espaço se tornou marco simbólico e atemporal da denúncia à opressão do regime militar, o mito da democracia racial e o estado genocida.
As escadarias do Theatro Municipal guardam, para os fundadores, as lembranças do dia em que Milton Barbosa, Lélia Gonzalez, Lenny Blue, Neusa Maria Pereira, Geraldo Antonio da Silva, José Adão e dezenas de outros ativistas foram convencidos de que morreriam ali, e que serviriam de exemplo para os próximos que ousassem resistir, como eles fizeram e continuam fazendo ao longo dos últimos 47 anos.
Dessa vez, para manifestar que seguiriam vivos e resistindo, não bastaria ficar apenas nas escadarias. Para celebrar esse legado, era preciso ir além: ocupar todos os cômodos. E, do salão principal, o MNU ecoou por toda São Paulo, em um uníssono negro e potente: “Estamos aqui mais uma vez de pé.”
A programação do evento foi pautada por manifestações artísticas como a 1ª batalha de rima da história do Theatro, citações de obras de grandes poetisas que historicamente foram silenciadas como Carolina Maria de Jesus, Nina Barreto e muitos outros artistas, que foram reverenciadas com o devido valor e saudosismo ao rememorar a história do movimento.
O livro Griot do MNU: Memórias de Vida de Luta da Idosidade Negra e sua repercussão após o lançamento em 2025 foi tema central da programação. Pioneiro na abordagem da dignidade e potência intergeracional das pessoas pretas e idosas, o livro foi indicado ao Prêmio Jabuti.
Para agradecer e representar a relevância desse feito, o MNU — “resistindo a mais uma das muitas coisas roubadas pelo racismo, como o nome próprio” — dedicou grande parte da celebração a homenagear e nomear todos os voluntários coautores que deram vida à obra. Entre eles: Ana Lúcia, Ana Zeferino, Ângela Cristina Cardoso, Dorival Pereira dos Santos, Geraldo Potiguar do Nascimento, Izilda Aparecida de Toledo, José Francisco, José Luiz, Kaio, Kiosan de Oliveira, Malu Mendes, Maria Aparecida, Maria Aparecida Amaral da Silva, Milton Barbosa, Neusa Maria Pereira, Raquel de Oliveira, Regina Helena, Regina Lúcia dos Santos, Rosana Rufino, Terezinha Celeste Rufino e Vera Campos. Reforçando a força coletiva e o protagonismo da comunidade negra e idosa na construção da memória e da resistência.
Coordenado por Simone Nascimento, secretária estadual de SP do MNU, o evento foi abrilhantado com a participação de figuras importantes para a continuidade da luta antirracista, como Cida Bento, ativista, Milton Barbosa, fundador do MNU, Emicida, militante e rapper, Luiz Eduardo Suplicy, senador, e Flávio Carrança, jornalista.
Comunicadora, Administradora, Pós Graduanda em Gestão de Projetos e apaixonada pelo poder da escrita e por colaborar com projetos que causam real impacto social.
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