O multifestival Artes em Rede ocupa Santa Teresa (RJ) com arte periférica, corpos dissidentes e múltiplas linguagens
Entre os dias 12 de julho e 3 de agosto, o Parque Glória Maria, em Santa Teresa (RJ), recebe a segunda edição do Festival Artes em Redes. Com o compromisso de dar visibilidade à cultura periférica e a corpos historicamente marginalizados — artistas negros, indígenas, LGBTQIAPN+ e pessoas com deficiência — o festival reafirma sua força como plataforma transdisciplinar que conecta artes cênicas, visuais, música, poesia, dança, oficinas e performances.
Mais que um evento, o Artes em Redes é uma celebração das estéticas, saberes e práticas que nascem nas margens e ainda hoje encontram barreiras para ocupar os grandes circuitos culturais. “Pensamos o corpo como encruzilhada — de histórias, afetos, resistências e saberes em espiral. Um corpo que dança, denuncia, escapa, constrói mundos. Um corpo coletivo, insurgente, forjado em becos, palafitas, quebradas, lajes e quilombos urbanos”, define Vitória Pedro, uma das idealizadoras e curadoras do festival.
Nesta edição, o festival selecionou 42 artistas e coletivos por chamada pública, garantindo espaço para trajetórias diversas: serão 12 trabalhos cênicos na Mostra Artística, 12 obras na Exposição, 8 apresentações nos Pocket Shows e 10 artistas na Residência Artística “Masculinidades Negras e Indígenas”. Cada projeto recebe bolsa-auxílio ou cachê de R$ 1.000, fomentando a sustentabilidade da arte feita nas periferias.
Arte como encruzilhada: corpos e territórios

Para além da programação artística, o festival promove oficinas de funk e passinho, batalha de rima, rodas de conversa e momentos de intercâmbio de saberes. Toda a programação é gratuita e aberta ao público, reafirmando o direito universal à cultura e a importância de ocupar espaços públicos com expressões plurais.
“O Festival nasce da urgência de reconhecer, valorizar e potencializar os territórios periféricos como espaços legítimos de criação, pensamento e circulação cultural”, explica Vitória Pedro. Já Luis Silva, também idealizador do projeto, destaca o protagonismo periférico desde a concepção: “A equipe é formada majoritariamente por artistas periféricos, reafirmando o papel desses sujeitos não apenas como participantes, mas como gestores, curadores e idealizadores da cultura.”
Histórico e legado
A primeira edição do Artes em Redes aconteceu em 2019, com apoio da Decult-UFRJ, reunindo mais de mil pessoas em oficinas, apresentações e exposições. Desde então, o festival vem se consolidando como espaço seguro para a experimentação e afirmação de narrativas que tensionam o corpo, a cidade e as desigualdades que atravessam ambos.
A seleção de artistas segue critérios afirmativos, garantindo espaço a grupos historicamente marginalizados. “No festival não abordamos apenas pele ou paisagem, mas marcas, rastros, sentidos e urgências que atravessam corpos e lugares”, pontua Luis Silva.

Além de fomentar a produção artística, o festival investe na documentação audiovisual, formação de redes colaborativas e compartilhamento público dos processos, fortalecendo a sustentabilidade social e cultural para além dos palcos.
Serviço
Festival Artes em Redes
📍 Parque Glória Maria — Rua Murtinho Nobre, 169 — Santa Teresa — RJ
🗓 De 12 de julho a 3 de agosto
✅ Atividades gratuitas e abertas ao público
Programação
📅 12 de julho
- Roda de conversa Artistas da Exposição (Terraço) — 14h
- Pocket Shows (Terraço) — 15h às 17h
- Mostra Artística (Palco Praça) — 17h30 às 20h30
📅 19 de julho
- Pocket Shows (Terraço) — 15h às 17h
- Mostra Artística (Palco Praça) — 17h30 às 20h30
📅 12 de julho a 3 de agosto
- Exposição Artística (Galeria Túnel) — dentro do horário de funcionamento do parque
📅 15 de julho a 3 de agosto
- Residência Artística (Palco Terraço) — terças e quintas: dias 15, 17, 22, 24, 29 e 31 de julho — 13h às 17h
📅 3 de agosto
- Oficina Funk e Passinho (Terraço) — 13h às 16h
- Batalha de Rima (Terraço) — 16h às 18h
- Espetáculo da Residência (Terraço) — 18h às 20h










