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Cobertura JE: Seminário “14 de maio – O Dia Seguinte e Agora?” em Montenegro (RS)

Aconteceu, nesta quarta-feira (14), em Montenegro (RS), o 11º seminário “14 de maio – O Dia Seguinte e Agora?”, evento já consolidado como um importante espaço de reflexão e resistência na luta antirracista. O encontro propõe o debate sobre o dia seguinte à falsa abolição da escravatura, destacando as continuidades do racismo estrutural no Brasil. O jornalista Anderson Moraes, fundador do Jornal Empoderado, foi um dos convidados do painel “Mídia e Comunicação – Novas Narrativas Pretas”, que discutiu o papel da imprensa negra na construção de outras histórias possíveis.

Promovido pela Central Única das Favelas (CUFA Montenegro), o evento contou com a participação de lideranças sociais, estudantes, educadores, representantes do poder público e a comunidade em geral. A programação trouxe uma série de atividades voltadas ao fortalecimento da luta antirracista, incluindo rodas de conversa, painéis temáticos, manifestações artísticas e momentos de homenagem. Estiveram presentes nomes de grande relevância, como o rapper e militante MV Bill, a filósofa e escritora Djamila Ribeiro, o presidente global da CUFA, Preto Zezé, e o teólogo e diretor da Educafro, Frei David.

Além de ter promovido ricas discussões sobre mídia, Anderson Moraes também realizou a cobertura do evento e entrevistou personalidades como MV Bill e Frei David, que trouxeram reflexões importantes e suas impressões sobre o seminário. “O debate ficou muito proveitoso, muito profundo”, conta MV Bill. O rapper falou sobre a necessidade de pessoas não racializadas também se inserirem nessa luta: “Acho que é uma discussão de relevância para todo mundo, não só para quem é negro, só para quem é preto, quem é afro, quem é semelhante. Mas para quem quer um Brasil melhor e menos desigual. Tem que se interessar por esse tipo de discussão.”

Já Frei David comentou sobre a importância de enxergar o 14 de maio como um símbolo de ação e transformação. “É importante a gente discutir o 14 de maio, porque o 13 de maio foi só simbólico. O 14 de maio é a possibilidade do devir, do construir, do transformar. Então, eu conclamo todos meus irmãos negros e negras do Brasil inteiro para que, nesse 14 de maio, que, para nós, é todo o período que vai de agora até o próximo 13 de maio, consigamos abrir o máximo de ações civis públicas por danos causados pela sociedade ao povo afro-brasileiro”, afirma o fundador da Educafro.

Além disso, Frei David destacou que as ações civis públicas se tornaram hoje uma das formas mais eficazes de luta contra o racismo, comparáveis às grandes passeatas do passado. Ele compartilha um exemplo concreto dessa estratégia: “Agora, acabo de receber o comunicado da Google, dizendo que eles estão querendo fazer um assento para conciliar frente àquele processo que a Educafor abriu contra eles, com aquele joguinho da escravidão, que a Google divulgou, e nós abrimos o processo, porque é um jogo racista e a Google reconhece que tem erro ali e chamou-nos para uma mesa de negociação. Vamos lutar!”

Anderson também conversou com Tainá Pavão, universitária que mediou uma das mesas e contou sobre a importância da CUFA, idealizadora do evento. “Ela tem um papel importantíssimo para criar oportunidades para pessoas, como eu, por exemplo, uma jovem entrando na faculdade, tendo oportunidades para a gente estudar, para a gente ter oportunidade de emprego, além de ajudar famílias, mães, com projetos como o Mare Maria, que é das mães da CUFA que trabalham na horta”, afirma a estudante.

Ela destacou também que, além de cultivarem seus próprios alimentos no local, as mulheres encontram ali oportunidades de crescimento pessoal e coletivo, com suporte social constante. A CUFA também tem atuado de forma essencial em momentos de crise, como nos desastres ocorridos no Rio Grande do Sul, oferecendo doações de cestas básicas e eletrodomésticos. Assim, essa organização reforça seu papel como uma rede de cuidado e fortalecimento comunitário.

Mari Silva, jornalista local, comentou sobre como oportunidades como o seminário nos permitem olhar tudo o que aconteceu desde o 13 de maio de 1888 até aqui. “Muita coisa evoluiu, mas tem muito ainda pra evoluir, e a gente não pode parar de falar sobre isso, não pode parar de refletir sobre isso, para que a gente encontre caminhos para chegar a uma solução numa sociedade talvez perto de igualitária pra negros, brancos, índios e todo mundo que habita a nossa terra”, pontua.

O seminário “14 de maio – O Dia Seguinte e Agora?” se traduz como um espaço valioso de diálogo. Ficamos felizes com essa oportunidade para agregar conhecimento, debater temas cruciais e articular ações voltadas à valorização da população negra. Nossos sinceros agradecimentos à CUFA e ao SESC/Montenegro.

Texto: Anderson Moraes.
Revisão e edição: Brenda Evaristo.

Nota: Queremos agradecer ao Rogério da CUFA de Montenegro, Daniel e Rafael do SESC de Montenegro e a Prefeitura de Montenegro.

Entrevista para RBS TV

NOTA

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