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Corregedoria da Câmara de SP votará pedido de cassação de vereadora do PSOL

Expectativa é a de que a denúncia seja aceita; parlamentares da oposição enxergam a movimentação do como possível retaliação ao pedido de cassação do prefeito Ricardo Nunes

Por Mônica Bergamo (Folha de São Paulo)

O vereador Rubinho Nunes (União Brasil), presidente da Corregedoria da Câmara Municipal de São Paulo, marcou para esta sexta-feira (27) a análise de um pedido de cassação do mandato da vereadora do PSOL Luana Alves.

Ela é acusada de quebra de decoro parlamentar e de ter cometido calúnia contra a vereadora Rute Costa (PL). O requerimento foi protocolado em junho por parlamentares do PL após uma discussão sobre a presença de crianças na Parada LGBTQIA+ da capital paulista. Luana foi convocada para comparecer à sessão do colegiado.

A Corregedoria é composta por sete parlamentares. Se a denúncia for aceita, Rubinho nomeará um relator que vai dar um parecer pela procedência ou pelo arquivamento da representação. Luana, então, apresentará sua defesa, e haverá uma sessão para votação.

A expectativa, de acordo com parlamentares ouvidos pela coluna, é a de que a denúncia seja aceita. Integrantes da oposição enxergam a movimentação do processo como uma possível retaliação ao pedido de cassação do PSOL contra o prefeito Ricardo Nunes (MDB), candidato à reeleição.

A denúncia diz que a psolista supostamente distorceu a fala de sua colega em sessão da Casa no dia 5 de junho.

Na ocasião, Rute criticou a presença de crianças na Parada durante discurso no plenário da Câmara. “O que é orgulho para uns, é tristeza para outros. No domingo [2 de junho], houve passeata na Paulista, e eu vi com muita tristeza crianças sendo levadas pela mão, no meio daquele movimento”, afirmou a parlamentar.

E seguiu: “As pessoas são livres para fazer da vida delas o que quiserem, mas utilizar a infância, isso, para mim, é infame e covarde”. A vereadora do PL, então, clamou para que as autoridades públicas e o Conselho Tutelar tomassem posição sobre o assunto.

Luana, que se declara bissexual e é casada com uma mulher, reagiu à fala da colega. “É um absurdo o que a senhora está dizendo. De que [tipo de] ambiente a senhora está falando? O que a vereadora Rute acabou de falar é muito grave e contribui para a LGBTfobia neste país.”

“Se vossa excelência for ao Conselho Tutelar questionar pessoas que levaram seus filhos para a Parada LGBT+, que é direito delas, […] vossa excelência vai responder criminalmente. É isso o que vai acontecer”, disse a psolista.

Na denúncia enviada à Corregedoria, a bancada do PL afirma que a parada LGBTQIA+ é marcada pela “grande circulação de bebidas alcoólicas, uso de drogas ilícitas, desnudes, venda de produtos eróticos, sexualização e erotização”. E que, portanto, não seria um ambiente adequado para crianças.

Os parlamentares dizem também que a fala de Rute não “desrespeitou ou fez referência às escolhas sexuais ou às identidades de gênero dos adultos presentes no referido movimento”.

“Diante do exposto, as falas da representada [Luana Alves] em face à representante vereadora Rute Costa possuem caráter acusatório e calunioso por imputar inveridicamente que as falas proferidas pela parlamentar eram transfóbicas”.

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