No final dos anos 70 e início dos anos 80, quando o Brasil vivia um terrível período de Ditadura Cívico-Militar, com severas restrições de liberdades individuais, o futebol se fez berço de um início de organização social e periférica com crescimento orgânico nas torcidas dos times. Na cidade de São Paulo, uma mulher negra chamada dona Elisa se tornou um símbolo deste período, pela sua presença marcante nos jogos do Corinthians.
Dona Elisa representa a voz popular da arquibancada que deu estrutura para o surgimento da Democracia Corinthiana, também ali no começo dos anos 80, quase meia década antes do fim da ditadura.
Só um time com uma torcida fiel e apaixonada, que leva no time no peito para além da derrota, repressão ou vitória, seria capaz de organizar um movimento revolucionário como a Democracia Corinthiana.
A perseverança da Dona Elisa serviu de inspiração para batizar a Bateria Dona Elisa, do Coletivo Democracia Corinthiana, que surgiu em 2019, como corrente política para participar de atos progressistas, atos antirracistas e contra o fascismo.
De 2019 a 2022, a Bateria Dona Elisa faz os ensaios no ECLA – Espaço Cultural Latino Americano, no Bixiga. Depois, os ensaios mudaram para a praça Roosevelt, na região central.
A partir de 2020, passou a desfilar em cortejo com o Bloco do Saci, criado, em 2010, dentro do ECLA e pautado na diversidade, nos Direitos Humanos, no antifacismo, no resgate da cultura brasileira, e principalmente, na democracia.
“Dona Elisa representa o resgate da torcida verdadeira, da história do Corinthians como um time que nasce do povo, dos trabalhadores, de homens e mulheres que construíram a cidade de São Paulo”, diz Olívia “Omikẹ̀mí” Duarte, coordenadora da Bateria Dona Elisa, do Coletivo Democracia Corinthiana.
Agora, em 2025, os familiares e amigos vão poder participar de uma justa homenagem para a torcedora-símbolo Dona Elisa. No dia 29 de novembro, no estádio do Corinthians, em Itaquera, na região Leste de São Paulo, vai acontecer um evento chamado “A História Negra do Corinthians”.
Este evento que vai começar às 14h da tarde, vai homenagear grandes jogadores negros que vestiram a camisa do Timão e também a memória da torcedora Dona Elisa, com a exposição Cronológica do Protagonismo Negro no Corithians, durante a cerimônia de reabertura do Museu do Povo.
A dona Dirce, de 93 anos, filha da Dona Elisa, estará presente na homenagem junto com outros parentes da torcedora-símbolo do time.











