Secretária de Estado da Cultura cumpre agenda estratégica de 12 dias para firmar acordos, promover intercâmbios e reforçar laços históricos entre os países.
Nancy Raisa da Silva Alves Cardoso é uma figura de destaque no cenário político e social da Guiné-Bissau, ocupando atualmente o cargo de Secretária de Estado da Cultura. Com uma trajetória marcada pela defesa dos direitos das mulheres e pela promoção da cultura e da educação, Nancy também foi Secretária de Estado da Cooperação Internacional, demonstrando experiência em assuntos diplomáticos e de integração internacional. Além de sua atuação no governo, é vice-presidente do Partido Luz da Guiné-Bissau e integra diversas organizações de defesa e empoderamento feminino, como o Instituto de Mulheres Negras em Portugal (INMUNE) e o Movimento das Mulheres Guineenses (MIGUILAN).
Ciente de que representa uma figura de resistência em uma sociedade marcada pelo machismo, Nancy ressalta avanços e desafios no cenário diplomático. Ao Jornal Empoderado (JE), afirma que ainda persiste uma crença cultural de que mulheres seriam incapazes de tomar decisões ou liderar países. Sobre organismos internacionais, reconhece que, embora não tenha liderado nenhuma instituição com essa característica, sente-se parte da minoria que participa das delegações, em comparação ao seu país que detém o maior índice de representatividade feminina em suas comitivas.

Nancy reforça seu empenho na promoção da paridade e dos direitos das mulheres, destacando a lei guianense que garante 35% de vagas para mulheres no poder executivo. Apesar do avanço, reconhece que a efetivação dessa medida ainda demanda esforço e vigilância. “Abrir portas para mais mulheres” é, segundo ela, um princípio que orienta sua atuação política principalmente no Partido Luz.
Agenda no Brasil
A visita oficial da Secretária ao Brasil é parte de uma missão de 12 dias voltada a ampliar a cooperação em patrimônio, diversidade e economia criativa entre os países.
Para viabilizar acordos a agenda conta com relevantes reuniões estratégicas em São Paulo com Secretários da Cultura de Guarulhos e Marília, com a Diretora Executiva do Museu Afro-brasileiro e com o Assessor Internacional de Casa Civil do Palácio de Governo, Sr. Samo Tosatti.

“Esta visita simboliza nosso compromisso em transformar a cultura em uma ponte viva entre a Guiné-Bissau e o Brasil. Queremos criar mecanismos permanentes de diálogo que valorizem nossas identidades plurais e gerem oportunidades concretas para nossos artistas, pesquisadores e gestores culturais”, afirma.
Além da língua portuguesa e da participação conjunta na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Brasil e Guiné-Bissau compartilham heranças musicais e religiosas, com destaque para as influências Balanta, Fula e Mandinga no Brasil. Para Nancy, a irmandade histórica é o alicerce para fortalecer a cooperação bilateral.
“Temos uma história de irmandade, um sangue que corre nas nossas veias. Isso não é apenas história, é cultura”, enfatiza.
Projetos em andamento e metas concretas
O histórico duradouro e valioso de relações entre os países vislumbra ações concretas que transformem as intenções em ações em curto prazo.
Entre as ações já programadas está a visita, em setembro, do produtor Nilton Ribeiro e outros dois profissionais para oferecer capacitação a produtores guineenses, em um intercâmbio que também beneficiará produtores brasileiros.
Nancy também visitou a editora FTD Educação, que ocupa um papel crucial na educação brasileira, focando em transformar a sociedade através da democratização do acesso ao conhecimento. Parceria visa emplacar projetos editoriais que contam histórias e tradições dos países da CPLP.
“Ir até essa editora é pensar no futuro da promoção da Língua Portuguesa e, ao mesmo tempo, na valorização da educação e da cultura de toda a comunidade de países de língua portuguesa”, declara.
Apesar de perceber uma abertura e necessidade do governo brasileiro, Nancy faz um alerta:“Não basta apenas abertura. Precisamos ser mais pragmáticos, para que as assinaturas desses memorandos de entendimento sejam concluídas o quanto antes.”
Com a Guiné-Bissau à frente da presidência rotativa da CPLP, Nancy se coloca como articuladora de um diálogo capaz de unir passado e futuro, tradição e inovação. Sua missão no Brasil não é apenas política: é um convite para que dois países irmãos escrevam, juntos, um novo capítulo de cooperação cultural, artística e social — um legado que pretende ultrapassar fronteiras e inspirar gerações.










