– “Uma fruta tem sementes e cascas”.
E o que isso tem demais? Todo mundo sabe disso.
Diria Duby, que muita gente acha que é lixo, e, jogam sementes e cascas no lixo.
Igor e Duby plantam sementes e cascas pela cidade e onde passam.
Nunca havia pensado que cada árvore é floresta; se não for floresta é esperança de floresta, é promessa de floresta ou lembrança de floresta.
Deixar sementes e cascas bem enterrados e adubando é uma solução para nossos resíduos orgânicos. Trazer a tona essa responsabilidade é compromisso consigo e com os outros.
” SE NÃO HOUVER FRUTOS
VALEU A BELEZA DAS FLORES
SE NÃO HOUVER FLORES
VALEU A SOMBRA DAS FOLHAS
SE NÃO HOUVER FOLHAS
VALEU A INTENÇÃO DA SEMENTE.”
De: Maurício Ceolin. ( esse poema é muito divulgado pela web com autor errado).
Esse poema de Maurício Ceolin, que a Web diz erroneamente que é do Henfíl, nada tem de ecológico ou vegano. É uma metáfora sobre as lutas por justiça social, ética e fraternidade. Lutas árduas contra inimigos invisíveis e macroestruturas muito poderosas, onde a coragem de lutar já é semente valiosa na nossa História, mesmo que a luta seja utópica e longa demais.
Porém, eis que vejo a metáfora virar literal nessa “pedagogia do pedal” . Igor e Duby plantam literalmente sementes para salvar as florestas por todas as Américas, e a única intenção é a semente; se houver frutos outros irão colher e se alimentar porque eles não estarão lá, pois vão pedalar 7000km no mínimo, descendo do RJ até o Rio Grande do Sul e depois subindo até o México.
As imagens desses viajantes/ mochileiros normalmente são de pessoas brancas de classe média. Agora são dois negros viajando de bike. Divulgando o veganismo e salvando a floresta. Aprendendo e ensinando por onde passam.
Será que serão os primeiros a fazer o trajeto de sair do Rio de Janeiro até Rio Grande do Sul e depois subir até o Peru? previsão de chegada em janeiro de 2020. Depois nova subida ao México. Ficarão ao todo dois ou três anos pedalando.
O tempo é amigo dos ciclistas. Eles vão fazendo artesanato, cobram contribuição consciente e intercâmbio de conhecimento, fazem trocas de trabalho voluntários, podendo ficar mais tempo em uma cidade do que em outra.
A energia advém do veganismo e da alimentação frutífera. Duby gosta de lembrar sempre; que as ervas, as frutas e a natureza trazem a saúde perfeita. Inclusive em nossa conversa numa live, ela lembra que o momento mais difícil da viagem que já dura 2 meses foi um dia que ela pensou que teria que comer coisas de supermercado, coisas ensacadas e industrializadas. Mas uma pessoa muito boa apareceu e começou a oferecer frutas e legumes para eles poderem comer. * Veja Live completa no final da matéria.
Duby, jovem, alegre têm uma energia contagiante. Saiduby, 29 anos, nasceu na Venezuela seguiu a sua educação na Argentina, como comunicadora e “Salva-Vidas”. O curso de “Salva-vidas” é análogo ao curso de Bombeiro no Brasil.
DUBY…
Ela precisava de uma bicicleta. Seu sonho é morar no Brasil.
E durante sua estadia no Rio de Janeiro, por um aplicativo: CouchSurfing.org , procurou alguém com uma bicicleta boa para vender por R$ 300, era tudo que ela tinha.
IGOR…
Igor, 23 anos, praticante de Parkour e Skate, estudante de bio-construção tinha uma bicicleta por R$ 600 reais que ele havia construído para sua amiga que faria essa viagem com ele, mas ela desistiu e a bicicleta estava a venda com a amiga desistente.
Parecia um negócio ruim. Muito ruim. Duby não tinha todo dinheiro da bicicleta só metade. Ele só tinha R$ 300 e precisava de mais para viajar, e não se conheciam.
As pontas não se fechavam. A conta não batia.
A PEDALADA
Igor empresta para a “estranha” Duby, 100% da suas economias – R$ 300,00. Duby investe 100% do seu dinheiro R$ 300,00, compra a bicicleta e em alguns dias já estão na estrada. Com lenço, com documento, sem dinheiro; aliás sem precisar de dinheiro pois tudo que o ser humano precisa vêm da floresta e da natureza.
Porém, sempre precisam pelo menos algum dinheiro e esse conseguem vendendo artesanatos e dando cursos e palestras.
A América Latina nunca mais será a mesma. E nós também não, é impossível ser o mesmo depois de conhecer esses dois seres humanos impressionantes. Desapegaram de idéias muito profundas da contemporaneidade, ou digo da neurose moderna.
Desapegaram do Tempo e da Desconfiança. Estão confiando suas vidas um ao outro, por tempo indeterminado sem sequer se conhecerem antes. Fora todos os outros desapegos necessários para uma viagem dessas.
Coisas que o veganismo uniu e criou e nós ao conhecer multiplicamos.
Meus parabéns a Duby e Igor, nossos queridos e amigos viajantes, nossa semente de um mundo sem fronteiras como é a natureza das árvores, nosso fruto de amor, coragem e confiança no próximo tão necessário para construção de uma humanidade ética e justa.
Aproveitamos para agradecer ao Lar Vegetariano, onde eu, Marília, Duby e Igor, batemos um longo papo, localizado em São Paulo-SP no bairro da Lapa, tivemos um almoço delicioso na rua Clélia, 278.
http://www.cantinhovegetariano.com.br/2010/12/lar-vegetariano-vegan.html
O lar vegetariano oferece um suco de Guaraná Satere Mawe para quem chegar pedalando para almoçar.
Assim o mundo vegano cresce, a floresta cresce, e todos nós vivemos melhor ( inclusive animais e plantas).
Vamos pedalar e plantar.
Veja nossa Live:
Respostas de 4
Max, Parabéns, que matéria! Ficou D+
Por mais matérias como esta.
Grande D´avila que bom que gostou da matéria, sua opinião é muito importante para gente.
Parabéns, ótima reportagem, o mundo realmente precisa mudar e as pessoas estão consciente disso. Eu, particularmente tenho tido várias experiências no mundo vegetariano e vegano e tenho achado maravilhoso, saudável.
A natureza nos dá tudo que precisamos, temos que saber cuidar. Da mesma forma que ela nos dá ela também tira.
Linda Inadara, estamos cada vez mais conectados com a natureza