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Sobre a derrota do Brasil na Copa 2022 e o triste dia em que me identifiquei com Neymar Jr.

Houve, sim, inúmeras chances de gol não efetivadas, mas houve inúmeros erros, sucessivos. O gol não vinha. Durante o primeiro tempo nada da bola entrar. Passado o segundo tempo, idem.

Então fomos à prorrogação, que exige demais fisicamente dos jogadores, já com alguns desfalques, como Richarlison e Vini Jr.

Passado o primeiro tempo da prorrogação: tudo igual, zero a zero, o que já era desesperador por si só, com a Croácia, ainda, aproveitando as sobras de bola para assustar o time brasileiro.

Um 0X0 arrastado e agoniante até que, aos 105 + 1′, ou seja, nos acréscimos do primeiro tempo da prorrogação, Neymar finalmente fez o papel que se espera dele desde o início e mandou a bola para o gol de uma maneira realmente espetacular. Eu quase passei mal diante do golaço: berrei, pulei, tremi, bati palma, fiz vídeo vergonhoso e eufórico filmando a TV…

E podia ter sido decidido ali. Podiam ter garantido a classificação ali. Os caras deviam ter “furado a bola”, segurando-a ao máximo, deviam ter ficado na retranca, deviam ter feito paredão diante do goleiro, qualquer coisa que garantisse o 1X0. Mas o futebol não é feito de pretérito imperfeito, devIA, podIA etc, mas de pretérito perfeito:

A seleção brasileira bobeOU e deixOU a Croácia meter o gol nos últimos três minutos do segundo tempo da prorrogação, o que desestabilizOU toda a seleção, que não estava pensando/preparada para os pênaltis (diferentemente da Croácia, que, com base em seu histórico recente, desejava isso desde o início do jogo).

Apesar das sucessivas falhas do Brasil, o time ainda foi, de modo geral, superior em campo, principalmente no segundo tempo e na prorrogação posterior. Mas, infelizmente, não foi superior o suficiente, não tanto quanto gostaríamos. Não fez o que se espera de uma seleção como a brasileira, única pentacampeã mundial.

Então, chegamos ao clímax: a temida decisão nos pênaltis. Era o que a Croácia queria desde o início, sendo uma de suas estratégias arrastar o jogo até o fim. Não à toa que passou todas as fases da copa passada e da atual nas penalidades máximas.

E era, também, tudo o que o Brasil deveria ter evitado, mas não o fez. Eles não tinham conhecimento do histórico e estilo de jogo na defensiva e arrastado da Croácia, que só leva a decisão para os pênaltis desde 2018? Fico me questionando.

Como se a vantagem croata (com uma ótima defesa comandada pelo goleiro Dominik Livaković) não bastasse, o Brasil ainda errOU feio na estratégia, ao colocar o Rodrygo para bater o primeiro gol. Estreante em copa e ainda inexperiente, mesmo sendo um dos destaques do Real Madrid, o jovem osasquense de 21 anos batEU mal e deixOU de graça para o goleirão, apelidado de “Muro da Croácia”, defender.

Daí em diante, no jargão popular, foi “só ladeira abaixo”. A confiança, já abalada devido ao gol sofrido ao final da prorrogação, se desmantelou de vez. Errar o primeiro pênalti? E logo de cara? Nem em nossos piores pesadelos! Eu fiquei incrédula diante da TV de casa, assim como boa parte dos brasileiros e expectadores mundo afora.

Após essa primeira cobrança de pênalti infeliz, eu pensei comigo mesma: JÁ ERA! Mas, indo contra o que pressentia e que se desenhava diante de meus olhos e como a brasileira raiz que sou e não desiste nunca, ainda restava uma pequena, quase imperceptível, fagulha de esperança dentro de mim.

Mas, para enterrar o fio de esperança do hexa no coração de todos aqueles que torciam pelo Brasil, não só JÁ TINHA SIDO, como piorOU…

O quarto pênalti, batido por Marquinhos e que necessariamente deveria ter sido feito, para o goleiro Alisson ter a chance (quase nula) de defesa em seguida, bateu NA TRAVE.

Jogo encerrado ali. Brasil eliminado. Croácia na semifinal. Com o Neymar, a grande estrela do time, sequer tendo a oportunidade de chutar o quinto e mais importante pênalti. Nem foi necessário.

A ele sobrou apenas a descrença estampada na face diante de uma amarga e inesperada derrota. Ali, sentado ao gramado, imóvel, com o olhar perdido, sem esboçar nenhuma reação. Não achava que o veria sentindo a eliminação do Brasil daquela forma.

Por alguns momentos, eu, crítica de Neymar Jr. como figura pública, me identifiquei com sua incredulidade, me enxerguei nele que, após a ficha caída, também caiu em lágrimas, assim como eu caí

O futebol é muito mais do que esporte, é um grande espetáculo, é um fenômeno social único e incomparável capaz de unir, seja na alegria, no amor, na tristeza ou na dor, até os diametralmente opostos.

NOTA

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