Espetáculo premiado traz a vivência de jovens pretos periféricos sob a direção artística da atriz Vilma Melo
Aprendemos a lidar com o fato de que a vida é finita. Que adoecer e partir fazem parte do ciclo natural. Mas e quando essas partidas acontecem no auge dos 20 anos, não como exceção, mas como regra imposta a um perfil-alvo: jovem, preto e favelado?
A UNICEF/FBSP, aponta em último estudo publicado (2023) que 1 a cada 5 mortes de jovens no Brasil, tem uma ligação direta com a violência policial. Também mostra que a proporção de mortes por intervenção policial entre jovens de até 19 anos aumentou de 14% em 2021 para 18,6% em 2023.
Com o objetivo de provocar uma profunda reflexão sobre as violações dos direitos humanos e das injustiças enfrentadas por crianças e adolescentes nas periferias urbanas, a peça “Ninguém me Ensinou a Morrer” chega o Teatro Firjan Sesi Jacarepaguá em curta temporada, com exibições no último final de semana de julho e o primeiro final de semana de agosto.

Com seis jovens atores em cena, o espetáculo sensibiliza o público com a realidade brutal e muitas vezes invisibilizada das comunidades marginalizadas e propõe um diálogo com empatia e solidariedade. Oriundo do Centro de Artes Calouste Gulbenkian, na Praça Onze, o grupo teatral traz a fusão de talentos e ideias em produções teatrais inovadoras e impactantes, enriquecendo ainda mais o cenário cultural da cidade.
A direção artística é assinada pela atriz Vilma Melo, professora de teatro e que atualmente vive a personagem Jussara na novela “Dona de Mim”:

“O maior objetivo desta peça é inspirar ações concretas em prol da justiça social, da equidade e do respeito à dignidade humana, visando construir um futuro onde todas as crianças e adolescentes tenham a oportunidade de crescer em um ambiente livre de violência, discriminação e exclusão”, destaca.
A encenação de ‘Ninguém Me Ensinou a Morrer’ se desdobra como um caleidoscópio de movimentos e emoções, que se montam e desmontam diante dos olhos do público, revelando as camadas profundas de dor, resistência e esperança que habitam os corpos marcados pela marginalização e pela violência estrutural.
O espetáculo que desafia convenções e rompe barreiras, já foi indicado a mais de 17 premiações, nas categorias Melhor Esquete, Melhor Texto Original, Melhor Direção , Melhor Direção de Movimento, Melhor Trilha Sonora Original, Melhor Iluminação e Melhor Atriz em Conjunto. E conquistou 12 prêmios, como o Festival FESTU, considerado o maior festival de teatro universitário do Brasil; o Festival Negritudes e o Festival Internacional de Teatro de Niterói, o Niterói em Cena.
Dividido em três níveis que atravessa a vida, a morte e a eternidade nas favelas do Brasil, a trama se desenvolve em uma megaoperação policial que ameaça os sonhos, afetos e resistências dos jovens. Sem saber se irão sobreviver a mais uma noite, diante da violência impiedosa que castiga corpos pretos e favelados, uma pergunta ecoa como ferida aberta: alguém aí já te ensinou a morrer?
O espetáculo “Ninguém me Ensinou a Morrer” estará em cartaz no Teatro Firjan Sesi Jacarepaguá nos dias 26 e 27 de julho e 02 e 03 de agosto, com sessões aos sábados às 19h e domingos às 17h. A apresentação acontece na Av. Geremário Dantas, 940 – Freguesia, Rio de Janeiro – RJ. Os ingressos custam R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (meia), com vendas disponíveis pelo Sympla: http://bit.ly/44FEtDc. O espetáculo conta com acessibilidade em LIBRAS, com intérprete presente durante a encenação.










