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Pretos no topo? Como a desigualdade no mercado de trabalho afeta a população preta.

Chegar ao topo de uma empresa já é uma tarefa árdua para pessoas em geral, mas para grupos minorizados, a realidade é ainda mais desafiadora e preconceituosa. Infelizmente, as lideranças corporativas no Brasil são pouco diversas, especialmente quando se trata de pessoas pretas. 

O Brasil é inegavelmente um país marcado pelo racismo, elitismo e desigualdade, mesmo que algumas pessoas insistam em negar essa realidade. No entanto, é fundamental apresentar dados que corroborem essa visão. De acordo com uma pesquisa do Instituto Ethos, embora 56% da população se declare preta ou parda, apenas 4,3% das lideranças nas empresas são compostas por essa parcela da sociedade. Por outro lado, o estudo aponta que 57% das pessoas pretas ocupam cargos operacionais, como estagiários, trainees e analistas, dentro das instituições. Esses números evidenciam uma desigualdade alarmante que exige atenção urgente. 

A diversidade nem tão diversa

Quando nos referimos às lideranças nas áreas de diversidade, responsáveis por promover a inclusão e equidade nas empresas, os dados levantados no terceiro trimestre de 2021 pela consultoria Tree Diversidade em parceria com o Grupo TopRH revelam que 51% das pessoas gestoras em DEI&P (Diversidade, Equidade, Inclusão e Pertencimento) são mulheres brancas, a maioria cisgênero (75,7%) e heterossexuais (63,8%). Esse cenário demonstra uma parcela da sociedade naturalmente privilegiada, pouco diversa e que carrega vieses que influenciam negativamente a diversidade e inclusão nas contratações. É importante reconhecer que todos possuímos vieses, pois nossa percepção do mundo é moldada por nossas vivências e ambientes em que vivemos. Contudo, fica evidente essa questão ao analisar os processos seletivos nas empresas, que são desiguais, pouco adaptáveis e construídos para excluir perfis diversos, negligenciando as diversas experiências e desafios enfrentados pelos grupos minorizados e marginalizados. Devemos reconhecer o crescimento de pessoas LGBTQIAP+ e mulheres ocupando cargos de gestão em diversidade, mas a barreira da racialização continua intacta. Apesar de avanços em termos de inclusão, a enorme desigualdade em relação à raça persiste, e as pessoas pretas continuam sendo marginalizadas e excluídas.

Agora, é necessário entender as causas dessa desigualdade. Tudo o que foi abordado até aqui é reflexo do racismo estrutural que enfrentamos diariamente. Pessoas brancas têm o poder de contratar nas empresas e continuam favorecendo seus pares, relegando às pessoas pretas papéis de serviços “braçais”, perpetuando uma prática que existe desde 1500 e que, infelizmente, ainda é considerada normal e até um favor. Já superamos a fase de sensibilização, posts em redes sociais com dicas e ações superficiais que servem apenas para atrair mídia e engajamento, sem gerar resultados efetivos. 

O que é preciso fazer para mudar essa realidade?

O que precisamos fazer é traçar planos de ação com o objetivo de reduzir a desigualdade no mercado de trabalho, não se limitando apenas a contratar pessoas pretas, mas também educando o ambiente corporativo sobre questões raciais e de diversidade, além de desenvolver ações que promovam o pertencimento e o crescimento desses profissionais. O caminho para a equidade racial começa pelas lideranças, que devem constantemente avaliar o posicionamento da empresa em relação a essas questões, buscando mudanças efetivas com metas claras e mensuráveis. Essas metas devem abranger toda a empresa, desde o CEO até os cargos operacionais, pois a mentalidade de promover a diversidade deve ser incorporada em toda a cultura organizacional para que as mudanças sejam reais.

A jornada não é fácil, e muitas empresas não sabem por onde começar. No entanto, o caminho é simples: comece pelo início. Faça-se perguntas como: Como é o processo seletivo da sua organização? Qual é o compromisso da empresa com a inclusão dessas pessoas? Quem são os recrutadores? Quais vieses precisam ser erradicados? Existe um mapeamento das práticas discriminatórias nas vagas? Quais são as políticas de pertencimento e desenvolvimento adotadas pela organização? Infelizmente, muitas empresas ainda adotam práticas de recrutamento enviesadas, associando a competência profissional à aparência física e características sociais e mentais dos candidatos.

É fundamental ressaltar que todas as organizações têm um papel social na promoção da diversidade e inclusão, independentemente de sua área de atuação, pois têm o poder de impactar a sociedade. Ao abordarmos esse tema, tratamos de direitos humanos, da luta pelo direito a um emprego digno, a um salário digno, a oportunidades igualitárias e, acima de tudo, o direito de serem reconhecidas pelas suas experiências, desafios e potencialidades. 

A população negra construiu o Brasil com seu sangue e suor e continua contribuindo ativamente para o desenvolvimento e crescimento econômico do país. Somos pessoas criativas, inteligentes e, ao longo dos séculos, temos nos reinventado e inovado com as poucas ferramentas que temos à disposição. Construímos a escada para chegar ao “topo”, mas diariamente somos impedidos de alcançar o seu final. Se você é um aliado,aliada ou aliade, é fundamental refletir sobre o seu papel nessa jornada, a fim de lutar contra a desigualdade e romper as barreiras existentes. O que sua organização está fazendo para contribuir com essa luta?

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