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Lideranças negras no governo: conheça Lázara Carvalho

“A minha mensagem para cada jovem negro e negra que sonha em ocupar espaços de liderança é: não se subestime e não permita que os outros definam o seu valor. Cada barreira que enfrentamos é, na verdade, um impulso para avançar. Acredite na sua capacidade de transformar realidades, de mudar estruturas e de ocupar espaços que historicamente nos foram negados. A nossa presença é resistência, e a nossa resistência é a base para a mudança.

Lázara Carvalho

Embora a grande mídia e as elites sociais tenham historicamente se esforçado para parecer que não, estamos cercados por excelência negra – nas artes, na Academia e também no governo. Lázara Carvalho é um exemplo potente dessa presença: uma liderança negra que ocupa espaços de decisão e representa com firmeza sua comunidade.

Atualmente, Lázara é advogada e Chefe da Assessoria de Participação Social e Diversidade no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Ela também já passou pelas chefias de gabinete da Secretaria Nacional de Justiça e da Secretaria de Prêmios e Apostas no Ministério da Fazenda, além de atuar em importantes frentes ligadas à defesa dos direitos humanos, à justiça racial e à promoção de uma advocacia antirracista. Tem formação em Educação nas Relações Étnico-raciais e é pesquisadora em Comunicação Não Violenta (CNV).

Em entrevista ao Jornal Empoderado, Lázara comentou sobre sua trajetória pessoal e profissional, refletindo como enfrentou obstáculos que a tornaram mais consciente da necessidade de lutar por seus próprios espaços. “Minha trajetória é marcada por desafios e conquistas que me fizeram compreender a importância da resistência e da construção coletiva. Cresci em um ambiente onde a educação era vista como um caminho de transformação, e desde muito cedo entendi que meu lugar no mundo não seria dado, mas conquistado. A decisão de seguir na advocacia veio da percepção de que o Direito poderia ser uma ferramenta poderosa para promover justiça social e combater desigualdades estruturais“, afirma.

Sobre trabalho, a advogada destacou que sua atuação é guiada pelo compromisso com os direitos humanos e com a inclusão de grupos historicamente marginalizados, sobretudo mulheres negras. Ela comentou ainda sobre sua atuação em intituições públicas: “A minha passagem por órgãos públicos e a liderança em projetos sociais me permitiram vivenciar na prática a importância de políticas públicas efetivas e de uma governança que valorize a diversidade e a equidade.

No MDIC, Lázara trabalha para ampliar a inclusão social e a participação cidadã em decisões estratégicas. Além disso, lidera e integra importantes iniciativas voltadas à justiça e à equidade: é presidente da Comissão Nacional de Direitos Humanos da ABRACRIM, cofundadora do Movimento Elo e do Instituto da Advocacia Negra Brasileira, e conselheira do Innocence Project Brasil.

“Ser presidente da Comissão Nacional de Direitos Humanos da ABRACRIM me proporcionou a oportunidade de articular políticas e projetos que visam a promoção dos direitos humanos, com foco em justiça racial e equidade de gênero”, conta. Ela também mencionou a importância da cofundação do Movimento Elo e do Instituto da Advocacia Negra Brasileira, quando deu um passo a mais no enfrentamento do racismo estrutural no campo jurídico. “São iniciativas que visam não apenas criar espaços de voz, mas também formar lideranças que entendam a importância de uma advocacia antirracista”, diz a advogada.

Já a sua atuação como conselheira do Innocent Project Brasil está diretamente ligada à luta por justiça, especialmente na revisão de condenações injustas que afetam, majoritariamente, pessoas negras e periféricas. “Cada uma dessas frentes reflete o meu compromisso com a equidade, a justiça social e a transformação estrutural que o sistema de justiça necessita”, reforça.

Desafios na carreira

A mulheridade negra, como um todo, é constantemente posta a enfrentar as diversas adversidades que atravessam suas vivências – e com Lázara não foi diferente. Ela contou sobre os inúmeros desafios os quais teve que encarar, especialmente em espaços dominados por homens brancos. “Ao longo da minha trajetória, enfrentei barreiras relacionadas a preconceitos estruturais e subestimação das minhas capacidades, situações que infelizmente ainda são comuns no ambiente jurídico e em cargos de liderança.”

“No entanto, esses obstáculos serviram como combustível para fortalecer minha atuação. Cada vez que me deparei com uma tentativa de invalidação, encontrei ainda mais razões para avançar e ocupar espaços que historicamente foram negados a mulheres negras. Esse processo me fez entender que a minha presença em lugares de decisão não é apenas um triunfo pessoal, mas uma abertura de portas para que outras mulheres também possam ocupar esses espaços”, relata.

Num movimento contra esse cenário de invibilização e preconceito, Lázara Carvalho não mediu esforços para conseguir chegar onde queria. Ela se manteve mobilizada em prol do seu compromisso com a transformação estrutural e a justiça social. “A minha motivação sempre esteve ligada à crença de que as estruturas de poder podem ser ferramentas de transformação social. Chegar à chefia de gabinete da Secretaria Nacional de Justiça foi um marco para fortalecer o diálogo entre governo e sociedade civil, especialmente em temas de direitos humanos e políticas públicas inclusivas. No Ministério da Fazenda, na Secretaria de Prêmios e Apostas, a experiência foi de gestão técnica, voltada para processos regulatórios, sempre com o olhar atento para a inclusão e o impacto social das políticas”

Hoje, como Chefe da Assessoria de Participação Social e Diversidade no MDIC, seu foco é democratizar o acesso às decisões estratégicas, garantindo a inclusão de vozes diversas nos processos de desenvolvimento industrial e comercial do país. Além disso, Lázara enfatiza que sua trajetória lhe ensinou a importância de uma gestão pública conectada com os anseios da sociedade, pautada na transparência e acessibilidade, como forma de promover transformações reais e duradouras.

Projetos futuros

Questionada sobre suas prospecções para o futuro, a profissional destacou seu desejo de expandir projetos de inclusão social ligados a políticas públicas que promovam equidade racial e de gênero. “Acredito que fortalecer a presença de mulheres negras em espaços de poder e decisão é essencial para transformar as estruturas sociais e garantir justiça para todos. Além disso, quero impulsionar iniciativas que promovam acesso à educação de qualidade e desenvolvimento econômico em comunidades vulneráveis, fortalecendo a autonomia e o protagonismo dessas populações”, afirma.

Lázara tem liderado iniciativas que promovem a participação social nas decisões governamentais, com ênfase em diversidade e inclusão. Entre os principais projetos, estão o fortalecimento de políticas públicas para minorias, a implementação de programas de capacitação para lideranças sociais e o desenvolvimento de estratégias para ampliar a representatividade em espaços de poder.

Ela também mencionou sua atuação na Comissão Nacional de Direitos Humanos da ABRACRIM: “Temos articulado frentes de combate à violência racial e de promoção de direitos para populações vulneráveis. Cada projeto é pensado para impactar diretamente as comunidades, promovendo voz, segurança e oportunidade para aqueles que historicamente foram silenciados.”

Por fim, pedi para que Lázara deixasse uma mensagem para jovens negras e negros que aspiram ocupar espaços de liderança e decisão. Ela responde com sensibilidade e assertividade: “A minha mensagem para cada jovem negro e negra que sonha em ocupar espaços de liderança é: não se subestime e não permita que os outros definam o seu valor. Cada barreira que enfrentamos é, na verdade, um impulso para avançar. Acredite na sua capacidade de transformar realidades, de mudar estruturas e de ocupar espaços que historicamente nos foram negados. A nossa presença é resistência, e a nossa resistência é a base para a mudança.

Palavras que ecoam como um chamado à ação, à autoconfiança e à construção coletiva de um futuro mais justo. Que o futuro nos presenteie com um cenário em que Lázara seja uma entre milhares de vozes negras em espaços de poder, atuando com coragem, firmeza e resistência.

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