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Guardiola expõe os covardes do mundo

Por Alberto Monteiro de Castro

Londres, 02/janeiro/2026

Enquanto muitos dentro e fora do mundo do futebol continuam a fugir de participar ativamente para defender o que é certo, a coragem e o apoio daqueles que o fazem são enfatizados por alguém que coloca o seu prestígio ao serviço de causas justas. Em tempos de covardia e de decadência moral, a coragem se mede pelo momento em que a palavra se faz ação e a voz é proferida pelo preço que se pode pagar. Um brinde a Josep Guardiola, mais conhecido como Pep, verdadeiro campeão dentro e fora das arenas do futebol.

Segundo várias fontes, Guardiola representa fielmente as tradições catalãs que olham para a liberdade e para a luta dos oprimidos como valores e não como slogans, e a dignidade como uma ação diária e não como um discurso sazonal.

Assim, não seria de estranhar essa sua posição cristalina em defesa de causas como a da Palestina. Aqueles que compreendem a história cultural do Barcelona, não apenas como um time de futebol, mas como “mais do que um time”, percebem que essa voz não surgiu do nada.

A Catalunha, que vivenciou repressão e tentativas de apagar identidades, ensina às suas crianças que o silêncio diante da injustiça não é uma virtude. Daí que o seu apoio à causa Palestina transcenda a mera expressão humanitária. Ele se transforma em um ato de resistência e luta, um ato cultural e moral consciente que merece reflexão e não apenas aplausos.

Esta não foi a primeira vez que o atual técnico do Manchester City manifestou seu apoio e se envolveu ativamente na causa palestiniana e em outras como na sua própria Catalunha e o genoocidio no Sudão, por exemplo.

Em 2018 o treinador catalão foi multado em 22.500 euros pela Federação Inglesa de Futebol pelo uso contínuo do laço amarelo, símbolo do movimento independentista da Catalunha, nos jogos dos Citizens, como é popularmente conhecido um dos grandes clubes do futebol inglês. 

Em junho de 2025, ao receber ao receber o título honorário da Universidade de Manchester, Guardiola fez um discurso contundente no qual, para além genocídio em curso na Palestina, ele falou também sobre o sofrimento no Sudão e na Ucrânia. ”Se não falarmos sobre o genocídio em Gaza, nossos filhos serão os próximos’, disse na ocasião.

O agora viralizado discurso dele foi feito no dia 29 de janeiro último na arena de espetáculos multiuso, Palau Sant Jordi, Barcelona, durante o Concerto-Manifesto pela Palestina, promovido pela «Act X Palestine». uma campanha de mobilização global promovida pelas principais organizações palestinas de direitos humanos, construção da paz, ajuda humanitária e cultura.

Na sua página online lê-se que a campanha ”através da música, da palavra, da arte e da imagem, reivindica a cultura como um espaço de resistência e despertar, conectando a realidade da Palestina com as principais lutas do nosso tempo”, fazendo  ”um chamado à ação, a colocar nossos corpos em risco e falar; a recusar o silêncio e o esquecimento; e a afirmar, mais uma vez, que na Palestina o futuro da humanidade está em jogo.”

Eis o discurso de Josep Guardiola não publicado na íntegra nos mídias hegemônicos:

Boa noite, Salam Aleikum (a paz esteja convosco). Que maravilha!

Deixem-me dizer-vos duas coisas. Penso que devemos refletir quando vemos uma criança nestes últimos dois anos, com essas imagens nas redes sociais, na televisão, gravando a si mesma, suplicando: ‘Onde está minha mãe?’, em meio aos escombros, e ela ainda não sabe isso.

E eu sempre penso: ‘No que será que eles estão pensando?’ Creio que os deixámos sozinhos e abandonados. Imagino-os sempre a dizer: ‘Onde estão vocês? Venham nos ajudar’.

E nem agora o estamos a fazer. Talvez porque aqueles que estão no poder são covardes, porque basicamente mandam jovens inocentes para matar gente inocente.

É isso que os covardes fazem porque estão nas suas casas, com aquecedores quando está frio e ar condicionado quando está calor.

Precisamos dar um passo adiante. O simples fato de estarmos presentes, sozinhos, já significa muito, muito mesmo. O que as bombas causam — e o que elas querem causar — é o silêncio, é que desviemos o olhar, que não demos um passo adiante.

Esse é o único objetivo delas: que não demos um passo adiante  E por isso que temos que lutar. Não podemos simplesmente desviar o olhar; devemos nos envolver e participar.

Hoje estamos aqui em Sant Jordi, em um lugar que em breve estará lotado, que se tornará  pequeno com uma causa tão, tão grande.

Estamos num concerto rodeados pelo sol, pelo piano e por um trombone que nos recordará, sem dúvida, que não percamos a memória do que tem sucedido nas últimas duas décadas, se não em décadas e décadas de opressão e de falta de liberdade. De tirar aquilo a que todo povo tem direito: a ser simplesmente o que quer ser.

Aqui em Barcelona, um lugar onde foram feitas tantas e tantas coisas, desde o movimento ‘Não à Guerra’, o recente resgate da flotilha, ‘Acolham os Refugiados’, à Barcelona 1938 quando nos bombardearam. E sempre, hoje, como em Londres ou Paris, nos colocamos diante do mundo para mostrar que estamos do lado dos mais fracos, e nesse caso é na Palestina.

Mas não apenas a Palestina; todas as causas. É um manifesto para a Palestina um manifesto para a Humanidade porque quando alguém se afunda no Mediterrâneo por ter sido forçado a deixar sua casa involuntariamente e a ‘Open Arms’ vai resgatá-lo, simplesmente nenhuma pergunta é feita.

A pessoa é simplesmente resgatada para que possa ter uma vida digna, para que possa sobreviver. Simplesmente! Não se anda fazendo perguntas. Vai-se e resgata a pessoa porque tudo isso tem a ver com humanidade, que é a única coisa que não acontece na Palestina.”

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