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Entrevistamos o DJ Paul: quatro décadas de Hip Hop, resistência e reinvenção

O pioneiro do “Rap Bate Cabeça” fala sobre o EP Mãos que Falam, a evolução da música, o impacto da tecnologia e sua trajetória que une arte, educação e propósito

Com 40 anos de trajetória no Hip Hop brasileiro, DJ Paul é sinônimo de resistência, disciplina e reinvenção. Integrante fundador do lendário grupo RPW, o artista marcou os anos 1990 com o estilo “rap bate cabeça”, abrindo caminho para uma geração que viu no som das periferias um instrumento de voz e transformação social. Hoje, DJ, produtor e educador, ele segue ativo e inspirando novas gerações, lançando o EP Mãos que Falam, um tributo aos anos 90 e à essência do DJ que faz da música uma ferramenta de história e consciência.

Raízes, vinil e o poder do som

“Tudo começou por causa da minha irmã Nica”, lembra DJ Paul, com carinho. “Ela me deu uma vitrola e o disco do Djavan, Luz. Tenho até hoje.” Aquele presente seria o ponto de partida de uma vida dedicada ao som e ao conhecimento.

Com o tempo, o vinil se transformou em extensão de seu corpo. “Gosto dos dois, vinil e picape eletrônica, mas quer conhecer um DJ de verdade? Põe ele pra tocar com vinil e verás a verdade”, afirma.

Para ele, o rap continua sendo a espinha dorsal da cultura. “O rap sempre será”, diz de forma firme e direta, com a convicção de quem viveu a base do movimento e segue acreditando em sua força transformadora.

A música hoje e o olhar crítico do produtor

Paul acompanha tudo que se produz, do trap ao funk, mas faz um alerta sobre a superficialidade que domina parte da indústria musical. “Ouço sim, por ser produtor fico atento à melodia e ao conjunto de instrumentos. Mas as músicas perderam a alma. São feitas pra passar rápido, só refrão, sem conteúdo, na maioria das vezes.”

“Mãos que Falam”: o retorno às origens

Seu novo projeto, o EP Mãos que Falam, é um mergulho nostálgico e consciente nos anos 90. “Senti que era hora de lançar um disco resgatando os anos 90”, conta. “Regravei músicas como E aí, Atrás da fama, Certo ou Errado e Polícia e Ladrão.”

O projeto tem participações de Caio e Abdala (Providência Rap), Ricco (Sala Secreta), Tati (esposa do DJ) e Antdopyn. “São pessoas que acreditam na essência do som e no poder da coletividade”, destaca.

Criatividade e tecnologia

Questionado sobre a inteligência artificial e os direitos autorais, Paul reflete com lucidez:
“A IA ajuda, mas a originalidade em escrever ajuda muito mais o seu cérebro a permanecer vivo e com oxigênio.” Para ele, a tecnologia pode ser aliada, mas jamais substitui a alma do artista.

O conselho do mestre

Quando perguntado o que diria ao jovem Paul do início da carreira, ele não hesita:
“Guarde 50% do dinheiro que você ganha pra no futuro montar sua escola de DJs.” A frase revela a maturidade de quem compreendeu que arte também é planejamento, e que o legado vai além do palco.

Trajetória de sucesso na música e na educação

Em março de 1993, DJ Paul deu seu primeiro grande passo ao gravar o disco Movimento Hip Hop pela gravadora Rhythm and Blues, ao lado do grupo RPW — formado por Rúbia, Paul e W-Yo. Um ano depois, o grupo lançaria o single Pule ou Empurre, reconhecido como o marco inicial do estilo “rap bate cabeça” no Brasil.

Ao longo dos anos, Paul se apresentou em grandes palcos como o Rock in Rio 2001, com a banda Pavilhão 9, e em festivais como Porão do Rock e Circuito Honda. Com uma discografia sólida, manteve o equilíbrio entre música e educação, tornando-se referência de profissionalismo e compromisso com a cultura hip hop.

Desde 2017, ele atua como arte-educador, promovendo oficinas de DJ e produção musical para jovens. Em 2020, lançou seu primeiro disco solo, A Sorte Favorece o Intrépido, indicado ao Grammy Latino com a faixa I Aí. Em 2022, comemorou os 30 anos do RPW, e hoje segue como curador de projetos culturais como o Território Hip Hop, além de trabalhar com a Secretaria de Cultura de São Paulo.

Recentemente, gravou seu segundo disco, Nagulha, que une música instrumental e técnicas de scratch, reforçando sua posição como um dos maiores nomes da cultura DJ no país.

O artista que educa e transforma

Hoje, DJ Paul segue como DJ, produtor e educador, e também como estudante universitário de Análise e Desenvolvimento de Sistemas, mostrando que inovação e aprendizado caminham juntos.“Com dedicação, é possível sair do ninho e conquistar um futuro brilhante”, afirma.

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