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Entrevistamos a vereadora Luana Alves: “É bonito militar”

Parlamentar do PSOL fala ao Jornal Empoderado sobre racismo, saúde pública, direitos LGBTQIA+, conquistas e desafios de ocupar espaços de poder em São Paulo

A vereadora Luana Alves (PSOL-SP) falou ao Jornal Empoderado sobre sua trajetória política, a relação entre saúde e antirracismo, os desafios de ser uma mulher negra e LGBT na política institucional e as pautas prioritárias do seu mandato. Com uma fala firme e comprometida, Luana reflete sobre a importância da militância e o papel transformador da política feita a partir das periferias.

Da saúde à militância política

Para ela, a experiência de atender pessoas negras e racializadas no SUS foi decisiva para moldar sua visão política. “Atender pessoas negras e pessoas racializadas no SUS, para mim, é uma experiência que faz você ser cada vez mais antirracista, anticapitalista, porque a gente vai vendo o quanto as opressões raciais e a exploração econômica deixam marcas muito profundas”, afirma.

A vereadora explica que o racismo adoece indivíduos, famílias e comunidades, e lembra que o próprio SUS nasceu da luta de diversos movimentos sociais, incluindo o movimento negro, embora essa história seja pouco contada. “Quando a gente vai ver a história do SUS, vai ver esse encontro de movimentos sociais, sanitaristas, eclesiais de base e o movimento antirracista, que também lutou por um sistema de saúde universal no Brasil”, pontua.

Mulher negra e LGBT no poder

Ao falar sobre sua presença na Câmara Municipal de São Paulo, Luana descreve o peso e a responsabilidade de ocupar um espaço historicamente dominado por homens brancos e ricos. “Para mim, é uma responsabilidade muito forte. Claro que é pesado em muitos momentos, mas é uma responsabilidade porque, apesar de eu estar lá, a gente ainda é muito sub-representado enquanto mulher, enquanto pessoa negra, enquanto LGBT também.”

Ela ressalta que o ambiente político paulistano é marcado por famílias oligárquicas e empresários, o que torna sua atuação uma forma de resistência. “Eu estar lá significa ter o peso de defender os interesses da maioria social, mas que ainda não é a maioria política.

Sobre as políticas públicas voltadas à população LGBTQIA+, Luana é categórica ao afirmar que há retrocessos. “A gente está tendo um retrocesso evidente. O governo do Ricardo Nunes, ainda que não se coloque abertamente anti-LGBT, fortalece políticos e vereadores abertamente anti-LGBT”, diz. Ela cita como exemplo o atraso no pagamento de bolsas do Programa Operação Trabalho (POT) para mulheres trans e a falta de investimento no Transcidadania. “Ele não teve coragem de acabar com o Transcidadania, mas também não fortalece financeiramente. Vai deixando minguar.”

Projetos e conquistas do mandato

Entre as principais pautas de seu mandato, a vereadora destaca a lei “Escola Sem Racismo”, já aprovada e sancionada, que determina que todos os professores das redes pública e privada da cidade recebam pelo menos oito horas anuais de formação em igualdade racial. “Foi uma conquista do mandato. Agora a gente tem que garantir que funcione na prática, dentro das escolas e das DREs”, explica. Luana também cita o projeto do “Passe Livre para o Cuidado”, que previa transporte gratuito para pacientes do CAPS, mas foi vetado pelo prefeito (e que ela pretende reapresentar).

A parlamentar lembra ainda da cassação histórica de um vereador por racismo, a primeira na história da Câmara Municipal. “Eu tenho muito orgulho disso. Ter tido uma mulher negra presente na mesa quando aquele cara falou a fala racista foi importante. A nossa reação no mandato foi importante. É uma conquista grande também.”

Esperança nas novas gerações

Ao ser questionada sobre que conselho daria a meninas negras e periféricas que sonham em ocupar espaços de poder, Luana responde com esperança e afeto: “É para as meninas perceberem o quanto esse espaço de poder é delas também. Não se sentirem tímidas para ocupar, para demonstrar suas ideias, para falar o que pensam, para tentar convencer outras pessoas, porque isso também é parte de fazer política. Não é arrogante, é bonito militar, é uma coisa boa, sim.”

Ela finaliza expressando otimismo com as novas gerações: “Eu tenho muita esperança numa geração nova que está chegando tendo orgulho da própria cor, de onde veio, do cabelo. Eu vejo isso mais nas escolas do que na minha época. Então, eu fico feliz, eu fico esperançosa.”

Luana Alves mostra, com sua atuação e suas palavras, que política é sobre empatia, enfrentamento e transformação social. Sua presença no Legislativo paulistano é, por si só, um ato de resistência, e um lembrete de que o poder também pertence às mulheres negras, periféricas e LGBTQIA+.

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