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Entre a busca por afetos e relacionamentos inter-raciais: Onde fica o afeto entre os nossos?

Quando falamos de relacionamentos Inter-raciais, principalmente entre mulheres negras e homens brancos, é praticamente impossível ignorar o passado, se faz notável que as cicatrizes abertas durante o período escravocrata ainda estão distantes da cura. A maior parte da população negra se senti despreparada ou até indigna de afeto.

Vamos recapitular e entender a origem dessa realidade que atinge milhares. Antes, vale ressaltar que por sua vez, a comunidade negra se tornou resistente ao amor romântico criado pelo imaginário europeu. Por muitas vezes, tal comportamento pode até ser visto pela sociedade com insensibilidade.

  “Mas precisamos reconhecer que a opressão e a exploração distorcem e impedem nossa capacidade de amar. ”

Roubados de si mesmos e forçados a viver em terras desconhecidas, a população negra se viu atravessada por diversos fatores que inibiam o ato de amar. Famílias foram divididas e filhos arrancados de suas mães. Agora não mais seres humanos, apenas mercadoria. Em um cenário como este, o afeto ficava em segundo plano, abafa-lo se tornou uma estratégia de sobrevivência.

 “Num contexto onde os negros nunca podiam prever quanto tempo estariam juntos, que forma o amor tomaria? Praticar o amor nesse contexto poderia tornar uma pessoa vulnerável a um sofrimento insuportável” disse Bell Hooks em seu texto “Vivendo de amor. ”

Tá, mas o qual a ligação disso com a forma com que construímos afeto entre os nossos hoje? A partir da mácula histórica, surgiu inúmeros estigma que assombram nossos relacionamentos.

Um dos principais estigmas que rondam a mulher negra perante a sociedade racista é o mito da salvação branca, que muitas vezes são estimulados dentro dos próprios lares pretos, como mecanismo de escape para evitar que seus filhos passem pelo preconceito feroz que ainda assombra a sociedade brasileira, visto que mulheres negras se relacionando e tendo filhos com homens brancos gerariam crianças de pele clara. Porém, esse medo acaba nos levando para longe de nossas origens. E o que é essa salvação branca? Seria algo bom para nós enquanto população? Como já citado acima os pretos, principalmente as mulheres pretas, sofreram e ainda sofrem para se relacionar e ter qualquer ato de afeto. “Dados do Censo 2010 mostram que 70% dos casamentos no país ocorrem entre pessoas de mesma cor e que as mulheres pretas (7% da população) são as que menos se casam”.

Diante de todos esses fatores que geram esse ambiente tóxico para milhares de negras no Brasil, expondo insegurança, muitas acabam por se conectar a relacionamentos abusivos.  Sem falar que é comum parceiros brancos, subjugar esta mulher ao lugar da vergonha. (Quem nunca ouviu a história da moça negra que não é apresentada para a família de seu namorado?).  Por estarem apaixonadas ou não dispor do peso da escolha de seus pares, surge a ideia de que estão sendo salvas. “Diante de várias mulheres brancas que ele poderia ter ficado, escolheu estar e construir uma vida comigo, uma mulher negra”. A partir dessa ideia que se concretiza o mito da salvação através da branquitude.

Posto isto, não queremos aqui dizer que mulheres negras não devam se relacionar com homens brancos. Não é justo limitar os afetos de mulheres negras, tão pouco dar a elas o título de “palmiteira”. Apenas propomos uma reflexão, esse parceiro compartilha de suas dores? Será que ele seria capaz de entender suas complexidades em relação a dar e receber afeto?

Acreditamos que o relacionamento entre pessoas pretas se dá como uma (re) conexão com os seus ancestrais, só então poderemos gerir e criar estratégias juntos, para que a próxima geração de crianças pretas, sobretudo as mulheres vejam beleza em si mesmas e consequentemente em suas possibilidades de afeto.

Seja feliz preta.

NOTA

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