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Dono de restaurante sofre ofensas racistas e agressões por parte de entregador de aplicativo

Osíris da Silva Moutinho (46), proprietário do restaurante Chica Burguer, sofreu duas agressões racistas por parte de um entregador de aplicativo no intervalo de menos de um mês, a segunda culminando em uma agressão física.

Registrado em boletim de ocorrência, o primeiro episódio se deu no dia 03 de abril quando Fernando Lourenço (47), entregador que estava a serviço da empresa Keeta para a retirada do pedido, chega ao restaurante perguntando se o pedido em questão estava pronto. O proprietário então responde que está em preparação e pede para aguardar.

Quando retorna para questionar a velocidade de preparação do pedido, Osíris o comunica que existem outros pedidos também na fila de montagem e pede novamente para aguardar e diz que o entregador está atrapalhando seu trabalho. Com isso Fernando ofende Osíris, o que resulta em sua expulsão do estabelecimento e em seguida, ameaça retornar. Com isso, o proprietário para se resguardar tira uma foto da placa da moto do entregador em questão, e nesse momento, de cima moto, Fernando o chama de “macaco desgraçado” (sic).

Dentro do procedimento legal desta situação, após a realização do B.O., o mesmo foi encaminhado para a Keeta pedindo o desligamento do entregador e iniciaram se as conversas com suporte e gerente de loja responsável pelo restaurante. Quando questionada sobre a possibilidade de desligamento do entregador racista, disse que estava fora de sua alçada, não poderia fazer nada e era diretamente com o suporte via app.

Por conta disso, 22 dias depois, o mesmo entregador foi retirar um pedido no restaurante e sua presença foi prontamente recusada pelos proprietários. Osíris, ao ver o agressor chegando na loja disse que ali não entraria, pois o tinha chamado de macaco. Quanto a acusação, Fernando confirma e diz “chamei mesmo de macaco” (sic). Em meio a discussão, quando questionado pela esposa da vítima, Krishna, reafirma a ofensa racista e desfere um soco em Osíris.

Dessa situação, houve uma resposta devida por parte do agredido, e o entregador é respondido com socos também. Como resposta, ele escala a situação e dá uma capacetada em Osíris antes de fugir, capacetada essa que resultou em 30 pontos e 4 dentes quebrados.

Com o B.O. atualizado e, somente após a agressão, foi possível excluir o entregador da plataforma, diferente do que tinha sido dito anteriormente pela gerente da loja que Osíris e Krishna estavam em contato tentando resolver a situação e evitando que o racista voltasse ao seu restaurante.

Depois de uma perícia médica e odontológica no IML, a Keeta tinha se prontificado a custear o tratamento de Osíris, porém retificou os termos e ofereceu uma quantia irrisória com a condição de confidencialidade sobre o ocorrido, inclusive referindo-se ao crime como “INCIDENTE”.

Até o presente momento, segue no curso da justiça dois processos, um contra o entregador e outro contra a empresa.

O tratamento de denúncias envolvendo o crime de racismo, crime no Brasil mas não no país de origem da plataforma, vai seguir da maneira que foi realizado? O que a lei brasileira determina como crime vai seguir sendo tratado como incidente por plataformas e empresas estrangeiras?

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