O ex-lateral foi um dls líderes da Democracia Corinthiana
O Jornal Empoderado esteve presente na última sexta-feira (09/10) na emocionante homenagem prestada ao ex-lateral-esquerdo Wladimir Rodrigues dos Santos, realizada no Campus Zona Leste da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). O evento foi organizado pelo Centro de Estudos Periféricos (CEP) e pelo grupo de pesquisa LAROYÊ, contando com o apoio do Sport Club Corinthians Paulista, por meio de seu Departamento Cultural e do Núcleo de Estudos do Corinthians (NECO).


O Craque da camisa 4
Nascido em São Paulo no dia 29 de agosto de 1954, Wladimir Rodrigues dos Santos é tido por historiadores e torcedores como o maior lateral-esquerdo da história do Corinthians. Formado nas categorias de base do clube alvinegro, o craque estreou no time profissional em 1972 e logo demonstrou uma regularidade física e técnica impressionantes: entre 1981 e 1983, alcançou a incrível marca de 161 partidas consecutivas, atuando como titular absoluto sem ser poupado ou lesionado.
Pai de Ludmila, Júlia e do ex-lateral-direito Gabriel, que começou no São Paulo e passou por vários clubes do Brasil.
Além da brilhante trajetória em campo, Wladimir destacou-se pela atuação política e sindical no esporte, consolidando-se como uma das vozes mais ativas da história do futebol brasileiro.
Números e Marcas de uma Lenda:
- Recordista histórico: É o atleta que mais vezes vestiu a camisa do Corinthians na história, superando a marca de 806 jogos.
- Democracia Corinthiana: Ao lado de ídolos como Sócrates e Walter Casagrande, foi um dos idealizadores e principais líderes do movimento na década de 1980, assumindo papel fundamental no engajamento político do grupo.
- Fim do jejum: Esteve em campo na histórica final do Campeonato Paulista de 1977, que encerrou o jejum de quase 23 anos do clube sem títulos estaduais.
- Resistência e ativismo: Sempre atuou fortemente na luta contra o racismo e na defesa dos direitos trabalhistas dos atletas.
- Títulos pelo Corinthians: Campeão Paulista em 1977, 1979, 1982 e 1983.
- Seleção Brasileira: Estreou em 1977, nas Eliminatórias da Copa do Mundo, e sagrou-se vice-campeão da Copa América em 1983.
Uma Noite de Saberes, Memória e Afeto
A noite no Campus Zona Leste da UNIFESP foi repleta de trocas de conhecimentos, sorrisos, autógrafos e celebração. Com a generosidade e a simplicidade que lhe são peculiares, Wladimir esbanjou carisma ao atender carinhosamente a cada pessoa presente. A programação contou com um documentário sobre a trajetória do craque e duas mesas de debate dedicadas a analisar sua história e seu legado social.
Sua companheira, Roseli dos Santos, expressou grande emoção ao comentar o reconhecimento recebido:
“Ficamos muito surpresos e emocionados com o convite. O Wladimir merece — e muito — todas as homenagens possíveis em vida.”
O jornalista e biógrafo do atleta, Hélio Alcântara, destacou a urgência de debates acadêmicos com esse perfil no contexto atual:
“[…] esse tipo de evento é muito importante, porque provoca a reflexão e a troca de observações, de entendimentos das coisas, especialmente neste momento que a gente está vivendo, vendo um momento histórico, né? Que a gente corre o risco de perder várias conquistas, eh, libertárias, vamos dizer assim. E isso é uma coisa muito simples, o lugar de discussão que é a universidade, a escola. A gente tá correndo esse risco, então cada vez mais, eh, mais importante esse tipo de evento, como o daqui da Unifesp.”
Já o professor e jornalista Juarez Xavier enfatizou a relevância da atividade sob três pilares fundamentais: a resistência “frente ao avanço do fascismo no Brasil”, o resgate da memória “pela democracia da Democracia Corinthiana” e a reafirmação da “história preta do Corinthians”.






Nota do Editor-Chefe
Na biografia escrita pelo grande jornalista Hélio Alcântara, uma passagem marcante de Wladimir atravessa quem a lê e serve de bússola para o nosso dia a dia. Ao responder sobre como enfrentou o racismo ao longo de sua trajetória, o camisa 4 declarou que “aprendeu a acomodar a dor para seguir em frente”.
Agradecemos profundamente à Rose e ao Hélio pelo convite e pela acolhida. Seguimos firmes na missão de exaltar a memória deste que é um dos maiores nomes do futebol brasileiro — um ser humano ímpar, simples e incansável na defesa dos invisíveis, da população negra e da permanente vigília pela DEMOCRACIA.











