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Partículas Acesas: música, encontros e um ativismo do bem.

Projeto de Peu Meurray e Aline Marco une música, sustentabilidade, experimentação e transformação social em uma experiência que busca deixar uma “partícula acesa” em quem escuta.

O Partículas Acesas nasce da música, mas carrega uma relação muito forte com sustentabilidade, natureza, cultura e transformação social. Como surgiu essa ideia?

Aline Marco

 O Partículas Acesas surgiu da nossa conexão pela música, mas também da vontade de fazer o bem e compartilhar mensagens positivas sobre a vida, o planeta e sobre nós mesmos. Nasceu, primeiro, daquilo que o nosso encontro provocou em nós. Peu é muito ligado à astrologia e eu à física quântica. São universos diferentes, mas que nos aproximam da percepção do invisível, da energia e de como aquilo que não vemos também pode nos afetar e afetar o mundo. Somos, como gostamos de dizer, “Ativistas do Bem, Mensageiros do Amor”. Queremos afetar o outro positivamente por meio das frequências e dos sons, das nossas falas e da própria presença. A sustentabilidade, para nós, não é apenas um tema, mas uma forma de pensar as relações: com a natureza, com o planeta e, principalmente, entre nós.

Peu Meurray:

Pneumaticamente falando. [risos]

Poeticamente falando, Partículas Acesas é sobre acender todas as partículas do universo. A Partícula Acesa nasce de uma amizade musicada. É uma amizade que nasce na Bahia e vem florescer em São Paulo. Gosto de pensar nisso como uma plantinha, uma semente que nasceu em Salvador há cerca de dez anos e que a gente vem regando desde então. Essa semente começou com o Coletivo Gente Boa Se Atrai, formado por mim, pela Aline e pelo Fabinho. A partir dali, a amizade foi se transformando em música, encontros, criação e novas possibilidades. Para mim, Partículas Acesas tem essa ideia de algo que nasce pequeno, como uma semente, mas encontra espaço para crescer, florescer e se espalhar.

Aline, qual é o seu olhar sobre o Partículas Acesas e sobre o seu papel dentro do projeto?

Aline Marco:

Quando penso no Partículas Acesas, lembro de uma frase que ouvi há muitos anos de Carlinhos Brown: “O bom mesmo é o coletivo.” E é muito isso. Acho bonito o encontro entre o masculino e o feminino, a delicadeza e a firmeza, a terra e a água. Eu sou taurina e tenho essa conexão com o chão, com os cinco sentidos, com a estabilidade e a realização. Peu é pisciano: água, emoção, fluidez, um oceano sem limites. Percebo uma complementaridade muito bonita entre nós. Dentro do meu feminino existe uma partícula masculina de Peu, assim como provavelmente existe uma partícula feminina minha nele. É uma união onde tudo se inclui. Meu papel é trazer delicadeza e sofisticação para a arte e para a vida, mas também firmeza para que esse movimento continue existindo. Acredito que essa união pode provocar coisas lindas: alegria, esperança, tesão de vida. São canções que, como Jorge falou, tiram a gente do desalento. E, quem sabe, a partir disso, plantar sementes de conscientização e de relações mais sustentáveis, onde todos possam se sentir incluídos, pertencentes e cuidados.

Que mensagem vocês querem levar ao público através das músicas, dos shows e da própria existência do Partículas Acesas?

Aline Marco:

Eu gostaria que as pessoas saíssem de uma experiência do Partículas Acesas com alguma coisa acesa dentro delas. Pode ser alegria, esperança, uma pergunta, uma memória, uma vontade de viver, de criar, de cuidar ou de se relacionar de outra maneira. Enfim, alguma contribuição para elas. A gente vive um tempo de muita aceleração, e isso nos desconecta. Então queremos que a música seja um convite à presença, à percepção de si, do outro e do planeta. Queremos que cada pessoa se perceba também como natureza, como energia, e compreenda que aquilo que faz e a maneira como se relaciona reverberam no outro e no mundo. Talvez o que a gente deixe depois de um show seja justamente uma pequena semente: a vontade de cuidar mais, amar mais, estar mais presente e construir relações mais sustentáveis. Que cada pessoa saia levando uma pequena partícula acesa dentro de si.

Peu Meurray:

A mensagem do Partículas Acesas a gente já fala: vamos fazer o bem. Para quem tem, para quem não tem, vamos fazer o bem.Gente boa se atrai. A gente vem nesse universo para fazer essa troca, para emanar e regar as pessoas de amor.

Peu, sua trajetória musical é marcada pela pesquisa, pela experimentação e pela criação de novas possibilidades sonoras. Como isso se reflete na identidade do Partículas Acesas?

Peu Meurray:

A minha trajetória como percussionista começou muito cedo. Eu costumo dizer que já nasci dentro de um tambor — a barriga da minha mãe era praticamente um tambor. Virei o tambor pela curiosidade e pela inquietação. A plasticidade da percussão é um universo que não tem fim. Ao longo das minhas pesquisas, fui buscando compreender as dinâmicas, as timbragens, as rítmicas e a polirritmia, entrando em contato com universos musicais de diferentes continentes, como África, Índia e os países árabes. Dentro do caldeirão brasileiro existe uma polirritmia muito rica e uma diversidade enorme de instrumentos de percussão. A partir dessa pesquisa, comecei também a desenvolver meus próprios instrumentos, utilizando tonéis, cones, materiais reciclados, tampas e ferros. E foi assim que o pneu entrou na minha trajetória. Tive essa ideia por volta de 1998, às margens do Rio Tietê, quando vi uma máquina escavando uma grande quantidade de pneus. Uma ideia simples acabou se transformando em um mundo pneumático que se tornou essencial para a minha carreira. Fui me tornando inventor, artista plástico e também um artista ligado à reciclagem, ao meio ambiente e à sustentabilidade, com os tambores de pneu. Minha vida acabou se transformando em um ativismo do bem. Essa trajetória reflete diretamente uma sonoridade que me pertence, que me agrada e que me faz muito feliz em poder transitar com esses tambores.

Notas do Pié.

O que é partícula?

Partícula é o mínimo divisível, o início, o princípio. Pêu Meurray e Aline Marco mostram que fazer música também é olhar para si mesmo, olhar para si se espelhando no outro, buscando apresentar um projeto que una música, sustentabilidade, acessibilidade e a questão social, também como um ato de resistência. Quando penso em partícula, penso não apenas na bóson de Higgs, mas em algo muito próximo, muito simples, tão pequeno mas tão importante, que pode fazer a diferença e mudar muito a forma como a música é vista no mundo. Partículas Acesas representa essa visão, um projeto com uma visão real de artistas que realmente exercem a nobre execução da arte.

NOTA

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