São Paulo – A capital paulista recebe, a partir do dia 27 de junho, a exposição “No Olho da Rua!”, do fotojornalista, artista e ativista Sato do Brasil. A mostra será realizada no Memorial da Resistência de São Paulo e conta com a curadoria de Juliana Caffé e começa a partir das 11h.
Reunindo mais de uma década de trabalho, as imagens expostas foram produzidas inteiramente com aparelhos celulares durante manifestações, ocupações e mobilizações sociais na cidade de São Paulo. O projeto evidencia a fotografia como uma poderosa ferramenta de documentação, participação política e construção da memória de diferentes formas de organização coletiva e ocupação do espaço urbano.
Em diálogo direto com o midialivrismo e a comunicação independente, a mostra tem o apoio da organização ARTIGO 19. A exposição é estruturada em quatro eixos temáticos – “Encontrar”, “Ocupar”, “Intervir” e “Conviver” – e apresenta um verdadeiro mapeamento de coletivos e redes de articulação atuantes na capital paulista.
Uma década de história política e urbana
O Jornal Empoderado conversou com Fernando Sato sobre esta que é a sua primeira exposição individual. O processo de mais de dez anos fotografando o cotidiano das ruas começou em 2015, durante o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, e se estende até 2025, acompanhando a volta de Lula à presidência, além de registrar de perto os tensionamentos e problemas das gestões municipal e estadual de São Paulo.
Ao longo de sua trajetória, Sato contribuiu ativamente com diversos coletivos e movimentos, como os Jornalistas Livres, Casa da Lapa, Frente 3 de Fevereiro, Birico Arte, Condô Cultural, Cordão da Mentira, Biricar, Aparelhamento, Nós Artivistas, Ocupe a Mídia e Revolução Periférica, entre outros. Nota da redação: O Jornal Empoderado também já contou com a colaboração do fotógrafo.
Um roubo mudou tudo
Sato relembrou o início de sua trajetória e como a falta de um equipamento tradicional o levou a descobrir novas linguagens visuais:
“Eu tinha uma câmera que ganhei de presente do meu pai, mas roubaram minha casa e a levaram. Fiquei sem equipamento. Meu trabalho sempre foi voltado para direção de arte, design, editoração e sinalização; eu entendia as diferenças de imagem para cada suporte, mas a fotografia era a única coisa que eu não fazia por falta de equipamento.
Quando os celulares com câmera surgiram, viajei pela primeira vez para o exterior, em 2008, e comprei um aparelho para registrar a viagem. Como sempre gostei da imagem, comecei a me adaptar rapidamente à construção visual pelo celular. Virei um adicto da foto de celular e mergulhei na mobigrafia, buscando entender os limites do aparelho e ultrapassar suas barreiras.
Sempre amei a fotografia como uma ilustração da realidade, a sua construção gráfica. Os pequenos pedaços de tempo que a gente consegue iluminar com uma foto. Transformar coisas banais em momentos especiais. Criar personagens míticos com pessoas do dia a dia. E, com os Jornalistas Livres, narrar um tempo político, uma guerra silenciosa, um grito de dor, um sorriso perdido no meio do gás e da bomba. Aumentar outras vozes, transformar imagens em berros da cidade e de um país. Acho que é mais ou menos isso.”














