Brasília – A Fundação Banco do Brasil realizou, entre os dias 27 e 29 de maio, o 13º Festival de Soluções Sociais para o Brasil. O evento, sediado no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) na capital federal, promoveu um amplo espaço de diálogo e premiações voltados à transformação social.
A convite do projeto “Território Mídia Brasil (TMB)” e do “Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé“, a equipe do Jornal Empoderado acompanhou de perto as atividades. O festival jogou luz sobre a urgência do país em fomentar novas tecnologias sociais — expressão fortemente defendida pela multiartista e ativista Preta Ferreira, uma das convidadas de destaque do encontro.
Coquetel de abertura

Coquetel de abertura e balanço institucional
Na noite de 26 de maio, antecedendo a abertura oficial ao público, a Fundação Banco do Brasil recebeu a imprensa e convidados para uma avant-première. O coquetel de recepção contou com uma breve apresentação do cronograma e uma visita guiada à exposição de Tecnologias Sociais, oferecendo o primeiro contato com soluções inovadoras e acessíveis desenhadas para desafios reais das comunidades brasileiras.
Durante a abertura, André Machado, da Fundação Banco do Brasil, celebrou os 40 anos de atuação da entidade:
“O Festival nasce para dar visibilidade ao que já está dando certo no Brasil profundo, com soluções construídas junto às comunidades e com grande potencial de transformação em diferentes territórios. Nesta edição do Prêmio, vamos investir R$ 6 milhões no fortalecimento de 40 iniciativas selecionadas entre mais de mil inscritas em todo o país.”
Rogério Miziara, gerente de Tecnologias Sociais da Fundação, inaugurou a exposição destacando o impacto direto e a capacidade de replicação dessas metodologias:
“As tecnologias sociais são soluções que já foram testadas e deram certo na prática, porque nascem e são desenvolvidas junto com as comunidades. Elas são organizadas, sustentáveis e têm grande potencial de reaplicação, permitindo que esse conhecimento chegue a outros territórios e beneficie ainda mais pessoas.”
Entre os jornalistas presentes, estava Anderson Moraes, fundador do Jornal Empoderado, que ressaltou a força das iniciativas e a organização do evento. “O que mais traduz esse evento é a palavra impacto. As tecnologias sociais mostram, na prática, como soluções simples conseguem transformar realidades, especialmente em comunidades mais vulneráveis. A organização e o acolhimento também chamam atenção”, disse.

Em sua fala, a presidenta do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, reforçou a importância das tecnologias sociais. “Este evento reconhece e valoriza tecnologias sociais, destacando projetos que geram impacto real na vida das pessoas. A Fundação Banco do Brasil é o coração social do nosso grupo e reforça, a cada edição, o compromisso com soluções que transformam realidades em todo o país.”
Fala, Presidente!
o Empoderado conversou em uma entrevista exclusiva com André Machado, Presidente da Fundação BB sobre importancia do festival, proteção das ainiciativas contra patentes e muito mais.
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O presidente detalha os desafios de se produzir as tecnologias em larga escala, analisando como expandir tecnologias que hoje atendem populações em extrema vulnerabilidade para o restante da sociedade.
Respostas estratégicas sobre como resguardar os saberes e tecnologias comunitárias diante do avanço e assédio de grandes multinacionais.
Painéis: Dois dias de trocas de saberes, falas potentes e afetos.
Painel 1: Finanças, Território e Justiça Social: Soluções para um Brasil Sustentável
- Participantes: José Alves Cardoso, Nath Finanças e Douglas Belchior.
O debate central girou em torno da construção de alianças que integrem as demandas comunitárias às políticas públicas, buscando modelos de desenvolvimento capazes de mitigar desigualdades históricas nos territórios.
A influenciadora e criadora de conteúdo voltado à educação financeira para a população de baixa renda, Nath Finanças, defendeu a democratização do conhecimento:
“A educação é o que transforma e faz a gente sair do campo da desigualdade para questionar, para olhar. […] Foi justamente na faculdade que eu entendi que não adianta você querer administrar um negócio ou empreender se você não tiver educação financeira.”
O educador e fundador do movimento de educação popular UNEAfro Brasil, Douglas Belchior (Negro Belchior), reiterou o papel da instrução como motor de mobilidade social:
“Quase toda história de superação individual, familiar e comunitária tem a ver com a educação. […] Uma casa que tem livros, mesmo quando a mãe não estudou, incentiva o filho. Ela corta todos os gastos, mas mantém o filho na escola porque sabe que isso é o futuro dele.”
José Alves Cardoso, executivo de ASG do Banco do Brasil, ressaltou o papel institucional na agenda:
“A gente usa a nossa capilaridade, a nossa presença como uma força motriz da nossa atuação para nos conectarmos com as pessoas e com os territórios. Fazemos isso via Fundação Banco do Brasil há 40 anos. É o nosso compromisso público com a Agenda 2030.”

Painéis: Dois dias de troca de saberes, falas potentes e afetos
Painel 1: Finanças, Território e Justiça Social: Soluções para um Brasil Sustentável
- Participantes: José Alves Cardoso, Nath Finanças e Douglas Belchior.
O debate central girou em torno da construção de alianças que integrem as demandas comunitárias às políticas públicas, buscando modelos de desenvolvimento capazes de mitigar desigualdades históricas nos territórios.
A influenciadora e criadora de conteúdo voltado à educação financeira para a população de baixa renda, Nath Finanças, defendeu a democratização do conhecimento:
“A educação é o que transforma e faz a gente sair do campo da desigualdade para questionar, para olhar. […] Foi justamente na faculdade que eu entendi que não adianta você querer administrar um negócio ou empreender se você não tiver educação financeira.”
O educador e fundador do movimento de educação popular UNEAfro Brasil, Douglas Belchior (Negro Belchior), reiterou o papel da instrução como motor de mobilidade social:
“Quase toda história de superação individual, familiar e comunitária tem a ver com a educação. […] Uma casa que tem livros, mesmo quando a mãe não estudou, incentiva o filho. Ela corta todos os gastos, mas mantém o filho na escola porque sabe que isso é o futuro dele.”
José Alves Cardoso, executivo de ASG do Banco do Brasil, ressaltou o papel institucional na agenda:
“A gente usa a nossa capilaridade, a nossa presença como uma força motriz da nossa atuação para nos conectarmos com as pessoas e com os territórios. Fazemos isso via Fundação Banco do Brasil há 40 anos. É o nosso compromisso público com a Agenda 2030.”
Painel 2: Cultura e Educação: Saberes que Transformam Territórios
- Participantes: Margareth Menezes (Ministra da Cultura), Socorro Acioli, Itamar Vieira Junior e Daniel Munduruku.
A mesa debateu como a descentralização da cultura e seu enraizamento regional podem expandir direitos, gerar emprego e renda, além de fortalecer laços sociais.
A ministra Margareth Menezes relembrou o impacto do ensino de artes na juventude:
“Em cinco ou seis anos de aulas de teatro na escola, eu tive a possibilidade de ter alguém que me conscientizou em relação ao meu potencial artístico.”
O escritor e ativista Daniel Munduruku conceituou a conexão profunda com as origens:
“A pedagogia do ‘pertencer’ é um pertencer que é mais do que fazer parte do território; é saber-se a própria terra. Estar na terra, ser a própria terra. Isso cria mais comprometimento e mais respeito.”
O autor Itamar Vieira Junior, resgatando o pensamento de Antônio Cândido, lembrou que o conhecimento expande os limites dos livros:
“As tradições orais transmitidas de geração em geração dentro de uma família ou comunidade; o canto do indígena… Aquele canto conta uma história e é uma forma de se posicionar no mundo. Isso é tornar a educação brasileira mais inclusiva.”

Painel 3: Desafio do Mundo do Trabalho: Precarização, Tecnologia e Caminhos Coletivos
- Participantes: Tereza Campello, Ludmila Costhek e Leonardo Sakamoto.
O jornalista Leonardo Sakamoto traçou uma linha histórica sobre a deterioração dos direitos trabalhistas no Brasil, pontuando os impactos da “uberização”. Em complemento, a pesquisadora Ludmila Costhek ilustrou o cenário trazendo o caso real de Afrânio, um entregador de aplicativo cuja rotina e estabilidade financeira foram severamente precarizadas após a transição do emprego formal para as plataformas digitais.

Painel 4: Soberania Alimentar e Justiça Social: Caminhos para Superar a Fome no Brasil
- Participantes: Padre Júlio Lancellotti, João Paulo Rodrigues e Preta Ferreira.
O dirigente nacional do MST, João Paulo Rodrigues, foi categórico ao afirmar que qualquer debate sério sobre o combate à fome passa obrigatoriamente pela Reforma Agrária e pela democratização fundiária. Ele apresentou dados alarmantes e defendeu propostas estruturais:
- Qualidade do Alimento: Criticou a falta de regulamentações rígidas no Brasil (citando a ausência de um percentual mínimo de fruta em alimentos industrializados, como ocorre na Europa), afirmando o potencial do MST e dos pequenos produtores em fornecer alimentos saudáveis.
- Mecanização e Concentração: Denunciou que apenas 5% dos agricultores familiares do Nordeste têm acesso à mecanização agrícola, enquanto o país ostenta um dos piores índices de concentração de terra do globo, com 46% do território controlado por apenas 1% da população.
- Ociosidade da Terra: Apontou a existência de cerca de 200 milhões de hectares ociosos (metade improdutiva e metade voltada à especulação imobiliária e financeira). Ele defendeu a redistribuição para povos indígenas, quilombolas e trabalhadores acampados (atualmente mais de 150 mil famílias), com foco exclusivo na produção de alimentos.
O Padre Júlio Lancellotti trouxe uma abordagem humanitária e contundente sobre as barreiras enfrentadas pelas populações de rua e periféricas:
- A Conflitualidade do Básico: Afirmou que lutar pelo direito à alimentação gera conflitos diretos com o sistema e exige forte resistência.
- Teoria vs. Prática: Apontou o abismo existente entre relatórios institucionais e a realidade dura de quem enfrenta o frio e a fome nas calçadas, criticando também a exclusão digital de ferramentas como o portal Gov.br, de difícil acesso para vulneráveis.
- Lógica do Descarte: Citando Paulo Freire e o Papa Francisco, criticou a ideologia da meritocracia e do individualismo no capitalismo neoliberal, que opera sob uma lógica de descarte humano e responde com violência policial do aparato estatal contra os empobrecidos que ousam protestar.
A ativista Preta Ferreira (integrante da Ocupação 9 de Julho, no centro de São Paulo) encerrou o painel conectando a soberania alimentar à moradia, ao combate ao machismo e ao racismo estrutural:
“Se você mora de aluguel, você também é um sem-teto em potencial. Se perdermos o emprego e a renda, a rua será a nossa morada. A luta é de todo mundo.”
Preta defendeu a formação política de base — quando o cidadão compreende seus direitos constitucionais e passa a participar ativamente da sociedade de forma não partidária — como a única saída. Lembrou, por fim, que a urgência é humanitária: “Ainda existem pessoas morrendo de fome a cada quatro minutos no mundo. As guerras nas favelas, periferias e fora do país matam pela fome. A transformação real só se dará pela participação popular.”



















Premiação e Legado
O encerramento do festival foi marcado pela premiação das 40 iniciativas sociais selecionadas entre as 1.107 inscritas nesta edição. Os projetos agora passam a integrar o catálogo de mais de 900 tecnologias certificadas pela Fundação BB na plataforma Transforma.
Contemplando soluções nas áreas de educação, saúde, meio ambiente, geração de renda e sustentabilidade, o festival se consolidou como um polo essencial de articulação entre a academia, os saberes tradicionais e a mobilização comunitária para mitigar as desigualdades do país.


Coordenadora do TMB conversou com o JE e trouxe suas reflexões sobre o Encontro
Ela destacou a importância do evento promovido pela Fundação Banco do Brasil, qualificando-o como um espaço rico de reflexão. Entre as principais questões levantadas por ela, destacam-se:
- O Papel do Comunicador na Ponta: Dágmar pontua que os comunicadores comunitários exercem funções essenciais na defesa da democracia e dos direitos humanos, além de combaterem os “desertos de notícias” e as fake news.
- Direitos Trabalhistas: Ela questiona se o trabalho desses profissionais não deveria ser devidamente enquadrado e resguardado pelas mesmas condições e direitos trabalhistas vigentes, uma vez que prestam um serviço de interesse público e comunitário nos territórios.
- Distribuição de Verbas: É ressaltado o problema da assimetria nos recursos de comunicação, apontando que as verbas publicitárias que irrigam os grandes conglomerados de mídia do país não chegam até a comunicação popular.
- Valorização e Reconhecimento Financeiro: Por fim, ela propõe o debate sobre a busca por novos caminhos que permitam não apenas o reconhecimento simbólico da defesa exercida por esses profissionais, mas também o reconhecimento financeiro justo a esses trabalhadores brasileiros.
Apoiadores
O Festival de Soluções Sociais para o Brasil é uma realização da Fundação Banco do Brasil, com apoio do CCBB Brasília, da BB Asset, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e da Associação Brasileira de Ensino Pesquisa e Extensão em Tecnologia Social (ABEPETS).
Nota de agradecimento: Nossa gratidão à Fundação Banco do Brasil, ao presidente André Machado e a toda a equipe de colaboradores — em especial a Bruno Maciel Moraes, Alenor Alves, Ana Maria Siqueira e Sousa e Lara Rockenbach — pelo carinho, suporte e parceria fundamentais para o sucesso desta cobertura jornalística.









