A qualidade da música brasileira é incontestável, principalmente pela importante característica de assimilar e reinventar sons do mundo todo dentro de uma roupagem e com o tempero próprio. A obra do cantor e compositor Marcos Bernardino é exatamente assim, repleta de charme e criatividade unindo a black music internacional e um som genuinamente brasileiro e inovador.
Agora em 2026, o cantor e multi instrumentista Marcos Bernardino prepara um novo EP chamado ‘Semelhante’ para o mês de outubro com uma grande expectativa de retorno à origem do soul, usando como referência a musicalidade mais orgânica de sexy, inspirada em artistas como D’Angelo.
“É um com mais textura, mais intencional. Vou resgatar a minha relação com o início do soul. Vamos começar com um EP e depois desmembrar para um álbum”, diz Marcos Bernardino, que também adianta que o material a ser lançado em 2026 terá “um flerte com o samba”.
A carreira musical começou muito cedo, no interior do Paraná, aos 4 anos de idade, quando participou do primeiro festival musical.
Em 2016 ele lançou o álbum Áspera, com posições que fizeram muito sucesso na cena curitibana como ‘Banzo’ e ‘Real Valor’, que destacam tanto o ritmo negro como a negritude nos temas das letras.
Um trecho da letra de ‘Real Valor’ diz: “Coroa esse moleque que ele vai reinar, ensina o valor que tem esse lugar. Orgulho pra família, esse moleque é bom. Os tios, o vô e primos são negão. Ascende essa vela que é para ele estudar. Esquenta essa comida que ele vai jantar. E conta o dinheiro dessa condução. Mamãe quer te ver lindo na televisão”.
Na época do álbum Áspera, ele usava o nome Marcos Neguers, como forma de reafirmar a negritude em território do país com muita tensão racial. Confira a entrevista completa com o Marcos Bernardino:
Quando você decidiu que seria músico profissional?
Aos 10 anos, cantando em festivais e bandas de baile no interior do Paraná!
Qual a sua memória musical mais antiga?
Quando enxerguei por sobre a mesa, pude ver o rádio por onde saia o som.
Como foi o seu contato e o estudo da soul music?
Aos 13 anos, deixei o cabelo crescer, para parecer o Kurt Cobain, seguramente tive um black Power, e um cobrador de ônibus me perguntou se eu era “Black Power”, naquele dia fiz minha primeira pesquisa no Windows 95. Descobri Malcolm X e Luther King, James Brown…
Como foi que surgiu a ideia do nome Marcos Neguers e o conceito do álbum “Áspera” de 2016?
O sobrenome surgiu na adolescência quando colocamos o sufixo ers para características físicas que tínhamos, no meu caso, a Negritude. Áspera: impossível passar por ela sem que deixe marcas.
Quais as principais características da cena musical independente de Curitiba?
Tem uma forte influência do rock, do clima nublado, das influências européias, de tudo que for clássico. De muita composição e cenário que não impacta o país.
Quais as principais características e desafios da música negra em Curitiba?
São sem dúvida nenhuma as referências, o público, os espaços e os palcos.
Como foi que surgiu a letra de “desamor” e qual a mensagem da música?
Surgiu em 2014, época de muito quarto de hotel, era uma forma de compartilhar que o amor se transforma, mas que ainda quero que o outro seja feliz.
Como foi que você selecionou os artistas que estão no seu repertório com Tim Maia, Jorge Ben, Marvin Gaye e Stevie Wonder?
Esses artistas, por meio da obra e do legado, estiveram na segunda metade da minha vida todos os dias.
O que te inspira como temas para composições?
É o sentimento. Observo o sentimento
Quais são os direcionamentos do seu processo de composição?
Pausas, amor. Transformação, envelhecer
Quais os instrumentos que você toca e como foi o processo de aprendizagem deles?
Violão, bateria, piano. Todos eles eu aprendi de uma forma autodidata. Ouvindo e experimentando sons em nossa casa, com os parentes dando uma dica ou outra.
Confira o videoclipe de Real Valor









