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Padre invade ritual, agride e chama líder religioso de “macaco” em Praia Grande

Comunidade de matriz africana denuncia intolerância religiosa; vítimas pedem responsabilização e mostram vídeos da confusão

A cidade de Praia Grande, no litoral paulista, foi palco de um grave episódio de intolerância religiosa no dia 2 de novembro. Durante uma atividade oficial da prefeitura, o padre Thomaz, da Paróquia Nossa Senhora das Graças, invadiu um ritual de matriz africana, agrediu fisicamente a Ekedy Monique e dirigiu insultos racistas ao sacerdote Baba Leandro de Oxalá (Leandro Baiano), presidente da Comissão de Matrizes Africanas da cidade.

“Ele entrou falando ‘sai, sai, sai, nojento, macaco’. Eu estava no meu horário. Ele me humilhou diante de todos”, contou Leandro Baiano ao Jornal Empoderado.

Segundo o líder religioso, a cerimônia fazia parte da programação oficial do Dia de Finados, organizada pela Prefeitura de Praia Grande e pela Secretaria de Cidadania. O horário destinado ao culto era das 14h às 16h, o que é comprovado pelos documentos e programação enviados ao jornal.

Invasão e agressões

O episódio ocorreu por volta das 15h28, quando o padre entrou no espaço destinado ao culto ancestral. Leandro relatou que o religioso exigia a saída imediata da equipe, mesmo fora do horário dele.

Eu falei: ‘Seu padre, já estou acabando, estou dentro do meu horário. O seu horário é às 16h’. Ele repetia: ‘Sai, nojento, macaco. Sai do meu horário’.”

Na confusão, o padre também teria empurrado e agredido Ekedy Monique, esposa de Leandro.

Racismo religioso

“Sou preto, pai de cinco filhos, ministro religioso, presidente da Comissão, agente cultural, e ainda assim tenho que ouvir isso em pleno século XXI. Ser chamado de macaco é devastador”, afirmou Leandro.

Ele denuncia que o padre tentou acionar autoridades alegando que o ritual estaria “fora do horário”, o que não corresponde à verdade: “Ele queria mandar na cidade. Mas a gente não vai deixar barato.”

Polícia chamada ao local

Após a confusão, a Polícia Militar foi acionada e esteve no espaço, conversando com os integrantes da casa de axé.

Quem é Baba Leandro de Oxalá

Leandro Baiano é uma figura conhecida na luta por direitos e igualdade racial em Praia Grande. Além de sacerdote, ele é:

  • Presidente da Comissão de Matrizes Africanas da cidade
  • Vice-presidente do COPI (Conselho de Promoção da Igualdade Racial)
  • Ministro religioso do Ilê Axé Ilá Qetú de Oxalá
  • Agente cultural
  • Líder de três casas de axé no estado de São Paulo e na Bahia

Comunidade exige responsabilização

A Comissão de Matrizes Africanas já emitiu nota oficial repudiando o ato, classificando-o como intolerância religiosa e racismo. O documento cobra que as autoridades apurem o caso e responsabilizem legalmente o sacerdote.

O Jornal Empoderado segue acompanhando o caso e reforça que nenhuma religião pode ser atacada, violentada ou humilhada neste país. A liberdade de culto é garantida pela Constituição e deve ser assegurada em todos os territórios, especialmente em atividades oficiais do Estado.

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