Ilustrador do livro “O Menino Que Pensa Fora da Caixa” transforma territórios e pessoas com arte e sensibilidade
Dinas Miguel é arte-educador, grafiteiro premiado e criador do projeto social “Cultura e Conceito”. Mas, acima de tudo, é um artista que acredita no poder transformador da arte — especialmente quando ela nasce da troca com o outro. Essa filosofia pulsa nas ilustrações que Dinas criou para o livro O Menino Que Pensa Fora da Caixa, lançado recentemente com texto original de Toni C.

A obra é um convite visual e poético à imaginação, abrindo-se “pra cima”, como autoestima — e como os murais verticais das grandes cidades. “O livro remete às empenas, que são aqueles grafites nos prédios. Quando você o abre, é como se estivesse vendo um grafite nas ruas. É um livro pensado realmente fora da caixa”, explica Dinas.
A parceria com Toni C.
A conexão com o roteirista e escritor Toni C. surgiu de forma orgânica, como uma amizade que floresceu através da arte.
“Conheci o Toni alguns anos atrás, numa exposição na feira Expo Consciência Negra. Fui apresentado por um amigo em comum e começamos a trocar. Virei cliente dele, ele virou meu cliente, parceiro, amigo”, conta Dinas. Foi nessa relação de troca constante que surgiu o convite: “Ele falou: ‘poxa, tem um projeto aqui que é sua cara’. E realmente era. Juntou os nossos desejos e criamos, a várias mãos, esse projeto.”

Poética das ruas e das pessoas
O trabalho de Dinas vai muito além da estética. Ele leva para os livros, murais e oficinas o que há de mais urgente e afetuoso nas periferias brasileiras: a potência de um povo. “Na minha poética artística, trago o povo afro, o povo periférico, o povo indígena. Mas também falo de amor, afeto, empatia, das relações humanas, de meio ambiente. E quando falo de meio ambiente, falo das pessoas, da forma como a gente troca e cultua o outro.”
Essa abordagem sensível está impressa em cada página do livro, que também serve como ferramenta pedagógica. “Cada página traz ilustrações com técnicas diferentes, o que tem uma pegada bem pedagógica para incentivar as crianças, familiares e educadores no processo criativo.”
Transformar territórios com arte
Dinas também carrega uma missão clara: transformar pessoas e lugares com arte. E ele tem feito isso por onde passa — com oficinas e escolas públicas e particulares, em centros de acolhimento, com adolescentes em liberdade assistida e até em unidades da Fundação Casa. “A arte deixa uma marca. Deixa um legado construído com as pessoas do entorno. E isso muda vidas. Muda o cotidiano”, afirma.
Para ele, O Menino Que Pensa Fora da Caixa é mais uma ferramenta nessa jornada. “Foi um trabalho de meses de dedicação, desenhando, escrevendo, fazendo reuniões para estruturar e dividir os saberes. Espero que o livro alcance muitas pessoas, que possamos construir juntos um mundo melhor.”
Um conselho para quem quer fazer arte com propósito
Dinas deixa um recado importante para quem também deseja transformar o mundo por meio da arte: “Valorize o processo criativo e, acima de tudo, valorize as pessoas. Não pense de forma vertical, mas horizontal. Em cada lugar já existe uma história, uma cultura. A gente está ali para contribuir — e aprender.”

Com humildade e potência, o artista ainda compartilha um lema que o guia: “Ninguém é tão grande que não possa aprender, ninguém é tão pequeno que não possa ensinar. Quanto mais a gente compartilha, mais corações podemos tocar, mais lugares podemos transformar e colorir. Isso é o mais importante.”
O Menino Que Pensa Fora da Caixa é muito mais do que um livro infantil. É um manifesto visual pela liberdade de sonhar e criar, e um exemplo concreto de como a arte pode (e deve) ir além das margens e das páginas — alcançando o mundo real, com cor, empatia e ancestralidade.










