ENTRETENIMENTO

O samba não tem fronteiras

Convidado que fui para escrever sobre samba, especificamente sobre o samba carioca, pois do samba de São Paulo pouco sei, diga-se de passagem, apesar de já ter sido jurado aqui no carnaval de 2013.Mas quero dizer que na minha visão o samba é samba em qualquer lugar.
Sou nascido e criado no Morro da Mangueira e comecei a desfilar com 10 anos de idade.Constantemente via Cartola, Nelson Cavaquinho eoutros bambas de lá.Mas a minha bandeiramaior é o samba e onde ele estiver torcerei por ele.

Seja na Mangueira, seja na Portela seja no Salgueiro seja na Mocidade Alegre seja na Camisa Verde e Branco seja na Vai Vai, o samba será sempre samba independente de quem leva a bandeira.

E por falar em Vai-Vai, no final dos anos 60 o compositor Zé Di, paulista de Mogi das Cruzes, ingressou na ala de compositores dessa agremiação e foi autor de dois sambas-enredo.Em 1971, no enredo ”Independência ou morte”, seu samba foi tão bom que ultrapassou São Paulo, indo parar nas rádios de outros centros, fazendo, inclusive muito sucesso no Rio de Janeiro, tocando muito nas principais emissoras da época.Também foi autor do samba-enredo de 1972, com o tema”Passeando pelo Brasil”.

Como o samba não tem fronteiras, Zé Di resolveu se aventurar e desembarcou aqui, no Rio de Janeiro, no ano de 1973, ingressando na ala dos compositores do GRES Acadêmicos do Salgueiro.Em parceriacom Luiz Malandro concorreu na disputa do samba-enredo cujo tema foi “O rei da França na Ilha da Assombração” e foi vencedor do hino para o carnaval de 1974.O desfile foi na Avenida Antônio Carlos, pois a Presidente Vargas, que há dez anos era o local do desfile, havia entrado em obras para a construção do metrô carioca.O samba foi cantado pelo próprio Zé Di, Noel Rosa de Oliveira, Laila e a escolae sagrou campeã.

Em 1980, ele, ainda em parceria com Zuzuca, Moacir Cimento e Haidée, foram autores do samba-enredo com o tema “O bailar dos ventos relampejou mais não, choveu”.Em 1982, repetiu a dose e, em parceria com Cesar Veneno, foi autor do samba-enredo “No reino do faz de contas”.
Depois de Zé Di, outros compositores vindos de São Paulo venceram os concursos de samba-enredo no Rio de Janeiro.Em 1998 a Estação Primeira apresentou em seu desfile o tema “Chico Buarque da Mangueira”.Nelson Dalla Rosa e Nelson Csipai juntaram-se ao carioca Carlinho das Camisas e foram os autores da obra musical que deu o título ao samba-enredo.

Atualmente o compositor Alemão, vencedor de vários sambas-enredos em São Paulo,também tem sido bem sucedido no Rio de Janeiro.Sua primeira vitória na Mangueira, juntamente com parceiros, foi em 2011, quando a escola levou para a avenida o tema “O filho fiel sempre Mangueira”.

Em 2014, o samba“A festança brasileira cai no samba da Mangueira” também foi de sua autoria com parceiros.No ano seguinte, o tema da Mangueira foi “Agora chegou a vez, vou cantar, mulher brasileira em primeiro lugar” e o samba de desfile teve como compositor novamente de Alemão, com parcerias.
Em 2016, Alemão teve o seu trabalho mais do que recompensado, pois a Mangueira, que não era campeã há mais de 10 anos: o tema “Maria Betânia a menina dos olhos de Oyae”interrompeu o ciclo e quebrou o jejum. O sqamba levava sua assinatura com parcerias que já se prolongavam há vários anos.

Por Onésio Meirelles
Sambista mangueirense, escritor, palestrante e pesquisador da historia do samba, jurado de carnaval em São Paulo (2013) e Porto Alegre (2014/2016) e ex-diretor financeiro do GRES Estação Primeira de Mangueira.

Sobre o Autor

Anderson Moraes

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