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Aconteceu em São Paulo, na região central, o musical que narrou a trajetória de vida e a obra de Antonio Candeia Filho, o Candeia.

Um baluarte da Escola de Samba Portela e um ícone da Música Brasileira, o compositor foi retratado no musical “É Samba na Veia, É Candeia“. A estreia aconteceu na quarta-feira, dia 18 de outubro, às 21h, no Teatro Oficina Uzyna Uzona. A apresentação ficou em cartaz até o dia 9 de novembro.

Vida e militância de Candeia são retratadas em musical no Teatro Oficina

Entrada com samba e já dando o tom do que vem pela frente. Aa esposa Leonilda em diálogo com sua amiga. Teatro cheio. Cenário impecável e uma direção idem, do Leonardo Karasek, produção executiva e artística de Rita Teles e texto de Eduardo Rieche.

O musical ora na cozinha de Dona Leonilda (cenário), ora no bar do bairro, sempre dialogando com a história desse gigante compositor e filósofo da musica brasileira.

Foi narrado no início como se deu o encontro de Candeia e Leonilda, como o sambista mudou sua vida ao entrar no concurso da polícia. Ao adentrar, na década de 60, à corporação foi um investigador que mostrou-se austero, enérgico e até truculento, principalmente com malandros e prostitutas.

Outro relato foi falar como era ter a casa sempre cheia de sambista. Tudo narrado por Dona Leonilda.

No início da década de 60, Candeia ingressou na Polícia Civil, assumindo o cargo de investigador. Ganhou fama como policial enérgico e truculento, principalmente com prostitutas e malandros, e chegou mesmo a receber vários prêmios por sua atuação na corporação.

Sem abandonar o samba, dirigiu o conjunto Mensageiros do Samba, ao lado de Picolino e Casquinha, que realizou suas primeiras no Bar Zicartola e, mais tarde, em 1964, teve lançado um LP.

Seguindo nas boas lembranças, a construção do grupo “Mensageiros do Samba”, que fez parte do “Movimento de Revitalização do Samba de Raiz”, promovido pelo Centro de Cultura Popular (CPC) em parceria com a UNE (União Nacional dos Estudantes).

Gravou apenas um disco, no início da década de 1960, o LP “Mensageiros do samba”. O grupo chegou a se apresentar à convite de Cartola e Dona Zica, no Zicartola.

Nota: Após esta empreitada, em 1970, Candeia seguiu carreira solo e gravou seu primeiro LP pela gravadora Equipe.

A ascensão de Candeia ainda mais para o topo

As lembranças passaram pelo título da Portela com composição de Candeia e como se deu a história das fantasias (mal) feitas desse ano. Emocionante. Além de uma crítica à escolha da época, a Bossa Nova em detrimento do Samba que agonizava, mas não morria. Como não morreu!

Candeia participou de festivais, foi contato de forma sublime e contundente um “reclame” que foi fazer na época e se vestiu de índio. E termina esta cena com negros e índios que não são iguais, como pretendia fazer a direção da marca que contratou o Candeia e seus amigos.

O encontro de Clara Nunes e Candeia foi sublime. Fez a plateia cantar e se emocionar. E nesse papo, o mestre ensina ritmos do samba como “Amoladinho”, “Miudinho” e como as mulheres da época dançavam com as mãos nas “cadeiras”, como falava. Depois fecha com “Mar Serenou”.

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Toda história tem seu lado triste

Mas tiveram momentos tristes e fortes, como quando Candeia é baleado, após se envolver em um acidente automotivo que o fez passar o resto de suas vidas em uma cadeira de rodas (com a paralisia, foi obrigado a se aposentar por invalidez e começou a usar cadeiras de rodas).

No início ele não reagiu bem e ficou depressivo, se afastando de todos. Mas seus amigos o levaram aos palcos, sem ele saber, e nessa parte de grande emoção ele canta o clássico: “De qualquer maneira”, do LP “RAIZ”. Esta letra mostra de forma figurativa o sambista em seu trono de rodas.

Além de voltar a cantar, pensou, debateu um novo rumo para a escolas de samba. Critica o que elas se transformaram. A irritação ia desde destaque, que não sabia cantar, à musica no dia do desfile. O excesso de artistas em detrimento da comunidade, integrante que não sabia nem onde era Oswaldo Cruz, a glamorizarão de que comanda a escola que passou a ser chamado de “doutores”, aos sambas curtos de rimas fáceis, a Portela era esperada, pois não imitava ninguém e sobrou até para o Joazinho Trinta.

Esse, que cunhou a frase: “O povo gosta de luxo, quem gosta de miséria e intelectual”, entre outras. A pergunta que fica é: algo mudou do que foi debatido lá trás por Candeia?

Candeia famoso, cheio de ideias e nenhuma aceita na Portela. O que fazer?

Aí nasce a Escola de Samba Quilombo. Ao som da magistral ” Dia de Graça”.

“E cante o samba na universidade
E verás que seu filho será príncipe de verdade
Aí então jamais tu voltarás ao barracão”.

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 Nota: Aqui único momento que se canta uma música que não era do Candeia.

O gênio parte

O musical termina com dialogo do sambista e compositor no leito do hospital com sua esposa. Ali ele faz juras de amor a Leonilda, ao som de  “Vem menina Moça”. Se despede da vida para entrar na história o gênio compositor, o policial intransigente, filósofo da música, sensível e crítico, que lutou pela raça negra.

Um monumento chamado CANDEIA. A entidade religiosa que entra em cena para levar aos reino do céus o mestre para encontrar lá outros de igual tamanho na música e arte fez chorar muitos que ali estavam, no Teatro Oficina.

A música que finaliza a peça dá o tom de quem foi Antonio Candeia Filho:

“Porque o sambista não precisa ser membro da academia
Ser natural com sua poesia e o povo lhe faz imortal
Porque o sambista não precisa ser membro da academia
Ser natural com sua poesia e o povo lhe faz imortal”.

falecimento de Candeia

Nota final: Estava presente o José Celso Martinez Corrêa, conhecido como Zé Celso e idealizador do Teatro Oficina Uzyna Uzona, ou simplesmente Teatro Oficina. Uma lenda do teatro (diretor, ator, dramaturgo e encenador).

Sua fala foi pela resistência ao (seu) Teatro de Arena, que sofre com as investidas do grupo Silvio Santos, desejoso para transformar o Bixiga num grande empreendimento imobiliário. Houve espaço em sua fala contunde para muitos elogios à companhia de teatro que encenou a peça do Candeia. Lembrou a importância desta encenação em decorrência do momento conservador que vive o País.

E terminou convidando o público para o ato, dia 26/11, em prol da manutenção do espaço, que hoje passa pelo detrimento do projeto de destruição que impõem o grupo Silvio Santos ao local.

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A casa estava (Teatro Oficina) estava cheia no último dia de apresentação. Abaixo as amigas  Regina Maura e Ynha, cabeleireira.

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Senhora Margarida e Senhor Cláudio

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Na espera da peça: Luciano Oliveira, Flávio Moraes e Adriana Moraes.

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Roger Parra e Karine Marques, esperando para entrar no Teatro!

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As amigas Amanda Cristina e Ana Caroline na espera da peça20171109_205755

 

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