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No dia 13 de Maio de 1888 foi assinada a lei Áurea no Brasil, lei que instituiu a abolição da escravatura, assinada pela princesa Isabel. Durante um grande período,  reinou a narrativa  da princesa bondosa que se compadeceu com a situação dos negros no Brasil e, sendo assim, assinou a Lei Áurea para  libertar aquele povo sofrido. Era esse o discurso que muitos de nós aprendemos na escola primária mesmo em 1988,  cem anos após, foi assim que aprendi  e sofri e qual criança negra não se sentia envergonhada, quando se era falado deste período em que os negros eram descritos sem o menor protagonismo?

Mas na minha adolescência no final dos anos 90 tudo mudou, foi quando tive aulas de geografia com o professor Sebastião (in memoria),  ele trouxe a verdade aos meus olhos. Era no 13 de Maio que na escola pública Tito Prates da Fonseca na zona norte de São Paulo, realizava-se a semana afro, comandada pelo querido Professor Sebastião com palestras, debates, teatro e o fechamento com o esperado desfile afro.

Foi no 13 de Maio de 1997, no teatro da escola onde fazíamos a encenação sobre assinatura da lei Áurea que, interpretando uma escravizada no qual gritava para princesa assinar a Lei, que finalmente entendi o real processo daquele período de término da escravidão no papel. Sem dúvidas, depois nas palestras e aulas do professor, aprendíamos todo o procedimento daquele momento e os que antecederam a oficialização da libertação, a luta de Luiz Gama, André Rebouças, José do Patrocínio e muitos outros e outras que tiveram sua participação ofuscada, também aprendi sobre as revoltas e lutas do povo negro.

Era 13 de Maio, quando chegou a minha conscientização crítica sobre o que é ser negro no Brasil.

Também foi no 13 de Maio de 1997 que, no concurso da semana afro, fui uma das finalistas e naquele momento minha autoestima foi aflorada, pois independente de colocação, minha cabeça estava erguida e me sentia bonita, conseguia ver a beleza que existia em mim e nos outros participantes, todos negros… Despertava na escola o sentimento que o negro é lindo, forte e guerreiro.

Negros e não negros finalmente aplaudiam a luta do meu povo.

É por isso que no 13 de Maio devemos falar de Sebastiões, Josés, Luízes, Andrés e tantas outras pessoas que fizeram e fazem a diferença para que a nossa ancestralidade seja narrada por nós.

Para que outras Simones, Sheilas, Anas e tantos mais conheçam a verdadeira história e sintam orgulho de seus ancestrais e aprendam a lutar, dando também, a sua contribuição para um mundo mais igualitário.

Por Simone Botelho.

Professora, Pedagoga.

Escritora e autora do livro: Aqui no morro, tem princesa SIM!

Correspondente do Jornal empoderado.

NOTA

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