Um acampamento de trabalhadores rurais sem terra localizado dentro dentro do mais antigo Assentamento do Estado de São Paulo, o Monte Alegre, sofrerá uma desocupação judicial nesta terça feira de manhã. A área, onde hoje reside 300 famílias há quase 3 anos, pertence ao ITESP (Instituto de Terras do Estado de São Paulo).
O Itesp alega que a área acampada é de proteção permanente e colocada para ser reflorestada, porém, tal fato nunca ocorreu deixando essa área por muito tempo um pasto ocioso. Os acampados construíram em conjunto um sistema de produção de diversas culturas como a mandioca, milho, café, galinha, porco e verduras variadas, bem como há um barracão central com fogão de lenha e um forno de tijolo para pão, onde a comunidade realiza festas e dá prosseguimento a sua luta política.
Desde que estão acampados, os trabalhadores já tentaram dialogar com as duas prefeituras na busca de uma solução para o caso, contudo, as divergências internas dentro do movimento também os fizeram afastar de um diálogo mais aberto com a sociedade. Na última semana, recebido o pedido de despejo, os acampados foram a rádio local buscar apoio.
Ontem, dia 18 de junho, os acampados fizeram protestos em frente à Câmara Municipal de Araraquara o dia inteiro e depois fizeram uma passeata pelas ruas da cidade. À noite, o grupo voltou para a vicinal entre Araraquara e Matão, mais especificamente no distrito de Bueno de Andrada para protestar, bloqueando a via e prometendo passar toda noite na rodovia.
A prefeitura de Araraquara, em nota pública alega que, embora a área acampada não pertence ao município, sempre se dispôs a ajudar a conciliar as partes e que, durante a permanência dos acampados dentro do Assentamento, nunca proibiu as crianças do acampamento de estudarem na escola localizada dentro do Monte Alegre, pois, essa escola se localiza na parte do Assentamento que pertence à Araraquara.
Para entender essa disputa territorial, deve se lembrar a história de formação do Monte Alegre, o mais antigo assentamento do Estado de São Paulo, praticamente nascente no mesmo ano que o MST. O Monte Alegre não foi formado pelo MST, mas pelo movimento de ocupação do Sindicato dos Empregados Rurais em 1984, o qual conquistou a primeira área através também de ocupação.
Essa grande porção de terra localizada hoje entre três municípios: Motuca, Araraquara e Matão, fazia parte da Fazenda Monte Alegre desapropriada pelo Estado de São Paulo e destinada à plantação de Eucalipto para a CODASP ( a empresa oficial de serviços de motomecanização do Governo do Estado de SP. vinculada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento) foi sendo gradativamente ocupada pelo movimento dos trabalhadores rurais e ganhando numeração de acordo com a ordem de chegada de ocupação.
Por essa razão, foi dividida entre esses três municípios e abrange hoje mais de 400 famílias. Porém, só o acampamento tem 300 famílias e muitas realmente não tem para onde ir.
Eles estão agora bloqueando a vicinal entre Bueno de Andrada e Matão como uma forma de protesto.Segundo os manifestantes, existe a previsão de que essa reintegração será feita às 5:00.