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Conversamos com o rapper, André Luis Silva Vieira, ou melhor BABG, de 30 anos. BABG é formado em Educação Física e Pedagogia, com planos para projeto de mestrado ele contou um pouco da sua historia 

Quando inicia no Rap e por quê? 

O contato com o Rap e com as outras formas de pensar a música aconteceu desde muito cedo. Lembro-me de ouvir muitas músicas, minha casa era bem musical hahaha. Aos 12/13 anos rabisquei uns primeiros versos (rimas) aí foi amor, tinha como referencia o grupo Racionais por estar bem próximo de dois integrantes do grupo, e por identidade com as músicas.

Principais shows?

O principal foi o meu primeiro. Aconteceu no Parque Santo Dias um espaço que tem no bairro. Foi preciso uma vizinha pedir para minha mãe me deixar ir fazer o show, na época com 12/13 anos não me lembro da idade, mas o dia nunca sairá da minha cabeça, era domingo de sol na Zona Sul de São Paulo, ensaiamos a manhã toda. Após cantar fui tomado por uma emoção tão forte não contive as lágrimas, amigos do grupo não entendia o porquê do choro, mas a sensação era de satisfação total inexplicável.  Após 15 anos, o dia do pré-lançamento do EP também foi muito emocionante e especial. Por este motivo o nome do EP é Excitações sonhos e gavetas tirar das gavetas as ideias que sempre escrevi e colocar para o mundo. A festa que realizei do disco também foi bem especial, reunir amigos e amigas e pessoas que pensam condições de vida melhor através das várias formas de arte.

Do que fala sua musica?

Não costumo dizer minha música, acredito que após lançada e jogada para as pessoas ouvirem, tirar das gavetas, ela já não é mais minha, está no mundo, criamos filhos pro mundo. É preciso desumbigar-se daquilo que produz. Procuro abordar o que vivo, as situações do dia a dia tento transformar a vida em canção e poesia as dores e alegrias. Acredito que é um processo de escrita e vida transformar sua fala em prática. Não é fácil, mas estamos aprendendo.

 O rap resiste ao tempo. Como e por quê? 

Sim, sempre resiste, ele está sempre aí, nos ouvidos mesmo com suas modificações sonoras e formas de pensá-lo ele se faz presente. O rap fala por muitos e muitas é uma questão de identidade para algumas pessoas, existir é resistir, sabemos bem como é isso.

Show marcado?

No momento nenhum show. Mas tenho dois eventos para este mês de maio 10 e 11. No 10/05 participarei de um sarau no Lapeju Bar Rua Frei Caneca,  e dia 11 falarei com alunas e alunos do curso de letras do Instituto Federal de Cubatão, sobre a escrita poética através do rap a sua existência e resistência enquanto escrita 

Por que BABG? 

Este apelido surgiu na família com os primos e depois entre amigos, muitas pessoas não sabem meu nome apenas BABG. BABG é um personagem de um desenho, um mago. 

 

Como é ser homem preto e Rapper? 

Acredito que para responder esta questão é preciso dividi-la em três questões, primeira é a construção da identidade de homem, segunda ser preto e terceira rapper.

E pensar ela em uma só resposta, a construção da identidade masculina é bem subjetiva, pois ela é pensada como norma dentro de uma determinada cultura e lugar.

O homem preto é visto como a referencia da masculinidade e sexualidade hetero normativa potencializada sexualmente aquele que é forte, viril, o bom. Deste modo cria-se a expectativa deste ser homem, O que é ser homem? Uma vez que me pensaram homem. Trago estas questões pensando nas subjetivações e enquadramentos que sofremos ao longo da vida, somos subjetivados e subjetivadas a todo tempo.

Pensando na questão de modo não fragmentado, este dito homem negro e rapper tem que estar dentro de um molde estereotipado como aquele que não fraqueja a periferia lhe cobra esta postura.

O que é ser rapper? Temos na música no rap corpos negros que trazem outras formas de existir rompendo com a ideia do masculino outra forma de pensar o corpo.

É uma pequena parcela, mas de extrema importância na construção de novas formas e possibilidade de existir. Corpos que resistem para existir.

Como sua musica contribui para o momento que vivemos pós-assassinato da Marielle e o encarceramento em massa do povo preto?

Enquanto denuncia do que está posto pensando a existência destes corpos negros. Mas muitas vezes me pergunto sobre a contribuição das várias formas de arte. Bater no peito e falar da minha música como contribuição e muita audácia, existem inúmeras pessoas contribuindo, sou apenas uma gota neste mar de luta e contribuição, como costumo dizer; SEJAMOS SERES LINDXS E MÁGICXS EM LUTA.

Lula foi preso injustamente como muitos pretos (as). Qual recado à justiça manda pro povo?

Que ela tem cor e classe e interesses

NOTA

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