Na última sexta-feira (6), o líder da Organização Khabat do Curdistão Iraniano comunicou à Al-Jazeera que houve contato entre o grupo e o governo estadunidense, indicando uma escalada na complexidade do conflito no Irã.
Babasheikh Hosseini, secretário geral da Khabat, afirma que no momento não há operações do grupo, mas há uma alta probabilidade de que isso mude após o contato de Washington. O grupo está localizado na parte norte da região semi-autônoma do Curdistão iraquiano, próximo à fronteira com o Irã.
À Al-Jazeera, Hosseini disse: “Planejamos há muito tempo [uma ofensiva], mas agora que as condições estão mais favoráveis existe uma probabilidade maior de ação. Ainda temos que alcançar uma decisão definitiva, mas é bem provável que seguiremos com uma operação terrestre. Os americanos nos contataram, ainda não nos encontramos presencialmente — mas eles nos contataram”.
Quem são os Curdos?
O povo curdo é uma minoria étnica que se espalha pelo Oriente Médio compreendendo partes da Turquia, Síria, Irã e Iraque, e tem dificuldade de reconhecimento e expressão de sua cultura e língua desde a dissolução do Império turco-otomano ao final da Primeira Guerra Mundial, sofrendo represálias políticas e às vezes militares dos governos por onde os Curdos se distribuem.
Na Síria e no Iraque, os Curdos e seus exércitos (considerados milícias pelos governos) foram essenciais para combater o Daesh (Estado Islâmico) na região, sendo as batalhas de Kobane, Rojava e Mossul as mais dignas de nota nas quais os exércitos curdos desferiram duros golpes ao grupo extremista, freando sua expansão na região.
Resposta Iraniana
Enquanto a guerra entra na sua segunda semana, a Guarda Revolucionária Islâmica (GRI) afirma que têm como alvos grupos separatistas na região Curda. “Três localidades de grupos separatistas da região iraquiana [do Curdistão] foram atingidas essa manhã”, comunicou a GRI em uma declaração à agência de notícias Tasnim no sábado (7). “Se grupos separatistas na região [do Curdistão] realizarem qualquer movimento contra a integridade territorial iraniana, acabaremos com eles.”
O ataque reportado aconteceu após o governo iraquiano e o governo da região semi-autônoma do Curdistão Iraquiano afirmarem que o Iraque não deve ser uma plataforma para ataques a países vizinhos. A declaração foi motivada por relatos de que soldados tentariam cruzar a fronteira com o Irã.
Na sexta-feira (6), o Teerã ameaçou tornar alvo todas as instalações da região se soldados curdos iranianos exilados fossem permitidos regressar ao país.
Aliados externos
Israel tem bombardeado partes ocidentais do Irã em apoio aos soldados do Curdistão Iraniano, três fontes familiarizadas com as negociações de Israel com as facções dissidentes afirmaram a agência de notícia Reuters.
Em declaração à Reuters na última sexta-feira (6), o presidente estadunidense Donald Trump demonstrou apoio a uma possível ofensiva das forças curdas iranianas pela fronteira do Irã: “Eu acho que seria maravilhoso que eles queiram fazer isso, eu estou de total acordo”, disse Trump.
Essa não é a primeira vez que Washington escolhe dar apoio a inimigos internos de seus inimigos. A mesma tática foi usada, por exemplo, na guerra Soviético-afegã em 1979 — conflito que originou os grupos extremistas Talibã e Al-Qaeda, que hoje são declaradamente vistos como ameaça pelo governo norte-americano
Costumeiramente, os aliados de ontem dos Estados Unidos acabam se tornando seus inimigos de amanhã.









