No último domingo (15), coletivos progressistas realizaram ato na Av. Paulista contra o intervencionismo de Israel e dos EUA no Irã, no Líbano e na Palestina. Do outro lado da via, refugiados iranianos protestavam contra o regime e a favor da intervenção internacional — Foto: Jaime Mello/Jornal Empoderado


De um lado da Av. Paulista, militantes de partidos de esquerda e suas alas jovens, como PCO (Partido da Causa Operária), CST-UIT (Corrente Socialista de Trabalhadoras e Trabalhadores) e UJC (União da Juventude Comunista), se posicionavam contra a política de intervencionismo de Donald Trump no Oriente Médio. Por alguns momentos, na mesma calçada, mas em número menos expressivo, manifestantes pró-intervencionismo ostentavam a sigla MIGA (Make Iran Great Again), em referência à estética da primeira eleição de Trump.

Amir, imigrante iraniano radicado no Brasil há 15 anos e dono do restaurante Kebab Persa, tem organizado semanalmente manifestações em apoio à população iraniana, sempre pedindo respeito aos direitos humanos, liberdade e democracia no país.
Os manifestantes erguiam bandeiras do Irã, mas sem os motivos islâmicos: o símbolo ostentado era o leão persa, que serviu como ícone de diversas dinastias que comandaram a região — inclusive a última, dinastia Pahlavi.
O último monarca iraniano, Reza Pahlavi, foi deposto durante a Revolução Islâmica em 1979 e faleceu no exílio no ano seguinte, no Egito. Seu filho, também Reza Pahlavi, vive no exílio nos EUA e reivindica seu título como príncipe herdeiro do trono iraniano, sendo apoiado por Washington como líder para substituir o regime do Aiatolá Khamenei.
Uma bandeira diferente

No outro lado da avenida, manifestantes simpáticos à causa palestina e contra as ofensivas militares de Israel contra o Líbano e o Irã levantavam seus cartazes de repúdio ao imperialismo estadunidense.
Em meio a discursos e gritos de ordem, um grupo dissidente entoou frases em apoio a Israel. Apesar do tom provocativo, não houve confronto, em razão da diferença numérica entre os grupos e da forte presença policial no local.
Uma data importante
A escolha do dia para o ato pró-Palestina foi simbólica: 15 de março foi definido pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) como Dia Internacional de Combate à Islamofobia, mesma data do Atentado de Christchurch na Nova Zelândia, que deixou 51 mortos.
A manifestação ocorreu durante o período do Ramadã, um dos períodos mais importantes da cultura islâmica, se aproximando do Eid ul-Fitr, o festival que marca o fim do jejum. Uma guerra nesse período tem alto impacto cultural nas partes em conflito que celebram o Ramadã.
O local de encontro dos manifestantes também foi escolhido de maneira particular: o prédio que abriga a CNN Brasil. Essa escolha se deu por conta da interpretação de alguns coletivos sobre a parcialidade percebida na mídia hegemônica na cobertura do conflito, cobrando imparcialidade do veículo de mídia a partir de agora.









