O artista Thiago Consp expõe 19 obras inéditas na mostra Picadilha, em São Paulo, como brado de exaltação da negritude, por meio de recortes de classe e território. O nome Picadilha foi escolhido por conta da amplitude de significados, que vão de elegância a malandragem.
“Picadilha é uma gíria muito usada nas periferias de São Paulo no final da década de 1990 e início dos anos 2000, que diz sobre beleza e comportamento. Chegar na picadilha é chegar posturado, respeitoso e respeitado. Estar na picadilha é estar bonito, bem vestido e com a roupa bem alinhado”, diz o artista.
A transição entre a década de 1990 e os anos 2000, também é o marco do encontro do artista com a cultura hip-hop, que se reflete nas obras da exposição.
“Foi a época em que conheci o Hip Hop e quando comecei a frequentar os bailes e festas de rap, foi quando aprendi esse código da vestimenta, o quanto é importante nesses espaços de socialização da população preta e periférica. Essa experiência vira tema do meu trabalho quando resolvo retratar apenas homens pretos nas minhas obras”, diz.
A exposição está na Chácara Lane- Museu da Cidade de São Paulo, na rua da Consolação, 1024 e fica até o dia 24 de maio, de terça a domingo, das 9h da manhã até as 17h, com entrada gratuita.
Ao Empoderado, o artista relembrou como foram as suas primeiras experiências com arte, ainda na infância.
“Minha mãe sempre foi a pessoa do faça você mesmo, ela comprava revista com moldes de decoração de festas e construía as decorações de aniversário da família, pintava os próprios pano de pratos, decorava os bolos de aniversário, decoração de festa junina etc. Eu tenho um pouco disso que vem dela”, conta.
Outra marca significativa na obra do Consp é a literatura e os estudos que fez, ao longo da vida, de obras de autoras e autores negros, influêciado pela família e pelo cinema.
“Meus pais tinham o livro do Alex Halley que na tradução brasileira foi chamado de “Raízes Negras”. A capa desse livro me chamava muito a atenção, nessa edição que tinha em casa a capa era um homem preto retinto com cara fechada e as mãos acorrentadas, essa imagem era muito forte e ali, quando eu tinha uns 10 ou 11 anos de idade. Eu criei coragem pra ler, porque ele é um livro bem extenso. Li por curiosidade mesmo e a partir daí meu pai viu q eu tava lendo e me mostrou o filme do Malcom X, do spike lee, mas foi inspirado na biografia do Malcom X escrita por Alex Halley, depois assisti o filme biográfico de Stevie Biko”, diz.









