
No dia em questão, íamos uns nove ou dez adolescentes amontoados na D-20, conduzidos pelo saudoso e sempre paciente Tio Sérgio rumo à distante Curicica. Nosso destino era a Meca dos Nerds: a Bienal do Livro no Riocentro. Milhares de metros quadrados com as maiores editoras do país, lançamentos, edições especiais, autores famosos autografando… um paraíso para os apaixonados por literatura.
Lembro que meu contato mais forte com livros começou com a antiga Série Vaga-Lume com histórias de mistério juvenil. Daí migrei para a coleção da minha mãe da Agatha Christie. Não esqueço da estante cheia de livros na sala e de que nunca encontrei um que a coroa já não tivesse para lhe dar de aniversário. Dos bigodes de Hercule Poirot para o indefectível cachimbo do personagem de Conan Doyle foi uma evolução natural e “Um Estudo em Vermelho” ainda é um dos meus romances prediletos! Viajei nas aventuras fantásticas de Verne, quase abandonei toda a esperança com as estrofes de Dante, me perdi pela Catedral de Victor Hugo, enfrentei os moinhos de Cervantes e duelei com os espadachins de Dumas. Mais tarde vieram os clássicos da Literatura Gótica com Shelley, Stoker, Stevenson e na época dessa Bienal eu deveria estar no meu quarto ou quinto romance da Anne Rice e no segundo horror do Lovecraft.
Ir à Bienal era um programa tão aguardado para nós naquela época quanto ir a um festival de rock desses muito famosos e livros eram bens tão preciosos que enchiam com destaque e orgulho nossas prateleiras. Porém os anos passaram, o tempo se tornou escasso assim como o espaço de casa. Romances e aventura cederam lugar para livros técnicos, de administração ou de finanças. Duas ou três mudanças de casa depois já não havia espaço para tipografia impressa na estante e longos textos precisavam se tornar relatórios sucintos. Minha sombra desistiu de fugir, esqueci de virar na segunda estrela, parei de voar, cresci.
Nunca me imaginei autor. Na verdade, até um ano atrás eu só escrevia e-mails de trabalho, na maioria das vezes tão malcriados quanto um conto do Velho Bukowski. É incrível a capacidade que a vida tem de mudar completamente nossa história, como um plot twist do mundo real, tão repentino como um virar de páginas. Esse meu último ano de Fogg e Passepartout foi surpreendente e a maior das surpresas é estar de volta depois de tantos anos à Bienal, desta vez como um contador de histórias. Como um certo pequeno Bolseiro sobre qual eu li uma vez, estou partindo numa aventura! Que seja épica essa minha jornada como a de Campbell, talvez um pouco surreal como um conto de Gaiman e que me renda várias histórias para contar.



Fotos: Bruno Sophia
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Nota: Texto de responsabilidade da jornalista, Luiza Medeiros.