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O Jornal Empoderado conversou com os integrantes da banda RPW, inicial dos nomes de seus respectivos integrantes, Rubia, Paul e W-Yo.

O grupo ganhou notoriedade no cenário do Rap Nacional com o single Pule ou Empurre.

Ele foi lançado em vinil no ano de 1994, produzido por Fábio Macari e DJ Paul.

Pule ou Empurre é considerado o primeiro registro oficial dentro do estilo de Rap Bate Cabeça, popular até os dias de hoje na Cultura Hip Hop brasileira.

Com a rápida ascensão do RPW e o sucesso do single, o estilo dominou os bailes black de São Paulo na época.

Assim, torna-se uma grande referência e influência para outros artistas.

Isso vem de tal forma que a dupla Emicida e Criolo homenageia o grupo em seus shows cantando o hit Pule ou Empurre, entre outros clássicos do Rap Nacional.

O RPW também foi um dos primeiros grupos do Rap brasileiro a ter um videoclipe na programação da antiga MTV Brasil.

Além disso, também são pioneiros em introduzir o stage diving no Rap.

Durante sua carreira o RPW acumula o lançamento de uma coletânea, três álbuns de estúdio, um ao vivo e um DVD documentário de 20 anos via edital Proac.

Também fez grandes shows como o Festival 300 anos de Zumbi, que aconteceu no Vale do Anhangabaú em 1995, com cobertura da MTV Brasil e na festa de pré-lançamento do clássico álbum Sobrevivendo no Inferno, dos Racionais MC’s, em 1997.

No final de 2016, foi publicada uma nota no perfil oficial do grupo no Facebook, anunciando o fim das atividades, depois de 25 anos de carreira.

Neste ano de 2022 o grupo comemora 30 anos de existência e fará uma reunião para um circuito pequeno de shows comemorativos.

Jornal Empoderado: 30 anos de caminhada. Quais as melhores lembranças dessa história?

DJ Paul: Sermos verdadeiros.

Rubia: É muito gratificante olhar para trás e ver o longo trajeto percorrido até aqui.

Me sinto honrada em fazer parte dessa história construída por três cabeças pensando no mesmo objetivo!

W-Yo: É muita história, na real.

Na maioria de boas lembranças, uma delas foi a primeira vez no Brasil do grupo americano CYPRESS HILL (uma de nossas referências) em 1994.

Fizemos a abertura, juntamente com o Planet Hemp, que são nossos amigos até hoje, na extinta casa de shows Olympia, lotada, e todos batendo cabeça ao som de “Pule ou Empurre”. Foi sensacional!

Com isso, RPW se tornou o primeiro grupo de Rap paulistano a tocar em tal palco, foi style!

JE: Por muito tempo o Rap foi o jornal das periferias. Ele mostrava ao mundo a realidade de jovens e famílias pretas e periféricas. O que mudou hoje? O Rap ainda cumpre esse papel?

DJ Paul: O Rap raiz não muda, o que mudou foram as pessoas que hoje fazem o Rap.

Rubia: Para mim, nada mudou, o Rap continua sendo a crônica das quebradas e suas narrativas estão de acordo ao tempo histórico-social onde esses agentes periféricos estão inseridos.

W-Yo: Se perdeu um pouco o papel do resgate em sua maioria hoje.

Na corrida, o bastão caiu no chão. Minha opinião.

JE: Como nasceu a ideia de se juntarem de novo? Os fãs podem esperar no futuro, uma volta definitiva da banda?

DJ Paul: Estamos reunidos para comemorar esta união verdadeira e agradecer aos nossos fãs por esses 30 anos de banda.

Rubia: É um “muito obrigada” para nossos fãs e amigos, que sempre acreditaram em nosso trabalho.

W-Yo: Acredito que foi com o filme documentário “RPW 20 ANOS” de 2012, daí pra frente, a cada cinco anos rolar alguma comemoração, naturalmente (risos).

JE: Rúbia, você, Shary, Dina Di são parte de uma história de resistência de mulheres no Rap. Como foi essa caminhada até aqui? Já pensou em desistir?

Rubia: Uma sociedade patriarcal nunca é gentil com as mulheres.

E o Hip-Hop, majoritariamente masculino, também não é.

Eu pude ser resistência porque havia outras mulheres antes de mim na cultura, desbravando territórios.

Uma das formas que encontramos para fortalecimento das mulheres foi a construção de coletivos femininos de Hip-Hop, como Minas da Rima, Hip Hop Mulher e Frente Nacional de Mulheres do Hip Hop.

Sim, pensei várias vezes em desistir, e algumas meninas acabaram parando no trajeto.

Ainda há muita luta pela frente…

JE: FUNK, Trap… Como vocês veem a cena musical jovem hoje?

Rubia: A cultura periférica está em constante movimento e novos gêneros estão sempre surgindo.

Vejo com entusiasmo a juventude cada dia mais inovando as sonoridades e experimentando outros ritmos que derivam dos famosos Dirth South e Miami Bass em novas roupagens.

Um dia fomos jovens e inovadores com o Bate Cabeça, e daqui 20 anos outros estilos e sons estarão em evidência.

JE: Balada de bate-cabeça boa tinha que tocar RPW (que era a música de jovem pichador, skatista etc.). A “volta” da banda é saudade dessa época também?

DJ Paul: Como a resposta citada acima, nos unimos somente pra comemorar 30 anos.

W-Yo – Sem dúvidas que também é, não tem uma vez que converso com amigos e/ou fãs da antiga dos anos 1990, que não voltamos em umas três festas no mínimo daquela década (risos e um gole).

JE: Paul, você saiu das pick-ups e hoje tem coluna aqui no Empoderado. Fale dessa experiência.

DJ Paul: Há um tempo, eu colaborava no jornal Estação Hip Hop e citava as 10 mais do Rap nacional.

Depois de alguns anos, através de uma entrevista no Jornal Empoderado, recebi o convite do diretor Anderson e na hora aceitei, pois a comunicação jornalística é uma das coisas mais importantes que o povo tem. E gratuitamente.

JE: Fale como os fãs podem acompanhar esse novo projeto de vocês.

Rubia – Estamos voltando a movimentar nossas redes sociais.

Então, fiquem atentos, pois disponibilizamos muitas coisas interessantes e algumas inéditas.

Fortaleçam nossas redes, curtam, compartilhem e se inscrevam!

Instagram: @gruporpw
Facebook: www.facebook.com\rpw.batecabeca

NOTA

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