ACONTECENDO AGENDA CULTURAL

Petrobras e Sesc São Paulo apresentam PRETO, da companhia brasileira de teatro, que estreia no Sesc Campo Limpo em 09 de novembro

O Preto vai se desdobrando em possibilidades reais de diálogo, em instâncias diferentes da palavra. Foto de Nana Moraes.
Written by Anderson Moraes

“O espetáculo está incrível! Com Grace Passô e Renata Sorrah no elenco!” 

 

 

Espetáculo promove a investigação e reflexão sobre a coexistência

e a interação entre as diferenças

 

” PRETO é uma obra sobre ela mesma, que se articula com autonomia promovendo possibilidades de leitura, emergindo um leque de assuntos e temas diversos. Diante desses fatores que afetam o mundo,  eu respondo artisticamente”.  Marcio Abreu.

 

 

 

No teatro e nas artes presenciais, relacionais, há uma certa tendência à surdez cultural. É muito comum as pessoas irem ao teatro e não escutarem, não veem, não estão permeáveis. Um dos desafios, como dramaturgo, é o de construir e  furar um pouco esses bloqueios culturais, sociais“. Marcio Abreu

 

As infinitas possibilidades de diálogos e descobertas do ser, através de um corpo, uma palavra ou um som, se desdobram na narrativa de PRETO, o novo projeto da companhia brasileira de teatro, que estreia em São Paulo, a partir de 09 de novembro de 2017, no Sesc Campo Limpo, após uma ocupação/residência de 30 dias de criação na mesma unidade.

 

Dirigida por Marcio Abreu, a peça se articula a partir da fala pública de uma mulher negra, uma espécie de conferência que se desdobra em imagens, mediações da palavra, ressignificações dos corpos, ativação da escuta e reverberação dos sentidos numa sequência de tentativas de diálogos.

 

PRETO promove uma investigação sobre o que gera a recusa das diferenças na  sociedade e como reagir artisticamente diante desta pluralidade cultural, política, étnica e racial. A experiência busca expandir através da arte as percepções sobre o outro e sobre os espaços de convivência,  além da formação de sensibilidades que aparecem  em três grandes momentos durante a  narrativa.

 

Um dos questionamentos que acompanham a peça do que você não esquece nunca do que você é?  – traz o jogo visceral que se entrelaça com os caminhos dos pensamentos na filosofia, literatura, dança, música e antropologia.  A dramaturgia carrega diálogos marcados pelo noticiário,  sem a intenção de reproduzir a realidade, e traz cenas vivenciadas pelo artistas em seus cotidianos, proporcionando instâncias de linguagem para a peça.

 

A narrativa ainda proporciona reflexão sobre como a sociedade se comporta e dá poder à questão da imagem social. Imposta como verdade neste universo contemporâneo, questionamentos do tipo “como eu me vejo?” ou “como o outro me vê?” ganham força e enriquecem o espetáculo por meio da construção de um  diálogo.

                                                                                                                                                                      

“Tá vendo? Eu não sei falar sobre mim. Falar sobre mim pode ser pouco. Ou não, né? Mas sei falar sobre o que me atravessa, e me atravessa aquela garota erguendo a carteira da escola no meio da rua. Aquela mulher esbravejando com o policial. Aquela palestra, quando ela falou que eles calculavam qual seria o melhor dia para fugir. O vídeo da mulher sendo arrastada. O clipe. Beyoncé  fez eu me sentir com poder. A liberdade não tem nome e o nome dele é Rafael, nome de um primo meu. A série. Aquilo coloca a nossa forma de viver na linguagem de mercado. E ganharam um Oscar. Eu tenho raiva daquilo. Mas me interessa furar a tortura simbólica das imagens que não deixa a nossa imagem viver plenamente, com amor, com beleza, com dinheiro. E digo mais: para que servem nossas respostas que falam sobre nós. A quem? Quem são os corpos que ouvem isso? Essas palavras fazem agir? Amanhã o teu cabelo vai gritar alguma coisa? Teus braços, teus pés e mãos? Quem vai abrir mão para dividir? E nós? Vamos ter fôlego para plantar em cada comunidade, em cada reunião, alguma ação?” Trecho da dramaturgia

 

O racismo e a investigação pela negação transposta pela sociedade atual – presente na peça – tem como referência básica no processo de construção a obra de Joaquim Nabuco, intelectual e político abolicionista brasileiro que viveu no século XIX  entre o Brasil e a Europa, “A Crítica da Razão Negra”, do professor e cientista político sul-africano Achille Mbembe, os escritos de Frantz Fanon, a  literatura de Ana Maria Gonçalves, e da poeta e professora Leda Maria Martins, entre outros pensadores.

 

PRETO e a companhia brasileira de teatro

 

Fruto do desdobramento da pesquisa de “PROJETO bRASIL”, PRETO vem se construindo desde 2015 e se deu em diversas situações de residências artísticas em períodos, cidades e países diferentes, entre eles: Belo Horizonte, São José do Rio Preto, Rio de Janeiro, São Paulo, Araraquara, Curitiba e Santos. As cidades de Dresden e Frankfurt, na Alemanha, também receberam residências artísticas (com mostras de processo, oficinas, encontros, conversas públicas), todas abertas ao público.       

 

“Em cada uma das etapas de trabalho fomos permeados por circunstâncias e experiências específicas. Em todas elas promovemos ou participamos de encontros entre artistas e público através de apresentações de peças do nosso repertório, oficinas, mostras de processo, debates e conversas públicas, entendendo o teatro como lugar mobilizador de sensibilidades, sentido político e ativador de transformações possíveis, transformações sonhadas e as que ainda nem imaginamos”, completa o diretor Marcio Abreu sobre o processo.

 

A companhia brasileira de teatro é um coletivo de artistas de várias regiões do país fundado pelo dramaturgo e diretor Marcio Abreu em 2000, em Curitiba, onde mantém sua sede num prédio antigo do centro histórico.

 

Sua pesquisa é voltada sobretudo para novas formas de escrita e para a criação contemporânea. Entre suas principais realizações, peças com dramaturgia própria, escritas em processos colaborativos e simultâneos à criação dos espetáculos, como PROJETO bRASIL (2015); Vida (2010); O que eu gostaria de dizer (2008); Volta ao dia…(2002).

 

Há ainda uma série  de criações a partir da obra de autores inéditos no país como Krum (2015) de Hanock Levin; Esta Criança (2012), de Joel Pommerat; Isso te interessa? (2011), a partir do texto Bon, Saint-Cloud, de Noelle Renaude e Oxigênio (2010) de Ivan Viripaev.

 

A companhia realiza ainda frequentes intercâmbios com outros artistas no país e no exterior. Estreou na França, em 2014, o espetáculo Nus, Ferozes e Antropófagos em pareceria com os diretores Thomas Quillardet e Pierre Pradinas e com artistas brasileiros e franceses do Coletivo Jakart e colaboradores da companhia brasileira.

 

FICHA TECNICA

Direção: Marcio Abreu

Elenco: Cássia Damasceno, Felipe Soares, Grace Passô, Nadja Naira, Renata Sorrah e Rodrigo Bolzan

Músico: Felipe Storino

Dramaturgia: Marcio Abreu, Grace Passô e Nadja Naira

Iluminação: Nadja Naira

Cenografia: Marcelo Alvarenga

Trilha e efeitos sonoros: Felipe Storino

Direção de Produção: José Maria | NIA Teatro

Direção de Movimento: Marcia Rubin

Vídeos: Batman Zavarese e Bruna Lessa

Figurino: Ticiana Passos

Assistência de Direção: Nadja Naira

Orientação de texto e consultoria vocal: Babaya

Consultoria Musical: Ernani Maletta

Adereços | Esculturas: Bruno Dante

Colaboração artística: Aline Villa Real e Leda Maria Martins

Assistência de Iluminação e Operador de Luz: Henrique Linhares

Assistência de Produção e Contrarregragem: Eloy Machado

Operador de Vídeo: Bruna Lessa e Bruno Carneiro

Assistência de Produção: Caroll Teixeira

Participação Artística na Residência realizada em Dresden: Danilo Grangheia, Daniel Schauf e Simon Möllendorf

Projeto Gráfico: Fabio Arruda e Rodrigo Bleque  | Cubículo

Fotos: Nana Moraes

Assessoria de Imprensa: Márcia Marques, Kelly Santos e Daniele Valério | Canal Aberto

 

Patrocínio: Petrobras e Governo Federal

Produção: companhia brasileira de teatro

Co-produção: HELLERAU – European Center for the Arts Dresden, Künstlerhaus Mousonturm Frankfurt am Main, Théâtre de Choisy-le-Roi – Scène conventionnée pour la diversité linguistique

Realização: Sesc São Paulo

 

companhia brasileira de teatro

Direção de Produção: Giovana Soar

Administrativo e Financeiro: Cássia Damasceno

Assistente Administrativo: Helen Kalinski

 

Serviço

PRETO

De 09 de novembro a 17 de dezembro de 2017

De quinta a sábado, 20h e domingos, 18h.
Não haverá apresentações nos feriados dos dias 15 e 20 de novembro.

Nos dias 2, 3 e 4 de novembro, haverá ensaios abertos ao público, gratuitamente.  No dia 2, às 18h e 3 e 4, às 20h. 

 

SESC CAMPO LIMPO

  1. Nossa Sra. do Bom Conselho, 120– Santo Amaro

Tel. (11) 5510-2700

Capacidade: 120 lugares/ Recomendação: 14 anos/ Duração: 90 minutos

Ingressos: R$ 9,00 (Credencial plena), R$ 15,00 (Aposentado, pessoas com mais de 60 anos, pessoa com deficiência, estudante e servidor da escola pública com comprovante) e R$ 30,00. 

 

Informações à imprensa

Canal Aberto Assessoria de Imprensa

Márcia Marques | Daniele Valério | Kelly Santos

Fones: 11 2914 0770 | Celular: 11 9 9126 0425 | 11 9 5630 3505

Email: marcia@canalaberto.com.br | daniele@canalaberto.com.br kelly@canalaberto.com.br |www.canalaberto.com.br

Sobre o Autor

Anderson Moraes

Deixe um comentário