ENTREVISTAS ESPAÇO CULTURAL

Entrevista com a escritora Soraya Abuchaim

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Histórias de terror e suspense de uma maneira que você nunca viu!

Ela já tem diversas obras publicadas e sua especialidade não é romance ou contos, como muitos pensam ao observar seu semblante angelical. Soraya Abuchaim já é conhecida como a “Dark Queen” do meio literário, pois as páginas dos seus livros trazem muito suspense e terror.

Um dos seus maiores diferenciais é mergulhar de cabeça nas histórias, buscando referências com pessoas que conheçam o universo o qual irá explorar, faz cursos especializados nos temas (como o de mentes criminosas) e pesquisa muito. Segundo ela, essa é uma das maneiras de se destacar no mercado.

O Jornal Empoderado fez uma entrevista exclusiva com ela, que fala desde a cultura brasileira ao hábito de leitura. Confira!

Livro "Até eu te possuir", sua primeira obra

Livro “Até eu te possuir”, sua primeira obra

Jornal Empoderado – No cenário geral, como anda a Literatura Brasileira?

Soraya Abuchaim – Embora ainda sofra preconceito, principalmente por parte dos mais jovens, tem conquistado o seu espaço. Hoje, posso dizer que temos no Brasil muitos autores excelentes, que não deixam nada a desejar para os estrangeiros tão aclamados pela crítica mundial. É só uma questão de tempo para ganharmos cada vez mais espaço.

JE – Muitos dos livros mais vendidos são de autoajuda ou de especialistas, como Augusto Cury, que ficou em primeiro lugar com o livro “Ansiedade” como um dos mais vendidos durante muito tempo. Em sua opinião, qual o motivo disso?

SA – Acredito que as pessoas procuram livros que possam trazer um bem-estar que, muitas vezes, elas não tem conseguido na vida agitada que levamos hoje em dia. Claro que isso é apenas uma hipótese, mas percebo que quanto mais nos ligamos às redes sociais, menos contatos físicos temos. E isso acarreta uma série de comportamentos que acabam levando as pessoas, consciente ou inconscientemente, a buscar ajuda nesse tipo de leitura (ou mesmo outros tipos de auxílio, claro).

JE – O que você sente de diferente dos livros de hoje se comparados aos clássicos da nossa Literatura?

SA – Tudo (Risos). Na verdade, embora hoje tenhamos muitos autores que explorem histórias mais profundas e com linguagem rebuscada, a nossa literatura está se adaptando à mente dos jovens, que são nossos leitores em potencial. Ouço muito de adolescentes a denominação “chata” ao se referirem aos clássicos. Isso não espelha minha opinião, já que simplesmente amo a nossa literatura mais antiga. Mas nós, como escritores contemporâneos, temos de entender o que nosso público deseja, para, assim, podermos suprir essa carência literária.

Soraya Abuchaim durante o lançamento e tarde de autógrafos

Soraya Abuchaim durante o lançamento e tarde de autógrafos

Uma coisa é fato: muitos estudantes acabam se “traumatizando” com clássicos que são obrigados a lerem na escola e acham que toda literatura é assim (não são palavras minhas, mas sim coisas que já ouvi de adultos que hoje não gostam de ler). Os autores modernos estão aí para mostrar que ler pode, sim, ser prazeroso. Os clássicos são uma segunda etapa para quem começa a gostar de ler.

JE – O que um livro físico precisa ter para atrair leitores nessa época em que muitos, principalmente as gerações Y e Z, estão condicionados à leitura em aparatos tecnológicos?

SA – Acho que os livros físicos perderam sim um pouco de espaço na leitura de hoje, mas ainda há muito público para eles. Em primeiro lugar, o livro precisa ser bonito, daqueles que valem a pena ter na estante. Depois, um papel para leitura confortável e a letra em tamanho adequado ajudam muito, porque muitos leitores digitais se adaptam para dar mais conforto à leitura.

O escritor de hoje precisa ter em mente que há público para as duas formas de leitura. Há quem venda mais livro digital, outros vendem muitos livros físicos. Mas volta a ressaltar: é imprescindível que o autor conheça seu público e explore novos leitores cada vez mais, valendo-se de tantas formas de leitura maravilhosas que temos hoje.

Livro "Madrugada Macabra"

Livro “Madrugada Macabra”

JE – Quais são os quesitos essenciais para um livro de suspense ou terror fazer sucesso?

SA – Trazer elementos que deixem o leitor com medo, com expectativa pós-suspense e, por que não, nojo também. São as formas clássicas do terror e do horror. O público que gosta desse gênero estava muito tímido há alguns anos, embora houvesse muitos blogs e sites especializados.

Então, surgiu a editora DarkSide, que foca apenas nesse nicho e foi a felicidade dos amantes de suspense e terror. Agora, os autores nacionais desse gênero estão aparecendo e, com a gente, nossos leitores. O bacana é trazer leitores também para o lado negro (Risos). Sempre fico feliz quando alguém me fala que nunca tinha lido um  suspense  ou terror e adorou a leitura por ter lido algo de minha autoria.

JE – Como um escritor cria a sua identidade, em meio a tantas outras obras disponíveis no mercado?

SA – É um conjunto de itens: a identidade começa quando o autor escolhe escrever o gênero que ama, não apenas escrever o que dá dinheiro. A linguagem utilizada é importante, assim como o estilo da narrativa, porque acaba se tornando como uma assinatura.

Livro "A Vila dos Pecados", obra que a escritora sonha que vire um longa-metragem

Livro “A Vila dos Pecados”, obra que a escritora sonha que vire um longa-metragem

Apostar nas redes sociais e na sua imagem perante os leitores também é importante. Eu fui dar uma entrevista esses tempos atrás e quase coloquei uma blusa cor de rosa. Depois pensei: “Caramba, escritora de terror pelo menos deve aparecer de preto”. Temos de nos atentar a isso também. É, portanto, a criação de uma identidade literária aliada à visual.

Outra coisa é a forma como o escritor trata e corresponde aos leitores também, que é essencial. Nada de estrelismo, porque não somos nada sem aqueles que nos leem. Devemos estender tapete vermelho para cada leitor e parceiro.

JE – Por fim, você tem o sonho de ver um dos seus livros virar um filme? Se sim, qual deles e por quê?

SA – Sim, com certeza! Eu escolheria A Vila dos Pecados. Além de trazer muito suspense e elementos de terror, foi uma vila fictícia, criada por mim, e a história se passa no final do século XIX. Eu vejo essa história linda nas telonas, para aterrorizar muitos espectadores. De tudo que já escrevi até hoje, tenho um carinho especial por esse livro.

Serviço:

Soraya Abuchaim – www.sorayaabuchaimescritora.com.br

Instagram: @sorayaabuchaimescritora

Fan Page: facebook.com/sorayaabuchaimescritora

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