VIDA & BEM ESTAR

Dia mundial do veganismo

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Written by Beatriz Bento

Dia 1 de novembro é o dia mundial do veganismo, conforme definido em 1994 pela The vegan society que fazia 50 anos. A The vegan society define veganismo como um estilo de vida que procura excluir, na medida do possível e praticável, todas as formas de exploração e crueldade com animais seja para comida, roupas ou qualquer outro propósito. E, por extensão, promove o desenvolvimento e uso de alternativas livres de insumos de origem animal para o benefício de humanos, animais e meio-ambiente. Veganos seguem uma dieta vegetariana estrita, mas veganismo envolve mais que dieta.

Assim veganos não consomem produtos, mesmo que livres de componentes animais, de empresas que realizam testes em animais ou terceirizam esses testes, que patrocinam eventos em que animais sejam explorados, que pertençam a grupos que tenham qualquer uma dessas condutas ou que vendam em países como a China, que obriga a realização de testes em animais para qualquer produto comercializado no país. Exemplificando, veganos não consomem produtos do grupo Coca Cola que patrocina o rodeio de Houston, um dos maiores do mundo, desde 1932. Para obter essas informações são enviados e-mails para as empresas com questionamentos ou em grupos de redes sociais e sites sobre veganismo. Esses são exemplos de como o boicote é aplicado dentro do veganismo.

A principal motivação do veganismo é a libertação animal, mas há outros motivos que podem ser considerados como benefícios a saúde (como apresenta o documentário What the health), pelo meio-ambiente (como mostra o documentário Cowspiracy) o impacto ecológico do consumo de carne, um quilo de carne de boi por exemplo equivale a 16 mil litros de agua (nessa conta entram a da alimentação do animal, como o plantio de soja que vem devastando a Amazônia, até o abate) e pelas pessoas, considerando maior disponibilidade de terras para plantio e o massacre dos remanescentes indígenas e outras atrocidades cometidas pelos grandes produtores do agronegócio no Brasil. Outro motivo é a ética já que animais são seres sencientes, ou seja, são capazes de sentir medo, dor, estresse, alegria, isso é um fato cientificamente comprovado. Filosoficamente não é considerado ético matar e explorar esses seres por prazer ou em benesse de humanos já que sendo sencientes, o animal tem interesse em sua vida e bem-estar. Há também documentários brasileiro como o Carne fraca.

Apesar de ser considerado elitista por ser caro, veganismo pode ser mais barato já que remove os produtos mais caros da lista de compras como carne, ovos, leite e derivados. Produtos industrializados de higiene, maquiagem e limpeza tem marcas populares a preços na média do mercado como Ipe e Skala. Há grupos no Facebook em que é possível encontrar e compartilhar esse tipo de informação como junkfoodvegan [produtos]. Também há grupos de receitas acessíveis como o Veganos Pobres e há grupos que unem várias causas como o Sim, sou vegana e feminista preta, da Thallita Floripes, uma ativista feminista e vegana da periferia. Falando em causas especificas, o documentário The invisible vegans (Os veganos invisíveis) trata da comunidade vegana negra nos estados unidos.

Mesmo o veganismo não sendo necessariamente mais caro, a informação pode ser considerada elitista já que os meios onde circulam são mais restritos. Apesar de pessoas como a Thallita, a pessoa que vos escreve e outros tantos, o veganismo é reticente na periferia, seja pela informação que não chega ou por todos os outros problemas sociais como falta de tempo (tempo maior gasto em deslocamento), informação, já que grande parte dos eventos que disseminam o veganismo são localizados nos centros ou mesmo escassez de produtos como legumes verduras e frutas (veja Deserto alimentar). Isso não impede que veganos periféricos existam (como existem), mas ser vegano na periferia é contrariar estatísticas, pois espera-se que o pobre periférico se alimente mal.

Em São Paulo, considerado polo vegano brasileiro, há feiras veganas fixas como o Vegan Park, o primeiro park vegano do mundo, que fica perto do metro Ana Rosa (Av. Conselheiro Rodrigues Alves, 83 – Vila Mariana) e até dezembro ocorre o festival Vegano – Move It em frente ao prédio da FIESP na paulista de sexta a domingo.

Sobre o Autor

Beatriz Bento

Leitora voraz, vegana e feminista. Beatriz acredita que mulheres devem ocupar todos os espaços, inclusive o mundo nerd.

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